quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Diário de um ano mau

Por Fernando Castilho


Charge: Aroeira


2015 foi um mau ano, mas 2016 pode começar bem, com a prisão de Eduardo Cunha e com o governo tendo enfim liberdade para retomar o crescimento.

Parodiando o título, somente o título do livro Diário de um Mau Ano do escritor sul-africano J. M. Coetzee, resolvi escrever este Diário de um ano mau.

2015 já vai tarde, vamos combinar.

O ano mau poderia ter começado na manhã de 1° de janeiro com uma topada no pé mas preferiu iniciar no dia 2 com o pedido de cassação da candidatura de Dilma Rousseff junto ao TSE, Tribunal Superior Eleitoral, feito pela oposição encabeçada pelo derrotado, Aécio Neves.

O TSE já havia aprovado as contas de campanha da presidenta por unanimidade mas os tucanos deram o tom do que viria a ser o ano.

A decepção com Dilma veio em seguida. Ao nomear um neoliberal ligado ao deus mercado, o querubim Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, a reeleita deu um cavalo de pau de 180° da esquerda para a direita.

Talvez a intenção fosse acalmar os ânimos da classe média que começava a pedir sua cabeça, insuflada por Aécio e Aloysio Nunes, pela mídia e por grupelhos formados na internet, financiados pelos americanos irmãos Koch e por Paulo Lemann, dono da Imbev.

Em março milhares de pessoas saíram às ruas no Brasil inteiro exigindo o impeachment da presidenta e intervenção militar.

O desconhecimento da Constituição por parte dos manifestantes demonstrou que estes não se dão ao trabalho de ler a Carta, mesmo ela estando disponível para consulta na internet. E se leem, têm uma interpretação de texto bastante peculiar.

O mesmo vale para os que querem a intervenção militar. Reclamam que vivemos sob uma ditadura que lhes permite atentar contra o governo. Chamam os que sofreram torturas e morte nos porões do regime, de terroristas, esquecendo-se que hoje podem sair às ruas exatamente porque aqueles abnegados lutaram por isso.

O ano mau revelou também uma Operação Lava Jato especializada em investigar e prender de maneira seletiva, prendendo a toque de caixa nomes petistas como Dirceu e Vaccari e se negando a sequer investigar Aécio Neves citado pelo delator Alberto Youssef como beneficiário do esquema de propinas de Furnas.

O ano mostrou ainda que além da Lava Jato, há muito mais corrupção sendo investigada pela Operação Zelotes, que a mídia esconde da população por também estar envolvida e o propinoduto de São Paulo que envolve o alto tucanato de colorida plumagem, que segue sendo investigado na Suíça, já que no Brasil não há a mesma disposição.

Além disso, a cereja do bolo foi a revelação de quatro contas na Suíça pertencentes ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha e família.

Cunha havia negado a existência das contas. Após a comprovação vinda da Suíça, já há razões para sua cassação por falta de decoro parlamentar, mas ele, justamente por ser o presidente, conseguiu manobrar como quis e o desfecho dessa situação fica mesmo para 2016. Se fosse petista já estaria preso há dois meses.

2915 também foi o ano em que os fascistas resolveram dar o ar de sua graça, insultando ex-ministros, um petista já no seu caixão e compositor patrimônio do Brasil, Chico Buarque. A reação a esse tipo de intolerância já vem se esboçando e para 2016 espera-se que haja mais respostas a essas agressões, como o rolezinho com Chico no Rio, um grande sucesso.

O país agora segue rumo a 2016 em meio a uma crise econômica que afeta o mundo todo, mas que foi aumentada exponencialmente pela sabotagem da oposição que não deixou Dilma governar um instante sequer. O senador Aloysio Nunes havia cantado a bola e a caçapa no início do ano afirmando que sangraria Dilma até 2018.

Mas, como nem tudo que é mau é somente mau, todo esse peso que Dilma carregou nos ombros pelo menos serviu para demonstrar três coisas:
1) Dilma não tem contra si nenhuma acusação de corrupção.
2) Dilma não interferiu sequer uma vez na conduta do Ministério Público, da Procuradoria Geral da República e da Polícia Federal.
3) Aécio Neves, caso tivesse sido eleito, já teria feito tantas patacoadas que não pode mais ser levado à sério.

Esperemos que 2016 seja um ano bom. E ele pode começar justamente com a prisão de Cunha.

Feliz 2016 para todos nós.




terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Macri, Aécio e o trator neoliberal

Por Fernando Castilho





Mauricio Macri assumiu o governo da Argentina com a faca neoliberal entre os dentes.
Vai passando o trator em tudo que os Kircher fizeram ao longo de anos de governo, fazendo o país voltar aos tempos em que era dominado por uma elite retrógrada.
No Brasil, caso Aécio Neves vencesse, estaríamos numa crise muito pior, mas estejam certos de que a mídia nos faria acreditar que tudo estaria muito bem, obrigado.


Em 2014 Dilma Rousseff foi reeleita presidenta com 54,5 milhões de votos. O candidato derrotado, Aécio Neves, obteve 51 milhões. A diferença, embora seja considerada pequena, equivale à população inteira do Uruguai.

Há muito tempo que o PT, partido de Dilma, não é de esquerda, na pura definição da palavra, porém, são notáveis os avanços nas políticas sociais dos últimos 13 anos.

Mas há obrigatoriamente que se considerar que ao iniciar o novo governo em 2015, houve uma clara guinada à direita com a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda, nome que se encaixaria perfeitamente num governo neoliberal de Aécio.

Não se sabe se Levy entrou para apaziguar os ânimos de uma direita que desde o anúncio da vitória de Dilma já pedia seu impeachment sem nenhum motivo, ou se a presidenta realmente achava que naquele momento ele era necessário.

Pois bem, Levy já pegou seu boné e o governo Dilma, agora mais tranquilo com o impeachment se distanciando no horizonte, dá ares de que tenderá um pouco mais à esquerda.

Mas se Aécio perdeu no Brasil, seu ''alter-ego'', Mauricio Macri, venceu Cristina Kirchner na Argentina.

Podemos muito bem olhar para a Argentina e ver o que Aécio Neves faria no Brasil caso tivesse sido eleito.

Após 13 anos de PT no Palácio da Alvorada, a direita representada pelos partidos de oposição, entre eles PSDB e DEM e a grande mídia estão com a faca entre os dentes.

Esforçaram-se para que grande parte da população grite ''FORA PT'', fazendo com que, aos olhos dela, que não percebe a jogada midiática, cada petista aparente ostentar um carimbo ''CORRUPTO'' na testa.

Nisto, o colunista Reinaldo Azevedo se esmerou cunhando o termo ''petralha''.

Quem consegue se libertar desses grilhões e se informa em outras fontes sabe que dentre os políticos corruptos envolvidos na Lava Jato, os petistas são minoria. Fora os tucanos que são blindados e nunca são presos.

Caso Aécio Neves vencesse no Brasil, a mídia faria uma grande festa assim como aconteceu na Argentina com a vitória de Macri.

Ao mesmo tempo, Aécio respaldado por essa mídia daria vazão a todas as taras neoliberais reprimidas em 13 anos.

Macri assumiu o governo e já tratou de nomear juízes que lhe garantirão apoio no Supremo por decreto, algo que se Dilma fizesse, seria crucificada. Mas a imprensa de lá e também a de cá não abriram o bico.

Macri também desvalorizou o peso em 40%, o que já está causando grande aumento dos preços dos produtos e acabará por gerar inflação. Quem pagará o pato será o povo. O que diria a Fiesp por aqui?

Macri acabou com o órgão responsável pela regulação da Lei de Meios, desalojando com força policial seu presidente. Afirma que por enquanto a Lei continua, mas certamente ela já está com seus dias contados. Porque o acordo com a grande mídia já foi feito antes das eleições.

Além disso tudo, Macri acabou com a Senado TV, um importante canal para que as pessoas se informassem sobre o desempenho de seus senadores, violando o convênio com o Parlatino (Parlamento Latino-Americano), organização regional de Parlamentos, que possui o canal Parlatino Web TV.

Ou seja, Macri está indo com tudo, assim como Aécio também faria.

O povo na Argentina já começa a perceber em que pau amarrou sua égua e os protestos já começam a pipocar, sendo repreendidos pela polícia.

Enquanto isso, as mídias argentinas e brasileiras não se cansam de euforicamente destacar os grandes feitos do novo presidente, escondendo os fatos negativos.

Dilma e o PT não são nenhuma maravilha, mas certamente com a oposição no poder as coisas certamente seriam piores.

Logicamente não se deseja uma perpetuação do PT no poder, mas sim o prosseguimento de uma política direcionada preferencialmente aos pobres.

O desejável seria até que uma nova força política genuinamente de esquerda se formasse, mas enquanto isso não acontece, o PT é o que temos para hoje.


sábado, 26 de dezembro de 2015

Paulo Cavalcanti: A carga tributária brasileira: uma falácia

Por Paulo Cavalcanti em seu blog http://bogdopaulinho.blogspot.jp/

Gráfico: IPEA


Este blogueiro, quer hoje, falar um pouco da folclórica “maior taxa de impostos do mundo” atribuídas ao Brasil, em verso e prosa, por quase todos os empresários por todos os jornais, sempre que o assunto é carga tributária.

Os brasileiros, são pródigos em reproduzir aquilo que a mídia (quer), ou seja, as pessoas são crentes de quase tudo que os jornais escritos, falados e televisivos dizem. Sempre citam esses meios de comunicação, como “fontes” em seus argumentos, seja em conversas de bar, nas esquinas, ou mesmo no almoço em família, quase sempre sem questionamentos ou crivos, esses jornais são citados.

Este blogueiro, quer hoje, falar um pouco da folclórica “
maior taxa de impostos do mundo” atribuídas ao Brasil, em verso e prosa, por quase todos os empresários por todos os jornais, sempre que o assunto é carga tributária. Para "desfolclorizar" a paródia, pesquisas internacionais, comprovam que o Brasil, é o 11º país do mundo, na escala de impostos, relativos ao Produto Interno Bruto (PIB). Veja a pesquisa "Worldwide tax revenue 2010" aqui: http://migre.me/5VLZS

A maior prova que no Brail, rico paga muito pouco, ou nada de impostos, é que o Imposto Territorial Rural - ITR arrecadado em todo o ano de 2007 e em todo território nacional, foi menor do que dois meses de arrecadação do IPTU da cidade de São Paulo. Falando somente deste tributo, fica aqui claramente constatado, o que não acontece com relação aos demais impostos.

Nesta semana, o IPEA, Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, através de declarações de seu presidente, o economista e professor Márcio Pochmann, declarou que, a arrecadação tributária no Brasil, que em 2010 representou 33,56% do PIB (segundo dados da Secretaria da Receita Federal), é concentrada no consumo. Assim, um cidadão que tem renda de um salário mínimo por mês, embora não tenha Imposto de Renda descontado no holerite, sofre no preço do pãozinho e do leite a mesma tributação que o bilionário Eike Batista.

Os tributos sobre bens e serviços representaram 16,3% do PIB, enquanto os tributos sobre folha de pagamentos corresponderam a 8,78% e sobre a renda, a 6,18% (sobre transações financeiras, a 0,72%).

Ainda segundo o IPEA, pesquisas demonstram claramente a situação de discrepância tributária, entre ricos e pobres, comprovando com números que um trabalhador que recebia até dois salários mínimos precisava trabalhar 197 dias (seis meses e dezessete dias), para pagar tributos, enquanto outro que ganhava mais de 30 precisava de três meses a menos de trabalho, ou exatos 106 dias.

Já o consultor Amir Khair, mestre em Finanças Públicas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), lembra em artigo na Revista do Brasil, que o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) está previsto na Constituição de 1988, mas depende de lei complementar nunca aprovada. “O IGF poderia ser cobrado de forma progressiva, arbitrando-se um nível mínimo de isenção”, sugere. “O imposto sobre o patrimônio é cobrado com sucesso há vários anos na França, Espanha, Grécia, Suíça e Noruega. Não deu certo em alguns países, como Áustria, Dinamarca, Alemanha, Finlândia e Luxemburgo, mas pode dar certo no Brasil. Só saberemos se o testarmos.”

Essa transfusão de sangue, do doente para médico, acontece porque, cerca de 50% da nossa carga de impostos é indireta, isto é, incide sobre o consumo, atingindo indiscriminadamente toda a população, independentemente da renda e da riqueza de cada um. A cobrança da maioria dos tributos vem embutida no preço final das mercadorias. Vejamos um exemplo significativo, publicado no jornal Valor Econômico de hoje: Um cidadão que ganha R$ 1 mil por mês e coloca R$ 100 de gasolina no tanque do seu carro está pagando R$ 53 de impostos. Enquanto outro que ganha R$ 30 mil e abastece o tanque pelo mesmo valor também paga os mesmos R$ 53, levando isso à injustiça apontada.

Esses dados confirmam que nos países desenvolvidos há muito mais justiça tributária que no Brasil. Ainda nessa matéria do Valor Econômico, eles citam exemplos ilustram as diferenças entre aqueles países e o Brasil. Na Inglaterra, o imposto sobre a herança é cobrado há mais de 300 anos. Quando da morte da princesa Diana, em 1997, os jornais noticiaram que o fisco inglês cobrou de sua herança o imposto de US$ 15 milhões, metade dos US$ 30 milhões deixados para seus filhos. Naquele país, a taxação é apoiada até mesmo pelos conservadores.

Enquanto em Pindorama, há mais de uma década, esse assunto apodrece nas gavetas do Congresso, afinal, eles entendem que 500 anos de vassalagem, com 400 de colônia, foram pouco, ainda querem mais um pouquinho.

Afinal, "elite" atrasada como aqui, não deve haver paradigma no mundo todo.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

E então é Natal...

Por Fernando Castilho





Três filósofos definiram o que é amor.
A melhor definição foi Jesus quem nos ofereceu.
Mas será que essa definição é a que praticamos em nosso dia a dia?



O filósofo grego, Platão, definiu o amor como desejo. Se você deseja muito alguém, mas ainda não é correspondido, então você está amando. Daí a expressão ''amor platônico'', um amor à distância.

Porém, uma vez que esse amor passa a ser correspondido, para Platão, ele acaba.

Outro filósofo grego, Aristóteles se contrapõe a Platão insistindo que amor é alegria.

Quando você é correspondido pela pessoa amada, você fica feliz e isso lhe traz alegria. Ou seja, você tem que estar junto a quem ama para sentir alegria.

Um terceiro filósofo chamado Jesus de Nazaré, mais tarde chamado de o Cristo, mostrou ao mundo a melhor definição de amor. O amor, para Jesus, é universal. Deve-se amar aos outros como a si mesmo. Amar família, amigos, animais de estimação, sua banda favorita, sem esperar nada em troca. Por amor, ao receber um tapa, deve-se oferecer a outra face. Por amor você deve ajudar os que mais necessitam.

Hoje em dia a isso se chama amor pela humanidade.

Essa mensagem se espalhou durante dois mil anos e ainda se espalhará por outros milênios.

Jesus foi crucificado justamente por pregar essa mensagem que contém implicitamente outra de muito maior alcance e quase sempre escondida pelos agentes da fé: a de que todos os homens são iguais...

Jesus, um homem que teve história se tornou para a Igreja somente o filho de Deus.

Esperem. Antes de se revoltarem e pararem de ler o texto, explico.

Durante dois milênios os homens preferiram somente alardear ao mundo a divindade do homem de Nazaré. Jesus foi aquele filho de Deus que veio ao mundo para morrer na cruz, redimindo os pecados e salvando assim a humanidade.

Embora grandiosa, é praticamente só essa mensagem que à igreja, seja ela católica e mais tarde protestante, interessa passar aos homens. Jesus é certamente muito mais que isso.

Naqueles tempos, Jesus era um homem descontente com as injustiças e a iniquidade praticadas pela elite governamental local, o Sinédrio.

A Judeia era um estado teocrático dominado pelo Império Romano que tolerava a religião local.

Em verdade vos digo que os sacerdotes do Sinédrio eram homens abastados e poderosos que a cada dia mais enriqueciam às custas de um empobrecimento geral da população.

Jesus, ao pregar a igualdade entre os homens, ao curar leprosos, ao salvar prostitutas do apedrejamento, ao expulsar os vendilhões do templo que majoravam os preços dos cabritos obrigatoriamente consumidos durante a Páscoa e ao viver da caridade, causou alvoroço entre seus próximos que passaram a ter uma esperança de melhora de vida.

A elite local ficou assustada e viu naquele homem um revolucionário perigosíssimo que poderia levar as massas a ameaçar seu poderio.

Capturá-lo e entregá-lo ao governador romano Pôncio Pilatos foi fácil após a traição de Judas por 30 dinheiros.

O populacho, que ainda não havia sido influenciado por Jesus, preferiu apoiar os poderosos, exigindo a crucificação do homem de Nazaré ao mesmo tempo que pedia a libertação do bandido Barrabás, que hoje se supõe um zelota, uma espécie de ''terrorista'' entre os muitos que praticavam necessária resistência contra o Império.

Durante dois milênios a História assistiu a repetição desses acontecimentos em graus variados de semelhança, porém sempre mantendo a mesma essência: uma pessoa ou um grupo de pessoas sendo massacrado por uma elite dominante, somente por reivindicar maior justiça social.

E então é Natal, como canta Simone.

A data, inicialmente comemorativa do deus Sol, ou o Solstício de inverno foi adotada pelos romanos porque aqueles que levaram o cristianismo à Roma, imaginaram que assim a filosofia seria melhor aceita.

Em uma espécie de delírio ou desatino coletivo saímos a comprar, comprar e comprar.
Dizem que é isso que aquece a economia e gera empregos.

Mas é exatamente isso que alimenta a elite. A mesma que vê com desdém e até mesmo ódio políticas públicas de erradicação da miséria. Aquela mesma elite daqueles tempos.

O Natal é cultuado pelo capital, os atuais vendilhões do templo.

Abraçamo-nos uns aos outros, enviamos mensagens de carinho, somos até sinceros e verdadeiros nessas horas, mas não temos maiores compromissos com as pessoas. Formalidades apenas.

Festejamos, nos empanturramos com a comida e a bebida, nos abraçamos e nos beijamos, tudo em família. Mas nos esquecemos completamente do aniversariante e daqueles que não têm o que comer. Não somos fraternos nem iguais.

Exatamente na contra-mão dos ensinamentos de Jesus.

É aí que percebemos que Aristóteles afinal, é quem tinha razão.

O objetivo do amor é nos tornar alegres.

E somos, por algumas horas.


Feliz Natal!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Não, o grupo não atacou o partido. Atacou Chico

Por Pablo Villaça



Os veículos de comunicação brasileiros estão esperando alguém morrer graças ao clima de ódio que ajudam a criar. Aí, então, começarão a publicar matérias sobre "tolerância" pra se isentarem de culpa.


Em um momento de lazer, Chico Buarque de Hollanda foi cercado no meio da rua por um grupo de jovens ligados ao PSDB e insultado por "defender o PT".

Aparentemente, estes projetos de fascistas não compreendem que TODOS temos o direito de expressar nossas opiniões políticas, agradem estas ou não. Chico, que nem político é, foi agredido por se manifestar como cidadão - algo que os veículos da mídia manchetearam como (acreditem) "Chico bate boca defendendo o PT no meio da rua: cantor retrucou grupo que atacou o partido".

Não, jornalixo brasileiro, o grupo não "atacou o partido"; atacou CHICO num momento de lazer e no meio da rua. E ele não "bateu boca pelo PT"; foi cercado e insultado por estranhos e defendeu sua posição ideológica.

O cara é um patrimônio cultural do país, um senhor de mais de 70 anos de idade, é cercado e insultado por um bando de moleques fascistas e a mídia trata isto não só com normalidade, mas ainda tentando atribuir a ELE a falta de civilidade da situação à qual foi submetido.

Os veículos de comunicação brasileiros estão esperando alguém morrer graças ao clima de ódio que ajudam a criar. Aí, então, começarão a publicar matérias sobre "tolerância" pra se isentarem de culpa. (Não à toa, um colunista demitido de Veja publicou foto malhando e dizendo que se preparava para a "única forma de dialogar com petista", num estímulo irresponsável à violência e à agressão como forma de "debate".)

A verdade é que esses caras têm alma fascista. Não suportam mais a distância do poder e usam "corrupção" como um chavão que disfarça seu propósito real: o não à inclusão social.

Se a questão fosse mesmo "corrupção", não abraçariam Cunha como aliado. Protestariam também contra a privataria tucana, o aecioporto e a roubalheira no metrô de São Paulo.

Mas não, o panelaço é seletivo: Alckmin pode fechar 100 escolas; Haddad não pode abrir a Paulista. São milhões de Cunha; já Chico é um "merda".

Aplaudem Macri na Argentina, que indica ministro de Supremo por decreto, mas atacam o STF brasileiro por defender a Constituição numa interpretação que ganhou apoio de praticamente todos os juristas de relevo ao barrar os abusos do presidente da Câmara.

Acham absurdo o bolsa-família que ajuda o povo mais pobre a COMER, mas aplaudem que os ricos paguem impostos ridículos, significativamente menores do que o restante da população.

Querem uma desregulamentação completa do mercado e depois vêm colocar avatarzinho triste por Mariana.

Dizem que vivemos numa "ditadura petista" enquanto cercam um músico de 71 anos na rua para insultá-lo por se expressar como cidadão.

Saem pedindo impeachment no aniversário do AI-5 e se espantam quando são chamados de golpistas.

Acusam a esquerda de "burrice", mas usam "pão com mortadela" e "chola mais" como argumento.

Abraçam a bandeira brasileira e colocam "PATRIOTA!!!" na bio, mas são os primeiros a diminuir o país num viralatismo constante diante do mundo, além de adorarem falar mal do Cinema brasileiro - que conhecem só de ouvir falar.

Amam quando um comediante chama negro de "macaco", gays de "vitimistas" e mulheres de "vadias", mas dizem que os homens brancos cis heterossexuais sofrem preconceito.

Dizem que a esquerda prega "luta de classes", mas chamam esquerdistas de "pão com mortadela" e "esquerda caviar".

Adoram se dizer éticos, mas acham natural que o líder do MBL peça doações em sua conta pessoal.

Acham certo a PM espancar manifestantes (mesmo adolescentes), que chamam de "vagabundos", mas só conhecem a PM que tira selfie na Paulista.

Por isso tenho orgulho de ser de esquerda. De fazer críticas ao governo que se afastou dos movimentos sociais, mas de defendê-lo contra o golpe - pois, mesmo com todas as suas graves falhas, AINDA enxergo nele uma preocupação com os excluídos sociais que JAMAIS serão abraçados por esta oposição.

Uma oposição que prega que quem manda é o "deus mercado". Não, me desculpem, mas prefiro bem mais quem enxerga no desenvolvimentismo a opção mais humana.

Para encerrar - e com a maquiagem borrada pelas lágrimas - digo: "LEAVE CHICO ALONE!".

E viva o debate saudável.


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Ao espírito de Star Wars, um texto muito maniqueísta

Por Fernando Castilho





Como Anakin Skywalker, todos desejaram ser maiores do que eram.

Numa analogia com o mito cristão-judaico da criação, como Lúcifer, todos ousaram ser mais luminosos que o Criador.


Nestes tempos de Star Wars poderíamos pensar que todos aqueles figurões (jedis?) que um dia perfilaram nas fileiras do PT ou participaram de um governo federal do PT e que acabaram por sair rancorosos, indo para o outro lado (da Força?) transformaram-se em Darth Vaders por aí.

Dentro de um modo maniqueísta e fantasiosa de ver as coisas, já que não afirmo aqui que o PT seja o lado bom da Força (não a do Paulinho), ok?

Mas se a fantasia imita a vida, a vida também pode imitar a fantasia, não é certo?

Vejam só, Hélio Bicudo, Marta Suplicy, Marina Silva, Cristovam Buarque e, por que não citar também Michel Temer? Todos eles saíram rancorosos do PT ou do governo. A lista é enorme, (Heloísa Helena, Eduardo Jorge, etc.) mas vamos nos concentrar nestes que já está de bom tamanho.

O que une todos esses nomes tão diferentes, além do rancor comum a todos eles?

Ambição pelo poder. e inveja.

Como Anakin Skywalker, todos desejaram ser maiores do que eram.

Numa analogia com o mito cristão-judaico da criação, como Lúcifer, todos ousaram ser mais luminosos que o Criador.

Maniqueísmo demais? Vejamos.

O jedi Hélio Bicudo, vinha de uma luta feroz contra os sith que compunham o Esquadrão da Morte. Derrotou a todos, inclusive seu líder, o delegado Fleury, torturador na ditadura.

Após ganhar certa fama no PT, imaginou que poderia chantagear o presidente Lula e que este, em troca iria conceder-lhe mais poder dentro da sigla. Não conseguiu e saiu do PT, rancoroso.

Poderia chamar o PT de Conselho dos Jedi ou Lula de Mestre Yoda, mas não vamos ser piegas pois todos estão muito longe dos altos ideais daqueles cavaleiros. Procuro não ir longe demais na analogia com a franquia para que não fique chato demais.

Marta Suplicy fez uma boa gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, virou senadora e ministra mas não repetiu o mesmo êxito e a fama. Imaginou-se uma princesa Leia quando quis voltar a disputar o cargo mas perdeu para Fernando Haddad. Na impossibilidade de disputar a prefeitura em 2016 pelo PT, bandeou-se para o PMDB, sentando-se ao lado do trono de Cunha Vader. (concedam-me esta licença)

Marina Silva é outro caso de síndrome de princesa Leia.

Foi ministra do Meio-Ambiente. Não conseguiu muito êxito à frente do ministério em parte por um certo descaso de Lula que queria porque queria desenvolvimento rápido para o Brasil, o que acabou por se chocar contra as políticas ambientalistas. Mas também em grande parte pela sua falta de foco e de tomada de decisões, sua hesitação em vários momentos e uma certa visão ''poética'' em relação à um tema tão complexo.

Saiu do PT com uma grande dose de rancor e ciúmes da então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, a preferida de Lula. Disputou a presidência justamente com ela em 2010 e perdeu.

Novamente em 2014 mediu forças com Dilma, perdendo novamente no primeiro turno.

Não se fez de rogada e passou, aí sim, para o lado escuro da Força, Aécio Neves, no segundo turno.

Digo ''aí sim'' porque, mesmo que com visão maniqueísta, como queiram, considero que, por estar há um ano tentando derrubar uma presidente eleita democraticamente além de sabotando o governo, criando crise política destinada a aumentar a crise econômica que prejudicará mais aos pobres, Aécio Neves, hoje, é certamente o lado escuro da política.

Michel Temer, ao escrever uma carta endereçada a Dilma, demonstrou também todo seu rancor por deixar de ser o que nunca foi, protagonista no governo. Um imperador Palpatine bem menos talentoso em seu golpismo, vamos dizer.

E por fim, agora aparece Cristovam Buarque reclamando com o presidente de seu partido, o PDT, por estar sendo preterido como o candidato da legenda à presidência em favor de Ciro Gomes, recém-chegado.

Como se sua relativa antiguidade dentro do partido lhe conferisse a primazia automática de ser seu candidato. Um predestinado, em sua visão.

Cristovam Buarque foi ministro de Educação no primeiro governo Lula.

Em 2004, enquanto cumpria férias em Portugal, foi demitido do cargo por telefone pelo então presidente.

"Quero ministros para apresentar resultados, não para ficar com tese, com conversa'', teria dito Lula, já cansado de muita retórica e poucos resultados.

Buarque então saiu do PT, para variar, rancoroso e foi para o PDT.

Sua vaidade agora aflora novamente.

Precisamos unir o país.

Precisamos combater a crise e não aumentá-la.

Precisamos de menos vaidades e mais altruísmo.

Precisamos que essas figuras matreiras sejam excluídas pelos leitores, democraticamente, da vida política do país.

Precisamos que essa força desperte, enfim.



domingo, 20 de dezembro de 2015

E se Dilma...

Por Francisco Costa, no Pravda



Sempre me pergunto se o que está ruim não poderia estar pior.

Tanta gente com nome sujo no cartório, com processos nos tribunais, mas só a presidente que já foi xingada de tudo quanto foi nome, permanece incólume, sem nenhuma mancha em sua vida.

Vamos ao texto.



E se Dilma tivesse vendido uma estatal, avaliada em mais de 100 bilhões, por 3,6 bilhões, como FHC (PSDB) fez com a Cia Vale do Rio Doce?

E se Dilma tivesse construído dois aeroportos, com dinheiro público, em fazendas da família, como fez Aécio Neves (PSDB)?

E se Dilma estivesse na lista de Furnas, junto com FHC, Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves (todos do PSDB)... Entre outros?

E se Dilma estivesse sendo acusada de receber propinas da Petrobrás, como Aloysio Nunes (PSDB)?

E se Dilma estivesse sendo processada no STF, por ter recebido propinas da empreiteira OAS e por ter achacado o Detran do seu estado, em um milhão de reais, como Agripino Maia (Dem)?

E se Dilma tivesse sido denunciada como beneficiária do contraventor Cachoeirinha, além de estar sendo processada, por exploração de trabalho escravo, em sua fazenda, como Ronaldo Caiado (Dem)?

E se Dilma estivesse sendo investigada na Operação Zelotes, por ter sonegado 1,8 milhão de reais e corrompido funcionários públicos, para que essa dívida sumisse do sistema da Receita Federal, como Nardes (Conselheiro do TCU, ligado ao PSDB)?

E se Dilma tivesse sido manchete de capa no New York Times, por suspeição de narcotráfico internacional, o que gerasse diversas reportagens na televisão norte americana, e agentes do DEA, Departamento Anti Drogas, dos Estados Unidos, tivessem vindo ao Brasil, para investigá-la, e um helicóptero com quase meia tonelada de pasta de cocaína fosse apreendido em uma fazenda de amigo pessoal e sócio dela, em negócios não muito claros, como Aécio Neves (PSDB)?

E se a filha da Dilma fosse assessora do presidente da CPI da Petrobrás e lobista junto a Nardes, um conselheiro do TCU, e tivesse uma conta secreta no HSBC suíço, por onde passaram milhões de dólares, como Daniele Cunha, a filha de Eduardo Cunha (PMDB)?

E se Dilma tivesse sido presa em 2004, por fraude em licitação de grandes obras, no Amapá, e tivesse sido condenada por corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, como Flexa Ribeiro (PSDB)?

E se Dilma, quando prefeita de Salvador, tivesse sumido com 166 milhões das obras do Metrô, como Antônio Imbassahy (PSDB)?

E se a filha da Dilma tivesse tido um único emprego, de assessora da mãe, e a revista Forbes a tivesse colocado como detentora de um das maiores fortunas brasileiras, caso da filha do Serra (PSDB)?

E se Dilma tivesse 18 processos por corrupção, como José Serra (PSDB)?

E se Dilma tivesse 22 processos por corrupção, como Eduardo Cunha (PMDB)?

E se Dilma tivesse dado dois Habeas Corpus, em menos de 48 horas, a um banqueiro que lesou o sistema financeiro nacional, para que ele fugisse do país; se tivesse dado um Habeas Corpus a um médico que dopava a suas clientes e as estuprava (foram 37 as acusadoras), para que ele fugisse para o Líbano; se tivesse feito uso sistemático de aviões do senador cassado por corrupção, Demóstenes Torres (Dem); se tivesse votado contra a Lei da Ficha Limpa por entender que tornar inelegível um ladrão é uma "atitude nazi-fascista" (sic), tendo a família envolvida em grilagem de terras indígenas, como Gilmar Mendes, Ministro do STF?

E se Dilma colocasse sob sigilo, por 25 anos, as contabilidades da Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, como Geraldo Alckmin (PSDB) colocou as do Sistema Ferroviário paulista, das Sabesp e da Polícia Militar, após se iniciarem investigações da Polícia Federal, apontando desvios de muitos milhões?

E se Dilma tivesse sido governadora e como tal, cassada, por conta de compra de votos na campanha eleitoral, corrupção e caixa dois, como Cássio Cunha Lima (PSDB)?

E se Dilma, em sociedade com Mário Covas (PSDB) tivesse comprado uma enorme fazenda no município mineiro de Buritis, em pleno mandato, e recebesse de presente de uma empreiteira um aeroporto, construído gratuitamente, constatando-se depois que foi essa empreiteira a que mais ganhou licitações no governo FHC (PSDB), sócio de Covas?

E se Dilma declarasse à Receita Federal e ao TRE ter um patrimônio de 1,5 milhão e a sua filha entrasse na justiça, reclamando os seus direitos sobre 16 milhões, só parte do seu patrimônio, como aconteceu com Álvaro Dias (PSDB)?

E se Dilma estivesse sendo acusada de ter recebido 250 mil de uma empreiteira, na Operação Lava Jato, como Carlos Sampaio (PSDB)?

E se Dilma tivesse comprado um apartamento no bairro mais nobre de Paris e se, dividindo-se o valor do imóvel pelos seus rendimentos, se constatasse que ela teria que ter presidido este país por quase trezentos anos para tê-lo comprado, caso de FHC (PSDB)?

E se Dilma fosse proprietária da maior rede de televisão do país, devendo quase um bilhão de impostos e mais dois bilhões no sistema financeiro, e tivesse o compromisso de proteger corruptos e derrubar a presidente, em troca do perdão da dívida com o fisco e financiamento do BNDES, para quitar as dívidas da empresa, como no passado, caso dos irmãos Marinho, proprietários da Rede Globo de Televisão?

E se Dilma tivesse sido denunciada seis vezes, por seis delatores diferentes, na operação Lava Jato e fossem encontradas quatro contas suas, secretas, na Suíça, alimentadas por 23 outras contas, em paraísos fiscais, e o dinheiro tivesse sido bloqueado pelo Ministério público suíço, por entendê-lo fruto de fonte escusa, e tivesse mandado toda a documentação para o Brasil, com a assinatura dela, como aconteceu com Eduardo Cunha (PMDB)?

Certamente Dilma, investigada noite e dia, em todas as instâncias, sem um indiciamento, sem sequer evidências de crimes, "uma mulher honrada", no dizer do promotor da Lava Jato e de um dos advogados dos réus, não estaria com os citados pedindo o seu impeachment.

O seu crime? Chegou o dia de pagar os carentes do Bolsa família e o tesouro não tinha dinheiro. A Caixa Econômica Federal pagou e recebeu três dias depois. Isto é "pedalada" e por isso todos os citados acima a querem fora do governo.

Por que é desonesta ou por que é um risco para os desonestos?

Para apressar a tramitação dos processos em curso ou para arquivá-los?


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Não é por corrupção. O buraco é mais em cima

Por Fernando Castilho



Ao ver alguns vídeos das manifestações a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chamou-me a atenção a agressividade das pessoas além de um discurso que quase passou desapercebido. Elas agora não falam em corrupção. Falam em derrubar a presidente que está acabando com o país. E não falam de Cunha. Quem insufla esses golpistas e os fazem adotar esse comportamento insano e ridículo?



Neste clima que vivemos de quase Fla-Flu, num dia, manifestação pró-impeachment com 30 mil pessoas na Av. Paulista, noutro, 55 mil contra impeachment, pensar mais acima torna-se um exercício bastante complicado.

Vamos lá.

Não é devido à corrupção que Dilma pode ter cometido, que querem derrubá-la. Até o papagaio do Aécio sabe que ela é pessoa honesta. As pedaladas fiscais não constituem desrespeito à Lei de Responsabilidade Social e ponto.

Há dois motivos principais para derrubarem Dilma:

1) motivo doméstico, prosaico, simples. Caindo a presidente, assume Temer ou qualquer
Veja o que fez o Macri na Argentina logo após vencer as eleições: a escolha de juízes para o Supremo de lá será por decreto presidencial..

Além disso é fundamental para a oposição, principalmente, que o financiamento privado de campanhas volte, afinal, eles precisam de dinheiro para vencerem eleições, já que não têm militância para ir às ruas.

2) motivo de amplitude mundial, complexo. Caindo a presidente e assumindo qualquer outro, o sistema de partilha da exploração do pré-sal também será derrubado. Assim, as grandes petrolíferas americanas que não se beneficiaram até agora, poderão fazer a festa. E é o senador José Serra que vem trabalhando com aplicação para que a Chevron seja a grande beneficiada.

Não sejamos ingênuos de acreditar que as pessoas saíram às ruas dia 13 contra a corrupção. Se assim fosse, haveria faixas pedindo a cassação de Eduardo Cunha também.

Mas se não foi contra a corrupção, foi por qual motivo?

Basta assistir a qualquer vídeo feito no ato. Perceba que quase todo mundo fala que Dilma e o PT querem acabar com o Brasil. Bastante vago, não? Não sabem nem bem qual é o motivo?

A crise, talvez?

Mas se Dilma é uma péssima governante, por que seu primeiro mandato foi exitoso?
Dirão: ora, porque a situação internacional era boa. Não, não era boa. A crise internacional começou em 2008, na metade de seu governo.

Agora que Dilma recebe a pecha de má governante, não admitem que há uma crise internacional que puxa o Brasil para seu foco.

Então, o que há com essas pessoas?

Durante 13 anos a mídia brasileira martela todos os dias ''notícias' e ''fatos'' contra políticos do PT, Dilma e, mais recentemente abriu fogo contra Lula, já que ele é virtual candidato para 2018.

Se alguém é preso, é amigo de Lula. Os filhos de Lula vivem sendo presos, uma nora de Lula faturou grana de empreiteira, etc., etc.. Depois desmentem as notícias em notas pequenas que ninguém lê.

Por que a mídia faz isso? Porque não gosta do PT ou dos olhos do Lula?

Não. A mídia brasileira está arrebentada, quase falida. E não há a mínima possibilidade deste governo socorrê-la. Quem o fará? Bingo!

A mídia tem sido a grande responsável em insuflar o golpe.

Além da mídia, grupos como o MBL (Movimento Brasil Livre), financiado pelos irmãos norte-americanos, Koch, que têm grande interesse no pré-sal e o Vem pra Rua, financiado por Paulo Lemann movimentam milhões de pessoas nas redes sociais.

Outro grupo com grande número de internautas é o Revoltados Online, mas este quer mesmo viver de doações e vender camisetas e kits pró-impeachment, adotando uma metodologia de ganhar dinheiro adaptada das igrejas evangélicas.

Portanto, as pessoas que bradam pelo golpe são em geral manipuladas para o fim inconfessável de fazer o poder voltar às mãos daqueles que sempre procuraram vender o Brasil aos americanos a preços módicos e faturar altas comissões.

Não se trata de teoria da conspiração e nem de uma visão simplista das coisas.

Basta acompanhar o que vem acontecendo nos países da América Latina onde governos progressistas se instalaram. O mesmo clima de revoltas também vêm acontecendo em países do leste europeu e do oriente médio. É sempre o mesmo modus operandi.

Mas o golpe no Brasil não prosperará.

Haveremos de superar esta má fase e voltar a crescer economicamente.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ô Cunha, conta pra mim, vai.

Por Fernando Castilho




Ô Cunha, conta pra mim, vai. Ao pé do ouvido, baixinho, usando a palma da mão para encobrir qualquer possível leitura labial, aquele seu jeito de ser.

Você marcou uma touca tremenda, né véi?

Ganhou muito dinheiro de lobistas dos planos de saúde, para por fim no SUS. Da Globo e de operadoras de telefonia, para que o Marco Civil da Internet não fosse aprovado. Das empresas de terceirização, para passar o projeto de terceirização. Das empresas de segurança para que a maioridade penal baixasse para 16 anos obrigando a construção muitos presídios privados,etc..

Véi, cê faturou uma grana preta! Cê é um trator, malandro!

Mas você não se contentou só com essa grana. Quis mais. Quis grana da Petrobras! Cê tá louco, mano!

E não quis só grana, quis poder também.

Quis ser o presidente da Câmara.

E aí tá seu erro. O poder te deu muita visibilidade.

Achou que mais poder, mais grana, cara!

Cê tava garantido, véi. Ficasse quietinho na moita faturando com seus  lobbys e estaria de boa até agora. E mais rico ainda.

Mas maldito poder que fica fazendo cosquinha, né?

Agora a coisa vai ficando preta.

Lógico que você tratou também de se garantir, né não?

O Janot demorou 3 meses pra dar busca e apreensão em suas casas. Por acaso ele ligou pra você pra perguntar se já podia mandar a PF?

E você, limpou tudo? Se não limpou, tá marcando...

Mas, e o lance do celular, hein?

Esse eu vejo pelas fotos que você não desgruda. Tem alguma coisa nele?

E o táxi, hein? Que furo véi, na boa. Você que é tão esperto, deu uma de amador?

Agora me conta, cara, qual é o lance com o Paulinho, hein?

Ele te protege como cão de guarda mas não é pelos seus lindos olhos, né?

É chantagem? Cê tem ele na manga? Ele depende de você pra se safar da condenação?

E a sua tropa de choque? O que ganha em troca?

Outra coisa: Cunha, você tem alguma coisa com o STF? Me diga, não me deixe ansioso!

Por que até agora não mandaram te prender? Não tem motivo de sobra?

Será por causa do Gilmar? Pelo que sei, tem muito ministro com medo dele. Ele fala à vontade e ninguém o contesta.

O que o Gilmar tem guardado que mete tanto medo nos colegas? Cê tá com o Gilmar?

Véi, esperto como você é, não deve ter grana só na Suíça, certo?

Então, por que você não segue aquele roteiro do Delcídio e se manda?

Ah, tem cartas guardadas ainda, né? Contra quem?

Quem você entrega caso seja cassado ou tenha que renunciar?

O senador com fixação por aviões e aeroportos? Tem mais gente?

Hoje é 16 de dezembro, Cunha.

É o dia em que milhares de democratas saírão às ruas no Brasil inteiro protestando contra o golpe e contra a corrupção. Claro que contra você também. Afinal, não somos milhões de Cunhas.

Você sabe, não haverá golpe e a democracia continuará a ser aperfeiçoada no Brasil.


Cunha, se manda. Fora!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O dia do tudo 13. Zagallo tem razão?

Por Fernando Castilho




A micareta acabou.

Programada para acontecer no dia 13 às 13 horas, referência ao número do PT, também lembrou, intencionalmente ou não, o triste dia 13 de dezembro de 1968, data do famigerado Ato Institucional número 5, acabando por gorar em todo o país.

Rapidamente analisando os motivos, podemos elencar entre outros, justamente o AI-5. Acho houve pessoas que não quiseram ter seu nome associado a esse dia.

Além disso, já deve estar claro pra muita gente que se deixou enganar ingenuamente pela mídia, pelos revoltadões online e Kataguiris da vida, de que o que essa gente quer realmente não é o fim da corrupção, mas tão somente o golpe para derrubar a presidente de um partido que promoveu os pobres.

Pessoas também já devem ter enfim percebido que Dilma é honesta, enquanto o presidente da Câmara, Eduardo Cunha é bandido e Aécio Neves seu aliado em promover o golpe.

Os estudantes secundaristas de São Paulo acabaram também por demonstrar que nem toda a injustiça será tolerada e que haverá forte resistência em caso de golpe.

E agora, o que fazer?

Primeiramente as manifestações contrárias ao golpe e em defesa da democracia que acontecerão em 16 de dezembro têm que ser muito, mas muito mais grandiosa e eloquente que a de domingo.

Estabelecida a supremacia dos democratas (não aquele partideco antidemocrático), as coisas mudarão de figura.

Dilma ganhará uma força e energia que não teve até agora para governar.

Se o Supremo ainda hesitava, será a oportunidade de ouro para enfim mandar prender Eduardo Cunha.

Na esteira, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot poderá enviar ao STF pedido de abertura de investigações sobre Aécio Neves, citado pelo delator Alberto Youssef como beneficiário de propinas de Furnas e Aloysio Nunes e Álvaro Dias citados pelo delator Paulo Roberto Costa na corrupção da Petrobras.

Michel Temer voltará alegremente a gozar de seu não-protagonismo enquanto vice-presidente e enfim haverá fôlego para o governo tratar do que realmente interessa à população brasileira: a crise econômica.

Esse dia 13 foi realmente carregado de simbologia.

À um só tempo, o AI-5 e os fascistas que querem fazer voltar o passado perderam.

Parece que o número 13 é forte mesmo, como dizia Zagallo.


domingo, 13 de dezembro de 2015

As mil e uma máscaras de FHC

Por Fernando Castilho

Charge: Aroeira

Não ia mais escrever sobre Fernando Henrique Cardoso. É sério.

Considerava o assunto esgotado até porque já havia revelado inúmeras falcatruas dele neste texto: FHC, o intelectual das maracutaias

O que me motivou a escrever mais uma vez sobre o ex-presidente, foi o fato de ser surpreendido por uma convocação que ele fez em sua página no Facebook.

FHC quer que o povo vá às ruas neste domingo, dia 13, dia de aniversário do tão malfadado AI-5, para exigir o impeachment de Dilma Rousseff. Data cheia de simbolismo.

FHC já por várias vezes se manifestou afirmando que a presidente é pessoa de moral ilibada e que não crê que ela esteja envolvida em crime nenhum. Ok.

Porém, numa interpretação bizarra do que diz a Constituição sobre o assunto, ele acha que sim, o povo tem o direito de tirar a presidente somente por não gostar dela.

E diz que não é golpe...

Meu caro, eu diria, nem que 54,5 milhões de pessoas (o número de votos que Dilma conseguiu no último pleito) saíssem às ruas exigindo sua derrubada, isso seria legítimo.
Sem crime não há impeachment.

Dirão: mas e as pedaladas fiscais?

Mais de uma centena de juristas do mais alto grau de reputação e conhecimento das leis já afirmaram que a Lei de Responsabilidade Fiscal não foi ferida, portanto, não há crime.

Então, o que pretende FHC?

Seu nome foi citado por Delcídio do Amaral, que se encontra preso. Delcídio era nome forte na Petrobras justamente no tempo em que FHC era presidente. A corrupção já existia em seu governo e ele nada fez para coibi-la.

Ou seja, FHC sabia.

Agora, quanto mais rápido Dilma for defenestrada do Planalto, mais chances ele tem de que a Lava Jato pare, a Procuradoria Geral da República engavete tudo e a Polícia Federal, perdendo sua autonomia, cesse com as investigações.

FHC agora está na mesma trincheira de luta de Eduardo Cunha.

O filósofo francês, Montaigne disse que todo homem ao nascer vai colocando uma máscara. Depois outra e mais tarde outra e outra. Alguns mais, alguns menos.

Sempre quando se vê diante da possibilidade de ganhar algo, de conseguir posto mais alto, de galgar mais notoriedade, fama ou poder, o homem não titubeia em vestir uma máscara para alcançar seu intuito.

FHC já vestiu uma infinidade de máscaras como podemos ver no texto ''FHC, o intelectual das maracutaias.

Batalhou pelas ''Diretas Já'' somente para que houvesse eleições que pudesse vencer, apossou-se da autoria da Teoria da Dependência, de Ruy Mauro Marini, autoproclamou-se autor do Plano Real, no que se viu desmentido pelo ex-presidente Itamar Franco, comprou sua reeleição à presidência, privatizou a preço de banana a Vale do Rio Doce e outras estatais e como se não bastasse, ainda escreveu um livro, ''A Soma e o Resto'', plagiando o título do livro de Henri Lefevbre, ''La Somme et le Reste''.

Voltando a Montaigne, o filósofo diz que à medida que o homem vai se aproximando da hora de sua morte, uma a uma as máscaras vão sendo retiradas até que pouco antes do último suspiro reste-lhe somente a face verdadeira. E esta pode ser horrível.

Nessa hora, não há mais nada por que lutar. Não há mais nada a ganhar, já que não poderá levar nada para o túmulo.

Então, o homem não precisa se mostrar diferente do que ele é a ninguém. Ele é verdadeiro.

Há um exemplo pop muito interessante, na figura do vilão Darth Vader de Guerra nas Estrelas.

No final do terceiro episódio, Vader luta com seu filho, Lucky e é derrotado.

Já à beira da morte, quando nada mais lhe resta, retira o elmo (máscara) que lhe garantira a sobrevivência por grande parte sua vida e confessa ao filho que nunca deixou de amá-lo.

Nessa hora Vader é verdadeiro.

Mas o que isso tem a ver com FHC?

Tudo.

Fernando Henrique está com 84 anos de idade.

Se a expectativa de vida dos brasileiros está em 75,2 anos, pode-se dizer que FHC já deveria estar considerando a hipótese de começar a retirar uma a uma suas máscaras.

Mas não.

Ao investir no golpe para tentar vaidosamente manter incólume, pelo menos para a maioria dos brasileiros, a versão oficial de sua biografia (não a que expus aqui, mas sim a alardeada pela grande mídia), contribui para jogar o Brasil definitivamente na maior crise econômica, política, social e institucional desde 1964.

Pelo visto, FHC tem a intenção de contrariar Montaigne ao não retirar nenhuma máscara antes de dar seu último suspiro.