sábado, 15 de julho de 2017

Falhamos com Lula?

Por Fernando Castilho



Foto: Ricardo Stuckert


Será que o partido confiou que as leis iriam prevalecer e Lula não poderia ser condenado porque o tríplex simplesmente não é dele? Agora ainda acredita que no TRF-4 os desembargadores enfim farão Justiça?



Escrever influenciado pela indignação e pela revolta não costuma render bons textos e não é salutar, por isso aguardei um pouco até manifestar minha opinião sobre a condenação do ex-presidente Lula.

Mesmo assim, a crítica vai pra todos os lados, vamos combinar.

Em primeiro lugar, não há como não execrar a conduta de um magistrado de primeira instância, inflado pela mídia e vaidoso por natureza, cuja única missão na Lava Jato, conferida pelo imperialismo americano, acaba de ser cumprida.

A sentença que condenou Lula é algo indigno de um juiz. Uma torpeza sem igual.

Durante a maior parte de seu arrazoado de 238 páginas, Moro tratou de tentar se defender de críticas, algo impensado e inédito para uma sentença.

Quem acompanhou na íntegra o depoimento de Lula (4 horas e meia) percebeu que em nenhum momento Moro acatou qualquer intervenção do advogado Dr. Zanin, o que certamente constitui completo cerceamento da defesa. Tudo já estava decidido desde que a Operação Lava Jato começou.

A sentença totalmente previsível condena Lula a 9 anos de prisão. Poderiam ser 8 ou 10 anos, mas Moro preferiu usar o número 9 em alusão aos 9 dedos do ex-presidente, já que ele mesmo se refere a Lula pela alcunha de “nine”. Um sarrinho, portanto que deve ter lhe rendido algumas boas risadas enquanto redigia o texto.

Moro extrapola suas funções ao tornar Lula inelegível por 19 anos. Além de praticamente decretar o fim político do ex-presidente, esse juiz não tem atribuição para negar a quem quer que seja o direito de se candidatar a um cargo eletivo. Lula somente se tornará inelegível caso seja condenado antes das eleições. Interessante que o presidente do TRF-4 que vai julgar o recurso de Lula já se apressou em garantir que o veredito sairá antes de agosto do ano que vem, que é o prazo final para inscrição das candidaturas.

Tenhamos certeza, Lula será condenado em segunda instância e se tornará inelegível se cruzarmos os braços.

Ainda sobre Moro, é inconcebível que um juiz, ao receber as alegações finais da acusação (MPF) que diziam claramente não haver provas contra Lula mas somente convicção de sua culpa, não tenha simplesmente arquivado o caso. Qualquer um arquivaria.

Outra crítica vai à mídia que comemorou a sentença. Quem assistiu ao Jornal Nacional certamente viu Bonner abrir a edição dizendo quase rindo: “Nunca antes na história do país um presidente foi condenado por corrupção!” O início da frase é um bordão amplamente usado por Lula. Outro sarrinho, portanto.

Em nenhum momento os colunistas dos jornais fizeram qualquer questionamento, muito menos alguma crítica à decisão de Moro, mesmo esta sendo explicitamente injusta. Pelo contrário, os jornais entrevistaram juristas de direita para justificarem a sentença de Moro.
Esses mesmos colunistas jamais manifestaram qualquer indignação ou crítica ao fato de Aécio Neves, Rocha Loures e Geddel Vieira Lima estarem soltinhos da silva.

Também não se importaram em ver a corrupção escancarada ao vivo e em cores da compra de votos dos deputados feita por Michel Temer para se livrar da aceitação do relatório de Sérgio Sveiter na CCJ que recomendava abertura de investigações pelo STF.
Aliás, a condenação de Lula, decidida já há 3 anos, ocorreu ao mesmo tempo que a aprovação da reforma trabalhista, a vitória de Temer na CCJ, a volta de Aécio ao Senado e a soltura de Loures e Geddel.

Maquiavel dizia que as medidas duras contra o povo deveriam acontecer todas ao mesmo tempo e as boas em conta-gotas. Moro aproveitou bem o timing.

Também não há como não criticar a postura da esquerda que, enquanto não saia a decisão de Moro já tratava de buscar uma alternativa a Lula em 2018. Além do enorme desrespeito, parece que virou uma briga pra ver quem consegue ficar com o osso.

Só queria saber se o PSOL acha mesmo que Luciana Genro é capaz de vencer as eleições de 2018.

Sobre Ciro Gomes e Marina Silva, é necessário lembrar que, embora dissimulem, ambos são candidatos de direita, vamos combinar.

Além disso, li artigos de juristas de esquerda aplaudindo a decisão do ministro do STF, Marco Aurélio Mello de reconduzir Aécio Neves a senado e libertar sua irmã.

Eles também aplaudiram Edson Fachin por ter libertado Loures.

E sobre o Geddel, afirmaram que ele não deveria ter sido exposto na TV com a cabeça raspada por ser humilhante.

A esquerda se preocupou mais com as Diretas Já (e eu fui um dos críticos a isso) do que com a defesa de Lula. Era por Lula que deveríamos ter saído às ruas pois não há alternativa a ele em 2018.

E o PT?

Bem, aí já é um problema crônico, antigo.

Durante as gestões de Lula e Dilma, o PT esqueceu-se das bases.

O partido confiou que Dilma não seria enxotada da presidência por causa de um hipotético Estado de Direito que se revelou não existir mais em nosso país.

O ministro Lewandowski do STF, que tinha a missão de salvaguardar a Constituição, mostrou-se um vendido na decisão que o senado tomou de retirar Dilma à força, sem ter cometido crime algum. Estado de Direito uma ova!

O partido ainda confiou que as leis iriam prevalecer e Lula não poderia ser condenado porque o tríplex simplesmente não é dele. Agora ainda acredita que no TRF-4 os desembargadores enfim farão Justiça. Vive um conto da carochinha. Por isso não reage.

Por fim, crítica a mim também.

Por várias vezes afirmei neste blog que se Dilma fosse derrubada, haveria convulsão social no país. Não houve.

Por várias vezes afirmei que se a reforma trabalhista fosse para a Câmara, haveria convulsão social no país. Também não houve.

Por várias vezes afirmei que se Lula fosse condenado haveria convulsão social no país.

Parece que afinal somos frouxos e vamos deixar rolar a injustiça diante de nossos olhos sem reação.

Lula afirmou: Quem tem direito de decretar meu fim é só o povo brasileiro”. 

Ele espera que não o deixemos sozinho.

Desculpem a acidez.


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Pra onde vai o brasileiro?

Por Fernando Castilho



Imagem: Internet


Que tal se fosse feita aos brasileiros a seguinte pergunta: Você é a favor da reforma trabalhista?

Ou esta: Você é a favor da reforma da previdência?


No dia 3 de julho último o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa de opinião acerca de uma série de temas comportamentais e econômicos visando aferir a atual tendência dos brasileiros dentro do espectro político, notadamente se se situam mais à direita ou mais à esquerda.

Segundo a enquete, as pessoas que se definem como sendo de direita ou centro-direita totalizam 40% e as que se dizem de esquerda ou centro-esquerda somam 41%. Os restantes 19% são de centro.

Segundo o próprio instituto, para chegar a essa classificação os brasileiros foram consultados sobre uma série de questões envolvendo valores sociais, políticos, culturais e econômicos, mais ou menos como aqueles teste que de vez em quando o Facebook nos propõem para pura diversão.

De acordo com o Datafolha, posições contrárias ou a favor de homofobia, porte de armas, aborto, criminalização do uso de drogas, neoliberalismo ou crença em Deus, definem a orientação ideológica das pessoas.

Os dados de semelhante pesquisa feita em 08 de setembro de 2014, pouco antes da vitória apertada de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais daquele ano e um ano depois das manifestações de junho de 2013, revelou dados diferentes.

Segundo o Datafolha, em 2014 as pessoas que se definiram como sendo de direita e centro-direita totalizavam 55% e as que se diziam de esquerda ou centro-esquerda representavam somente 25% dos brasileiros.

Percebe-se que naquela época, embora Dilma tenha vencido as eleições, o ponteiro do espectro ideológico se situava bem mais à direita, fruto do descontentamento com o governo do PT.

Mas o que mudou na opinião do brasileiro de lá para cá que seja capaz de explicar essa divisão meio a meio atual?

Primeiramente deve ser a percepção de que uma presidenta foi impedida de continuar governando devido a acusações tênues e sem comprovação de corrupção.

Segundo, que justamente os políticos que a defenestração são os mesmos que agora ocupam o poder e que estão envolvidos em graves denúncias.

O relator da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados acabou de defender que a denúncia de ilícitos cometidos pelo presidente Michel Temer seja encaminhada ao Supremo Tribunal Federal para que lá seja julgado, justamente o vice que assumiu o lugar de Dilma.

Mas, ainda assim, como explicar o empate técnico entre direita e esquerda atualmente, se as denúncias contra o governo são tão graves?

O Datafolha não divulgou o questionário apresentado na pesquisa por isso não podemos ter certeza sobre todos os itens perguntados às pessoas.

Mas, que tal se fosse feita a seguinte pergunta: Você é a favor da reforma trabalhista?
Ou esta: Você é a favor da reforma da previdência?

Poderia ser feita mais uma: Você é a favor do congelamento dos investimentos em saúde e educação por 20 anos?

Ora, o brasileiro, sabe-se, é por demais influenciado pela mídia, porém, nestes casos elencados acima, a grande maioria vai se posicionar contrariamente. E é cristalino que desta forma essa maioria seria classificada como sendo de esquerda porque essas propostas, aplaudidas pelos empresários, não são boas para o povo mais pobre.

Já ouvi muito brasileiro pobre se dizer a favor do estado mínimo e das privatizações, influenciado diretamente pela mídia, mas pergunte a qualquer pessoa se ela quer saúde e educação privadas.

Se as pessoas preferem saúde e educação públicas, ou seja, garantidas pelo Estado, certamente elas se enquadram mais à esquerda.

Portanto, há que se desconfiar e muito desses dados do Datafolha.
Provavelmente o número de esquerdistas hoje supera em muito o de direitistas.

Embora não compreenda o que significa luta de classes (até porque são proibidos de ter conhecimento sobre o tema), o povo tem percepção de quem quer lhe ajudar ou prejudicar.

E é lógico que a Folha de São Paulo, representante da elite, não vai demonstrar isso em números.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lava Jato - Crônica de uma morte anunciada

Por Fernando Castilho

Imagem: Internet


Os procuradores da Força Tarefa, entre eles Dallagnol e Carlos Santos, que durante a campanha para as eleições presidenciais postavam impropérios a Dilma e elogiavam Aécio nas redes sociais, agora se dizem indignados. Será que só eles não perceberam o que estava por vir? Não teria sido interessante acompanhar um pouco os blogs de esquerda, inclusive este, que já alertava para o desmanche? Como assim, foram pegos de surpresa? Afinal, Lula não era o chefe, segundo o PowerPoint?


A foto acima já diz tudo, não?

Quem assistiu ao Jornal Nacional ontem talvez tenha percebido que William Bonner e Vasconcellos que sempre se superam como bons atores ao noticiar qualquer coisa que possa comprometer a dignidade do ex-presidente Lula, levantando ou abaixando as sobrancelhas, contorcendo os lábios e alterando o tom de voz, noticiaram o desmanche da Operação Lava Jato como se fosse um fato corriqueiro que não causasse nenhum tipo de comoção.

E talvez seja mesmo.

Há mais de um ano atrás, o senador Romero Jucá foi flagrado em gravação de áudio feita pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, onde afirmava, entre outras coisas, que era preciso uma resposta política para evitar que investigações caíssem na mão do juiz Sérgio Moro.

Em suas próprias palavras: “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria .”

Estava claro que a quadrilha que se instalou no governo e no Congresso depois do golpe contra Dilma, precisava parar a Lava Jato antes que ela atingisse os golpistas.

O juiz Moro já tinha incriminado vários deputados do PP, prendera José Dirceu sem que tivesse qualquer culpa comprovada, prendera João Vaccari baseado somente em delações sem comprovação e estava na cola de Lulas, tentando condená-lo pela posse de um apartamento triplex que nunca foi seu.

Se parasse por aí, tudo bem, mas a operação haveria de chegar à verdadeira quadrilha cujo chefe, sem sombra de dúvidas, é Temer. Aécio é o segundo.

Quando Temer nomeou o juiz Torquato Júnior para ministro da Justiça, já estava claro que sua primeira missão seria enfraquecer a Polícia Federal.

Há alguns meses atrás, grupos simpáticos à direita saíram às ruas para defender a Lava Jato. Estranhamente ninguém se revoltou com o desmanche que agora acontece.

Os procuradores da Força Tarefa, entre eles Dallagnol e Carlos Santos, que durante a campanha para as eleições presidenciais postavam impropérios a Dilma e elogiavam Aécio nas redes sociais, agora se dizem indignados. Será que só eles não perceberam o que estava por vir? Não teria sido interessante acompanhar um pouco os blogs de esquerda, inclusive este, que já alertava para o desmanche? Como assim, foram pegos de surpresa? Afinal, Lula não era o chefe, segundo o PowerPoint?

O fato é que esses procuradores, a PF e também Moro, foram usados durante estes três anos de Lava Jato.

A quadrilha aproveitou-se do fato de que a direita conseguiu introduzir muitos quadros nesses órgãos enquanto o PT cochilava e esqueceu-se de formar quadros tanto nos movimentos sociais quanto nos vários escalões de governo.

Esses quadros já serviram ao propósito de derrubar Dilma e o PT do governo e propiciar a volta da direita ao poder. Agora já não importam mais. Jucá tinha avisado mas eles não acreditaram.

Resta agora saber qual será a reação de Sérgio Moro.

Eu, no lugar dele, olharia no espelho e diria: “otário!”

Mas como Moro tem uma missão que lhe foi dada pelo governo americano, a quem na verdade serve, prosseguirá em seu objetivo.

A Lava Jato, a operação menina dos olhos de 10 entre 10 coxinhas, que nasceu com o firme propósito de acabar com a corrupção no país, mas que na prática só serviu para punir injustamente petistas e destruir empresas nacionais, vai dar agora seu último suspiro. Seremos mais uma vez motivo de chacota no mundo inteiro.

Se as pessoas que saíram de verde amarelo e bateram panelas já não se importam com nada, resta saber qual será o comportamento da esquerda neste momento.

sábado, 24 de junho de 2017

FHC X Doria, a briga dos fakes

Por Fernando Castilho


Imagem: internet


Briga entre tucanos fakes esquenta em São Paulo. Mas será isso também mais um fake?


FHC X Dória, a briga dos fakes

Em palestra em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o prefeito de São Paulo, João Dória, afirmando que este sabe muito bem manipular (tirando o celular do bolso) isto.

O que ele quis dizer? Ora, que Dória usa a comunicação para tentar parecer o que não é aos olhos da população de São Paulo. Ou seja, o gestor é puro marketing e mais nada. É apenas um out-door ambulante de si mesmo.

Dória rebateu dizendo que FHC precisa visitar mais São Paulo. Não sei se foi uma indireta ao ex-presidente que costuma ir muito a Paris onde possui um apartamento na Avenida Foch, no edifício mais caro e chique da cidade luz.

O fato é que os tucanos estão se bicando. E não é de hoje.

FHC tem história na esquerda, sobressaindo-se como um dos mais importantes intelectuais de sua época. Depois, quando assumiu a presidência, pediu que esquecêssemos tudo o que escreveu e passou a vender o Brasil numa onda de privatizações que prejudicou enormemente o país.

Recentemente FHC se reafirmou como sendo de esquerda. Apenas um fake porque sendo de esquerda não poderia ser neo-liberal, convenhamos.

O ex-presidente é conhecido nos meios intelectuais por ter se apoderado da Teoria da Dependência de Ruy Mauro Marini. Além disso se autoproclamou autor do plano Real.

Doria, por sua vez, nas redes sociais é referido como prefake, ou seja, um falso prefeito porque não cria, não inova, não administra, não equaciona nem resolve problemas da cidade. Somente faz marketing pessoal de si mesmo, talvez visando galgar postos mais altos no futuro. A impressão que dá é que iniciou campanha eleitoral já no dia 1o de janeiro de 2016.

Mas se FHC e Dória são fakes, seu próprio partido também não deixa de ser.

O PSDB, que se originou de uma dissidência de esquerda dentro do MDB, adotou o nome de Partido da Social Democracia Brasileira, ou seja, se deslocou do centro para a esquerda, configurando-se como centro-esquerda.

Mas ao se deixar converter ao neoliberalismo, os tucanos se posicionam já há algum tempo à direita, portanto, o nome “Social” agora não tem mais nada a ver com o partido que defende a reforma trabalhista que prejudicará enormemente os trabalhadores e a reforma da previdência que porá fim à aposentadoria de grande parte dos brasileiros.

Então, nada mais lógico do que termos dois políticos fakes protegidos pelas asas de um partido também fake.

Portanto, eles não deveriam brigar, deveriam se congratular.


Ou essa briga também é fake?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Temer morreu mas se esqueceu de deitar

Por Fernando Castilho



Imagem: foto Folha



Qual o futuro de um presidente golpista e traidor?
Não poderia ser outro senão o desprestígio e o desprezo.

Que horas ele cai?


Terça, 20, o governo golpista de Michel Temer sofreu derrotas seguidas que indicam sem sombra de dúvida que está prestes a cair. Como se diz na linguagem popular, morreu mas se esqueceu de deitar.

Em sua viagem à Rússia (que na agenda presidencial contava como República Socialista Federativa Soviética da Rússia), Temer sequer foi recepcionado pelo presidente Putin, sendo recebido por um funcionário de segundo escalão, fato impensável numa diplomacia e que demonstra seu enorme desprestígio junto aos principais líderes mundiais.

Hoje vejo pelo noticiário que o golpista não foi recebido por ninguém na Noruega. Será que a diplomacia brasileira não previu isso ou simplesmente colocou temer numa posição vergonhosa para empurrá-lo de vez pro abismo?

A Rede Globo divulgou que o presidente teve cheques da OAS e da JBS depositados em sua conta corrente, tamanha era sua certeza de impunidade.
Mas o que mais impressionou ontem foi a derrota da Reforma Trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais, a CAS pelo placar de 10 a 9.

Vale aqui destacar alguns pontos importantes.

O Senador Ronaldo Caiado (DEM – GO), apoiador das reformas não compareceu à sessão, o que pode indicar que preferiu não entrar em dividida com o governo.
Já o voto do Senador Eduardo Amorim (PSDB – SE), contrário à reforma, demonstrou que os tucanos estão realmente divididos e que podem debandar do governo a qualquer momento.

Interessantes foram os votos dos peemedebistas Renan Calheiros (PMDB – AL) e Hélio José (PMDB – DF) que também votaram contra.

O primeiro já vinha dando mostras da disposição de trair Temer devido ao receio de perder bases eleitorais em seu estado. Além disso, seu filho será candidato à reeleição para governador em 2018.

O segundo foi voto de minerva e surpreendeu o plenário por isso.

Há que se destacar o discurso de Gleisi Hoffman que demonstrou a enorme incoerência de Marta Suplicy que tem um histórico de defesa das mulheres mas que, ao apoiar o projeto demonstra que se esqueceu das causas pelas quais sempre lutou no passado.

Interessante também foi a inversão de papéis entre a ruralista Kátia Abreu que teoricamente deveria defender as reformas e Marta Suplicy que deveria, também teoricamente, ser contrária. As duas chegaram a bater boca defendendo suas novas posições.

Temer afirma que vencerá no plenário mas o que se depreende da votação de ontem é que as bases do presidente estão começando a abandoná-lo porque, embora tardiamente, já perceberam que a canoa está furada e afundará.

Mesmo com a saída de Temer a reforma poderia prosseguir, seja pelas mãos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seja sob o comando de Henrique Meirelles, caso a eleição do sucessor seja por via indireta, mas o dado mais importante a se considerar é que as eleições de 2018 estão próximas e muita gente não vai querer ter que enfrentar suas bases nos estados e tentar explicar porquê optou por ficar contra os trabalhadores.

Outro fator que pesará, e no caso de Renan já ficou claro, é Lula.

Ninguém pode ignorar as pesquisas que dão ampla vantagem ao ex-presidente.
Caso Lula possa disputar o pleito do ano que vem, é altamente recomendável que os deputados e senadores colem sua imagem à dele.

E isso em política é quase lei.


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Porquê a saída para Moro está na absolvição de Lula

Por Fernando Castilho


Imagem: internet

Tanto o MPF quanto a defesa de Lula já entregaram suas alegações finais ao juiz Sérgio Moro.
Por que agora a melhor saída para ele é a absolvição do ex-presidente?

O Ministério Público Federal e a defesa de Lula já entregaram suas alegações finais ao juiz Sérgio Moro mas ainda não há data certa para o julgamento do caso do triplex do Guarujá.

Imagino como deve estar a cabeça do juiz neste momento.

Por um lado há uma esperança enorme por parte daqueles que querem ver o ex-presidente entre as grades e vêem em Moro aquele algoz apto a acionar a guilhotina.

De outro lado há advogados e juristas preocupados e apreensivos quanto ao desrespeito ao Estado de Direito e à Constituição, que torcem para que o juiz represente enfim imparcialmente seu papel.

Além desse corpo jurídico há cerca de 50 a 60% da população (os índices variam de acordo com as pesquisas) que votariam em Lula para presidente em 2018 e que não querem vê-lo preso. Encabeçando essas pessoas há os sindicatos, o MST e os demais movimentos sociais que saem às ruas contra as reformas de Temer e pelas Diretas Já.

Moro tem a oportunidade de passar para a História nesse julgamento.

Se decretar a condenação de Lula, terá contra si a responsabilidade de ter criado uma convulsão social.

Se optar pela absolvição fica a dúvida se será chamado de vendido ou covarde pela outra parte.

Há, porém, um caminho mais simples para Moro: o do estrito respeito à legalidade.

Ficou comprovado nas últimas semanas que a verdadeira quadrilha de corruptos do Brasil está no governo e no congresso. Lula só é acusado de possuir um triplex que, na visão de Paulo Maluf são três Minha Casa Minha Vida um sobre o outro, o que não valeria a pena.

O MPF, em suas alegações finais facilita a decisão de Moro ao afirmar que não conseguiu provas contra Lula e a defesa do ex-presidente conseguiu prova de que o apartamento realmente pertence a OAS, uma vez que a empreiteira usa o imóvel como garantia em empréstimos, inclusive da Caixa.

Ora, se apesar de tudo isso Moro ainda insistir no lawfare contra Lula, estará sendo pouco inteligente. Ele se meteu numa sinuca ao persistir na perseguição contra um só partido e contra Lula enquanto uma quadrilha imensa, e no dizer do dono da JBS, Joesley Batista, a mais perigosa do Brasil, roubava o país em encontros em garagens nas madrugadas.

Acho que deu na vista para aquele brasileiro médio, ainda não contaminado pelo ódio ao PT disseminado pela grande mídia, que Moro perdeu tempo ao querer prender Lula.

Portanto, se Moro realmente quiser salvar sua biografia de juiz incorruptível e isento, haverá de inocentar Lula e passar a observar os verdadeiros ladrões do país.

Mais simples do que parecia. Que Moro perceba que sua saída está na absolvição de Lula.


sábado, 10 de junho de 2017

O circo judiciário brasileiro

Por Fernando Castilho


Imagem: Internet


Gilmar aposta todas as suas fichas que o governo Temer está inviabilizado por ter somente 3% de aprovação, pela possível debandada do PSDB e, principalmente porque a Globo quer a renúncia do golpista.

O assunto é bastante complicado. Parece um jogo de xadrez ou um quebra-cabeça. Mas vamos lá pela ordem cronológica dos acontecimentos.

Logo após as eleições de 2014 o TSE presidido por Gilmar Mendes, após analisar as contas da chapa Dilma-Temer, diplomou presidenta e vice com ressalvas que não chegaram a comprometer a lisura do pleito.

Mas o PSDB, presidido pelo candidato derrotado, Aécio Neves, entrou com ação no TSE alegando abuso de poder econômico da chapa vencedora. Aécio, pego recentemente em uma gravação, afirmou que tomou essa decisão somente para encher o saco (sic). Ou seja, não tinha nenhuma esperança de que a chapa fosse cassada e também não imaginava que num futuro próximo se aliaria ao vice Michel Temer quando este assumisse o lugar de Dilma no golpe que ocorreria dois anos mais tarde.

Dilma sofreu impeachment com o aval do ministro do STF, Ricardo Lewandowski, sem que ela tivesse cometido crime de responsabilidade, vale ressaltar.

Porém, Lewandowski, vergonhosamente, por vias indiretas, reconheceu a inocência de Dilma ao manter seus direitos políticos.

Teoricamente, pelas leis brasileiras, a aprovação das contas da chapa seriam processo transitado em julgado e não deveria mais ser objeto de discussão e reanálise. Deveria, mas não foi.

Com o pretexto de que fatos novos vieram à tona devido principalmente às delações da Odebrecht de que houve contribuições à campanha não contabilizadas, o chamado caixa 2, Gilmar Mendes levou a ação do PSDB adiante.

Os tucanos, agora apoiando Temer, tentaram desistir da ação ou separar a ação em duas. Queriam absolver Temer e condenar Dilma (que já não estava mais no governo). Não deu.

Após as gravações de Joesley Batista da JBS que incriminam Temer terem vindo à tona,a Globo passou a exigir a renúncia do presidente golpista mas este se nega a deixar o governo, confiante de que dará a volta por cima e levará adiante as reformas trabalhista e da previdência. Isso sem considerar sua pífia aprovação de 3% de seu governo.

A esquerda foi às ruas e passou a exigir, caso Temer renunciasse, eleições diretas já. A Constituição prevê em caso de vacância do cargo, eleições indiretas. Por isso seria necessária uma emenda à Constituição.

Portanto, com o julgamento marcado para decidir pela cassação ou não da chapa, colocamo-nos numa situação muito interessante.

A esquerda desejava a cassação da chapa porque desta forma Temer sairia do governo e o caminho poderia se abrir para as diretas já. Isso não afetaria Dilma já que ela não está mais no poder.

Então, caso a chapa fosse cassada, o reconhecimento público de que na campanha da chapa Dilma-Temer houve mesmo abuso de poder econômico colocaria Dilma em situação constrangedora.

Logicamente não há como chamar Dilma de desonesta, uma vez que os candidatos, sejam eles a própria Dilma, Temer ou até mesmo Aécio NÃO SE OCUPAM DA TAREFA DE MEXER COM DINHEIRO DE CONTRIBUIÇÕES, cabendo aos tesoureiros de campanha esta função. Mas também não há como negar que a responsabilidade atinge sim os candidatos.

Além disso, como lembrou o Ministro do STE, Napoleão Nunes, em seu voto, caso a decisão fosse pela cassação, em respeito à Democracia, certamente o beneficiário seria Aécio Neves, o segundo colocado no pleito. Seria ele então conduzido, mesmo que tenha hoje 0% nas pesquisas para 2018, à presidência!

A votação no STE terminou em 4 a 3 para a manutenção da chapa. O voto de minerva foi dado por Gilmar Mendes.

Ora, por que Gilmar Mendes votou pela absolvição da chapa? Justamente por causa da lembrança do ministro Napoleão.

Embora Gilmar seja muito amigo de Aécio, neste momento ele não deseja vê-lo na cadeira da presidência porque ele próprio, Gilmar está de olho nela.

Gilmar aposta todas as suas fichas que o governo Temer está inviabilizado por ter somente 3% de aprovação, pela possível debandada do PSDB e, principalmente porque a Globo quer a renúncia do golpista.

Gilmar acredita que nas eleições diretas seja ele o eleito à presidência.
A busca incessante dos holofotes, inclusive nos últimos 4 dias em que travou uma batalha com o ministro Herman Benjamim, deixa claro que Gilmar está em campanha.

E poderá realmente vencer no Congresso.

Porém, há ainda uma pequena coisa a considerar.

Como a chapa saiu inocentada, há ainda a possibilidade, remota que seja, do cancelamento do impeachment, o que conduziria Dilma de volta ao seu lugar.

Tecnicamente, mas não politicamente, isso é possível.

Fica uma chata lição aos brasileiros que assistiram ao espetáculo de 4 dias do TSE.

O prédio é pomposo, os ministros com suas togas são seres que se julgam deuses muito vaidosos e os julgamentos são cartas marcadas.

Mas não nos deixemos enganar. Trata-se de um circo cuja estrela maior é um palhaço muito perigoso.


terça-feira, 6 de junho de 2017

E se já deu tudo errado?

Por Fernando Castilho



Imagem: Meme publicado na Folha


Assim como os alunos do colégio, o prefeito se veste quase que diariamente de gari, guarda de trânsito e até de cadeirante sem que os brasileiros de Sampa se indignem com isso.


Ficamos, alguns, claro, perplexos com uma festa organizada por um colégio evangélico do Rio Grande do Sul, para os alunos do terceiro ano do Ensino Médio, cujo tema foi “E se nada der certo?”.

O tema foi criado, segundo a escola, para instigar estudantes sobre as opções em caso de reprovação no vestibular, convidando os alunos a se fantasiarem com trajes de profissões ou atividades que considerariam como possibilidade se os planos "dessem errado". Entre as opções elencadas pelos adolescentes estavam vendedores, faxineiros, ambulantes, mecânicos, cozinheiros e garçons.

Ora, o tema se coloca nos dias de hoje, como muito apropriado, diria até, em consonância com os rumos que o país está adotando, guiado pelos seus governantes.

Tudo começou após junho de 2013 quando a presidenta Dilma despencou de confortáveis 65% de aprovação para 30% apenas.

Uma parte dos brasileiros, a chamada elite que mandou no país desde seu descobrimento e que foi responsável pelo golpe militar e pelos 21 anos de escuridão democrática, xingou Dilma de “vaca” e a mandou TNC durante a abertura da Copa do Mundo.

No mesmo dia em que a presidenta conseguiu sua reeleição, esses mesmos brasileiros, liderados por um irresponsável passaram a exigir seu impeachment, desrespeitando a Democracia, a Constituição e o Estado de Direito.

Dilma sofreu um golpe e com ele o Brasil, governado por uma quadrilha liderada pelo vice traidor, Michel Temer que começou a afundar o país numa crise sem precedentes.

Temer foi pego em flagrante tratando de corrupção. E esses brasileiros agora só querem sua renúncia porque a Globo está pedindo. Mas não querem eleição direta.

O ídolo dessa gente, Aécio Neves, também foi pego em gravações, mas ao contrário do que o senso comum poderia esperar, esses brasileiros não admitem que foram enganados, não exigem sua prisão e nem reconhecem que foram responsáveis pelo estado crítico da ética em que estamos envolvidos.

Dilma não foi retirada por corrupção, mas sim, porque ela é do PT.

Poupam Aécio porque ele é tucano. Simples assim.

Por outro lado, a cidade de São Paulo elegeu um prefeito que se diz gestor e não político.

João Doria, logo no início de seu mandato, foi desmascarado como devedor do município com uma dívida de 90 mil reais de IPTU! Sem graça, teve que pagar.

Assim como os alunos do colégio, o prefeito se veste quase que diariamente de gari, guarda de trânsito e até de cadeirante sem que os brasileiros de Sampa se indignem com isso. Trabalhar mesmo que é bom, nada.

Além disso, o prefeito se meteu numa aventura daquelas cuja consequência não se conhece. “Acabou” com a cracolândia, espalhando-a por todo o centro da cidade. Como se não bastasse, percebendo a enrascada inconsequente em que se meteu por puro desconhecimento do delicado assunto, decidiu internar os dependentes à força, no que foi barrado pela Justiça. A situação permanece indefinida, sem solução, mas os brasileiros paulistanos já lhe concederam 80% de aprovação pela sua “política” na cracolândia.

Esses mesmos brasileiros de Sampa já o colocam numa pesquisa à frente de Lula para a presidência!

Por fim, a cereja do bolo.

Doria teve sua carteira de habilitação suspensa por somar mais de 20 pontos e acumular grande valor de multas entre 13 de janeiro e 12 de março ao dirigir seus Porsche, Audi e BMW. Como ainda não fez o curso de reciclagem, continua sem carteira.


Querem mais? Ele ainda tentou se justificar dizendo que perdeu o prazo para transferir a pontuação! Isso não é corrupção? 

Mas quem se importa?

Esses brasileiros de que falo?

A ética se inverteu neste país faz tempo.

Agora os corruptos, os que se saem bem, os que passam por cima dos demais para conseguir sucesso na vida são os admirados por essa gente.

Uma nova geração está sendo educada em caros colégios com esses valores.

Já deu tudo errado, minha gente!


sábado, 3 de junho de 2017

O MPF quer condenar Lula sem provas? Dentro do Estado de Direito?

Por Fernando Castilho







Ora, os procuradores reconhecem a dificuldade em provar o ilícito por isso pedem uma condenação sem provas? Para onde foi o Estado de Direito?

Acordamos hoje com uma notícia assustadora: as alegações finais do Ministério Público Federal pedem a condenação de Lula.

Seria perfeitamente normal se não levássemos em consideração o que o órgão afirma nas alegações.

Segundo o advogado de Lula, Dr. Cristiano Zanin Martins, os procuradores afirmam que “a solução mais razoável é reconhecer a dificuldade probatória” (pág. 53) e pedem a condenação sem provas.

Ora, os procuradores reconhecem a dificuldade em provar o ilícito por isso pedem uma condenação sem provas? Para onde foi o Estado de Direito?

Isso se traduz como lawfare, a tese de que uma pessoa pode ser condenada somente por perseguição política.

A Folha publicou logo cedo:
A Procuradoria pede condenação à prisão, em regime fechado. Além disso, solicita a Sergio Moro que o ex-presidente pague R$ 87.624.971,26, que seria "correspondente ao valor total da porcentagem da propina paga pela OAS".

Salvo engano, aquele tríplex do Guarujá vale pouco mais de um milhão de reais, portanto, essa multa é totalmente desproporcional e descabida.

Ainda, segundo a Folha, o chefe dos procuradores da força tarefa, Deltan Dallagnol, afirmou que Lula é apontado como o responsável "pela promoção e pela organização do núcleo criminoso que se instaurou no seio das empresas do Grupo OAS, assim como pelo comando das atividades criminosas por meio delas perpetrados”.

É no mínimo bizarro constatar, através das últimas notícias que dão conta da corrupção praticada por Michel Temer, Aécio Neves, toda a cúpula do governo federal, governadores de estado, deputados e senadores, que Lula seria o comandante dos crimes.

Dallagnol comete outro grave atentado ao Estado de Direito quando afirma que diante "de um dos maiores casos de corrupção já revelados no país", é preciso afastar "a timidez judiciária na aplicação das penas quando julgados casos que merecem punição significativa".

Afastar timidez judiciária? O que é isso?

O dr. Zanin salienta em seu twitter que o MPF em suas alegações finais não pediu a prisão de Lula como o G1 e a Folha publicaram. Mas é claro que dá no mesmo, afinal, eles querem a condenação.

Até o dia 20 de junho será a vez da defesa de Lula entregar a Moro suas alegações finais.
Por toda ousadia do MPF (não só falta de timidez) e de Moro que tem se colocado nos depoimentos como mais um membro do MPF e não como juiz equidistante das partes, ficaria dada como certa a condenação de Lula em primeira instância.

Ocorre que Moro vem tendo sua imagem desgastada nos últimos tempos devido à sua perseguição contra Lula e a soltura de Cláudia Cruz mesmo com todas as provas contra ela.

O Estadão recentemente publicou um editorial atacando o juiz.

Além disso, Moro será julgado pelo CNJ em julgamento que foi adiado.

Leia mais sobre as dificuldades que Moro atravessa neste artigo.
Diante disso, fica difícil fazer um exercício de antecipação da decisão de Moro.

Ele tem que medir muito bem seu julgamento pois sabe que em caso de condenação de Lula em primeira instância, ainda mais com todo esse movimento Fora Temer! E Diretas Já!, esse pode ser o estopim de uma convulsão social sem precedentes nas últimas décadas.

Será que ele corre o risco?

Junto aqui o texto do dr. Cristiano Zanin sobre o caso.

As alegações finais do MPF mostram que os procuradores insistem em teses inconstitucionais e ilegais e incompatíveis com a realidade para levar adiante o conteúdo do PowerPoint e a obsessão de perseguir Lula e prejudicar sua história e sua atuação política.
As 73 testemunhas ouvidas e os documentos juntados ao processo – notadamente os ofícios das empresas de auditoria internacional Price e KPMG – provaram, sem qualquer dúvida, a inocência de Lula. O ex-Presidente não é e jamais foi proprietário do triplex, que pertence a OAS e foi por ela usado para garantir diversas operações financeiras.
Nos próximos dias demonstremos ainda que o MPF e seus delatores informais ocultaram fatos relevantes em relação ao triplex que confirmam a inocência de Lula – atuando de forma desleal e incompatível com o Estado de Direito e com as regras internacionais que orientam a atuação de promotores em ações penais.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins



Por que sindicatos e partidos não são bem-vindos?

Por Fernando Castilho


Foto: Paula Lavigne



Há dois movimentos: o Fora Temer e o Diretas Já. Não devemos confundir o movimento com um show apenas.
Quem faz isso é a Força Sindical no 1° de maio, quando até sorteia carros.



A primeira nota que saiu foi a do Estadão. A organização do evento dos artistas afirmava que a manifestação de domingo deveria estar isenta de sindicatos e de partidos porque agora seria hora aglutinar outras pessoas em torno do Fora Temer.

Isso significava que os artistas achavam que água e óleo não se misturam, leia-se, camisetas vermelhas com verde-amarelas.

Imediatamente a esquerda nas redes sociais se dividiu. A maioria repudiou a decisão da organização. Mas grande parte defendeu os artistas e outros alegaram que era invenção do jornal.

Mas a Folha divulgou a mesma coisa.

Antes disso, um amigo me passou por What'sApp um vídeo em que o senador Randolfe da Rede conversava com Caetano e amigos na casa do último.

Começou a haver uma certa briga entre a esquerda. Se a intenção era essa, não sabemos.

No dia seguinte a organização afirmou que foi um mal entendido e que a manifestação não era apartidária.

Paula Lavigne organizou em sua casa uma reunião com artistas regada a vinho e queijos. a matéria saiu na Veja. Embora não tenha sido divulgado, há fontes que afirmam que o assunto principal teria sido uma espécie de fechamento de questão em torno do nome de Marina Silva para as Diretas Já. Letícia Sabatella, petista antiga, participou da reunião mas nada se falou de sua posição.

Sabemos que em todas as manifestações contra as reformas a Rede nunca esteve presente. Muito menos Marina Silva.

Sabemos também que a moça defende as reformas trabalhista e da previdência. E não adianta vir com a história de que teriam que ser melhor estudadas.

Nunca Caetano e outros monstros sagrados como Milton Nascimento se manifestaram contra as reformas.

Nas manifestações das quais participei na Av. Paulista, nos carros de som havia artistas mais ou menos desconhecidos mas nunca os medalhões deram a graça de sua presença.

Em um show de Caetano há alguns meses, foi o público quem levantou o Fora Temer e ele ficou sem graça de proibir. Caetano apoiou Marina em 2014.

Já Milton apoiou e fez campanha para Aécio. Aí, aparece de repente em Copacabana.

Caetano e Paula Lavigne foram aqueles que proibiram a biografia de Cae.

Dizem que Chico Buarque não compareceu ao ato em Copacabana por causa do problema de saúde da filha. Já não sei mais se foi por isso.

O fato, para encerrar, é que há dois movimentos: o Fora Temer e o Diretas Já. Não devemos confundir o movimento com um show apenas.

Quem faz isso é a Força Sindical no 1° de maio, quando até sorteia carros.

Posso estar sendo duro mas exponho o que penso. Críticas serão bem-vindas.

O movimento é político, muito mais que artístico.

E pelo menos por enquanto ainda não é Marina Já.

Caetano e Milton, vocês são nossos ídolos desde sempre. Não dá pra esquecer suas músicas. Só suas músicas.


Pode Lula fazer mais?

Por Fernando Horta

Imagem: GGN


Por Fernando Horta: Lula, se puder concorrer e se ganhar a próxima eleição, terá o maior desafio que um presidente brasileiro já teve. Reorganizar um país que está quase tão destruído quanto uma guerra civil deixaria.

O discurso de Lula no congresso nacional do Partido dos Trabalhadores, na quinta passada, foi mais curto e errático do que costuma ser. A verdade é que o ex-presidente sente o peso que hoje tem, como única figura de esquerda capaz de barrar o avanço conservador. O partido tenta dar-lhe ao mesmo tempo apoio e abrigo. Não é pouco o que Lula enfrenta. Afora uma caçada midiática diuturna, Lula ainda lida com o lawfare da República de Curitiba e seus experts em Powerpoint, pedalinhos e documentos sem assinatura. A perda de dona Marisa Letícia (homenageada no Congresso) e o constante assédio aos familiares do ex-presidente completam um quadro nefasto que o líder, de 70 anos, impressiona ao enfrentar de forma tão aguerrida.

Não há outra alternativa, dirão alguns. Eu discordo. Existem outras alternativas para Lula, talvez não para a esquerda brasileira neste momento. Para piorar as coisas, Guilherme Boulos escreve afirmando que Lula não unificará as esquerdas “fazendo mais do mesmo”. Permita-me discordar meu caro Boulos, diante da atual situação, mais do mesmo de Lula estaria já de muito bom tamanho. Tentam incitar o ex-presidente a um caminho de maior acirramento, de maior enfrentamento. Tentam fazer do Lula de 70 anos um lutador por reformas de base que lula não foi com 50 ou 60.

Lula, em parte, aceita o desafio. Parte do discurso na noite da quinta-feira passada foi dirigido a ataques à Rede Globo. É compreensível que o ex-presidente esteja magoado. As vilanias da Globo são conhecidas desde a destruição de Assis Chateaubriand e a consolidação do império dos Marinho durante a ditadura. Mas parece que a Globo perdeu a finesse com a morte do seu fundador. Os atuais donos perderam o senso de tempo e oportunidade e estão gastando seu capital político de forma muito acelerada. O custo dos ataques a Lula tem subido vertiginosamente e pode ser visto nas pesquisas eleitorais e na má vontade de vários anunciantes da Globo que já percebem prejuízos aos seus produtos por conta da postura política da emissora.

Lula tem sido cobrado a fazer as reformas estruturais que a esquerda há muito pede. Na última noite, Lula lembrou que presidente com sessenta parlamentares não faz reforma. Com 70 anos, Lula ainda tem que dar aula de política para uma parte da esquerda que parece viver no Sítio do Pica Pau Amarelo (ou vermelho, se preferirem). Um lugar onde o chefe do executivo tem o pó de pirlimpimpim e é capaz de realizar tudo o que pensa. Sozinho. Se faz aliança é por puro interesse, e se a aliança é com políticos de duvidosa moral então a aliança é fisiológica, nefasta. Lula lembra que se faz aliança não com quem se quer, mas com quem ganha eleição. Partidos que nunca ganharam nada no executivo costumam esquecer-se disto.

Sem um parlamento capaz de fazer mudanças, Lula não poderá fazer muita coisa.
Enquanto as bancadas de latifundiários, banqueiros e industriais forem imensamente maiores que as de trabalhadores, professores e camponeses Lula só fará algo se propuser o “mais do mesmo”. Colocando na mesa seu imenso poder de negociação e chamando as forças políticas para um grande pacto nacional. De novo. E não me entendam mal, isto, hoje, já seria excepcional. O problema é que a esquerda ferida pensa que a eleição de Lula seria uma reversão de forças. Teria a capacidade de devolver todo o mal que tem sido infligido a ela. Fala-se em “punir os golpistas”, num misto de devaneio com esquizofrenia.

Lula não pode tudo. Nunca pode, a bem da verdade. Governar não é um exercício solitário da vontade. Tivemos algumas vezes presidentes eleitos com minoria no congresso. E congresso hostil ainda. Vargas em seu último mandato é um exemplo claro. A guinada à esquerda de Vargas não surtiu efeito. As pressões eram demasiadas. Terminou como sabemos. Um tiro no peito, o levante do povo e a continuidade do modelo populista por mais dez anos.

A verdade é que a esquerda brasileira é profundamente incompetente. Não conseguiu construir alternativas eleitorais factíveis durante todo o período que esteve no poder. E não falo apenas do PT, mas de toda a esquerda. Quem bate no peito e exige “autocrítica” não é capaz de fazer a sua e perceber que sem Lula e sem o PT não existe esquerda brasileira hoje. E o pior é que sequer esta avaliação realista são capazes de fazer. Continuam com discursos agressivos, rompantes revolucionários sem sentido e cobranças anacrônicas.

Lula, se puder concorrer e se ganhar a próxima eleição, terá o maior desafio que um presidente brasileiro já teve. Reorganizar um país que está quase tão destruído quanto uma guerra civil deixaria. E sem base legislativa temo que Lula pouco ou nada possa fazer. Alguns dirão que é culpa do próprio Lula e que ele tem a obrigação de fazer a reforma A ou B. Eu me recordo de Churchill, durante a Segunda Guerra, informando a Roosevelt e Stalin que o Papa exigia que se libertasse Roma primeiro e que se protegesse todo o local da Santa Sé. Stalin perguntou: “Quantas divisões comanda o Pontífice?”

Quantas cadeiras no congresso comanda esta esquerda que está a exigir tantas “reformas” do ex-presidente?