domingo, 20 de março de 2016

A História registrará o dia em que voltamos a ser uma república das bananas

Por Fernando Castilho




Não podemos mais contar com o STF a garantir a aplicação da Constituição Federal. Já vivemos um Estado de Exceção e a aceitação deste fato nos ajudará a prever os desdobramentos daqui para a frente e a nos precaver deles.

Um buraco negro captura tudo que ultrapassa o chamado horizonte de eventos, mas mesmo assim, deixa escapar radiação.

Por mais que a situação tenha chegado a limites jamais pensados desde 1964, por incrível que pareça, há algo de bom que podemos extrair dessa história.

Pelo menos agora não ficaremos mais a esperar que a Constituição e o Estado de Direito ao final sejam respeitados. Que uma luz iluminará os rostos dos ministros do STF, encarregados de resguardar a Constituição ou que um anjo desça dos céus.

Não. Já vivemos num Estado de Exceção e a aceitação deste fato torna mais fácil prever os desdobramentos daqui para a frente sem que fiquemos indignados a todo momento, certo?

Antes, três advertências:

Não escrevo este texto como petista, mas tão somente como cidadão de esquerda que reconhece os avanços sociais advindos dos governos Lula e Dilma.

Reconheço que o governo Dilma vai muito mal, em grande parte pela sabotagem que lhe fazem a oposição e a mídia, mas como ela foi eleita democraticamente, sem que haja provas de crimes contra ela, teremos que aguardar 2018.

Com relação à Lula, o juiz Sérgio Moro teima em lhe atribuir a posse de um tríplex no Guarujá e um sítio em Atibaia. Como não há documento de não-posse ou ''escritura negativa de propriedade'', o ex-presidente deverá ser preso mesmo sem provas.

Pois bem, aqui vai uma sequência possível de desdobramentos advindos do que pode ocorrer nas próximas horas.

Quero deixar claro que escrevo este texto baseado em meu conhecimento da História do país e de minha experiência pessoal de vida, além de certa dose de intuição.

Não há como continuar a ser otimista e esperançoso em que a Justiça se faça. Não.
Lula deverá ser preso nas próximas horas. Não há mais dúvidas disso.

O fato de que Gilmar Mendes impediu irregularmente a posse de Lula como ministro, enviou seu processo de volta ao juiz Moro é altamente indicativo disso.

Poderão os otimistas e esperançosos dizer que os outros ministros da turma ainda terão que votar. Esqueça, isso só aconteceria se ainda houvesse normalidade jurídica. Não há mais.

Os ministros podem até se arrepiar, mas como disse Lula, estão acovardados.

Após a prisão de Lula, o impeachment passará como sabonete, lisamente. Mamão com açúcar.

Temer assume com a missão de conduzir o país à normalidade.

Alçado como o grande fator de união da Nação, se valerá da ajuda dos senadores José Serra e Aécio Neves para a condução segura da nave pela turbulência à frente.

E que turbulência. Uma verdadeira convulsão social. O PT, agora na condição de oposição, fará protestos por todo o país, mas as PM's dos estados governados por tucanos lhes arrancarão o couro. Haverá mortos e feridos mas nada será noticiado pela imprensa.

A mídia haverá de dar o devido suporte ao novo governo.

As primeiras medidas para contornar a crise serão euforicamente anunciadas por Sardenberg e Leitão no Jornal da Globo.

Eliminados Lula e Dilma, não haverá mais quem impeça o país de voltar a crescer. A bolsa disparará e as agências de risco poderão aumentar a nota do Brasil.

Enfim, o país entra nos trilhos e retoma o crescimento.

O próximo passo será a saída do Brasil do Brics, comemorada enfim por Obama.

We got it!!!

Em seguida Serra apresentará projeto transferindo toda a exploração do pré-sal para as Sete Irmãs.

I love my friends in Brazil!!!

Os blogs sujos, sempre combativos, por exigência da Globo, Folha, Estadão e Abril, deverão ser fechados por incitar a violência. Quem resistir será preso.

Os que saíram às ruas pelo impeachment exultarão, afinal a vida para eles continuará igual. Seus filhos continuarão matriculados em boas escolas e suas consultas continuarão a ser marcadas nos melhores hospitais. Continuarão a consumir freneticamente nos shoppings centers e a passear nas férias na Disney e em Miami. Que bom.

Mas como a crise econômica precisa ser combatida, será necessário que o novo governo corte gastos. Uma boa maneira será reduzir drasticamente o aporte de recursos no Bolsa Família, extinguir o Luz para Todos e o Minha Casa Minha Vida e paralisar obras ''superfaturadas'' como a transposição do São Francisco.

E como é imperativo retomar o crescimento, os executivos das maiores empreiteiras do país não poderão continuar presos pois erá necessário que se executem obras que gerarão empregos. O financiamento privado de campanhas voltará com força total.

Aumentos de gasolina, energia elétrica e gás não estão descartados, como ocorreu recentemente na Argentina.

O próximo passo será cassar o registro do PT a fim de evitar qualquer surpresa em 2018.

Com Lula e Zé Dirceu presos, não haverá quadros que possam recompor a esquerda. Que cada um vá pra sua casa e se finja de morto.

Enfim, este é um quadro negro de nosso futuro, mas não podemos simplesmente ignorá-lo como apenas um pesadelo distante.

O jornalista Rodrigo Vianna em seu blog Escrevinhador sugere que Lula se asile em alguma embaixada e de lá lidere a resistência e o contragolpe.

Acho a ideia muito pertinente neste momento, pois é absolutamente necessário que se preserve Lula pois sem o que ele representa não há como articular uma resposta.

Além disso, isso chamará a atenção da comunidade internacional para o problema e desmascarará o justiçamento que está em curso no Brasil.

Porém, se houver mandato de prisão contra Lula, este se tornará apenas bandido foragido, podendo ser extraditado da embaixada onde se asilou.

Talvez a única possibilidade seja, a exemplo de Edward Snowden, escolher a Embaixada de Rússia.

Putin com certeza manteria Lula em segurança pois o Brasil é peça por demais importante no Brics.


De qualquer forma, retrocederemos décadas em nosso desenvolvimento e voltaremos a ser uma república das bananas.

E um dia, daqui a algumas décadas ou mesmo anos, a História haverá de reservar um capítulo àqueles que não se conformaram com o resultado das urnas e traíram a Constituição. 

E filhos sentirão vergonha por seus pais terem sido golpistas.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Um exame de consciência sobre a polarização política do país

Por Fernando Castilho



Teria me esquecido do que aprendi da História deste país e passado para o lado dos maus?

Estaria errado em me contrapor a 502 anos de desmandos das elites do país que tanto massacraram os pobres e evitaram o progresso da Nação como um todo?

Caros leitores, vivemos um momento de polarização extrema no país só comparável a 1954 e 1964 e isto não é novidade.

Principalmente após a condução coercitiva de Lula a depor na Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, os ânimos têm-se acirrado até um ponto muito perigoso.

Eu, por minha vez, tendo recebido críticas tanto de gente de direita quanto de esquerda e presenciando amigos e parentes comparecer à manifestação de 13 de março, resolvi parar e fazer uma reflexão.

Afinal, estaria eu sendo iludido por um governo corrupto e por um ex-presidente ladrão?

Estaria enxergando somente um lado das coisas sem nenhuma capacidade de discernimento?

Teria me esquecido do que aprendi da História deste país e passado para o lado dos maus?

Estaria errado em me contrapor a 502 anos de desmandos das elites do país que tanto massacraram os pobres e evitaram o progresso da Nação como um todo?

Me ''xingaram'' de petista (pelo menos, por certa delicadeza, não foi de petralha). Já afirmei e reafirmei que não sou petista, mas sim de esquerda.

E é por ser de esquerda que defendo as políticas de distribuição de renda que tirou 36 milhões de pessoas da linha de miséria, as cotas raciais que procuram dar mais oportunidades aos negros, o Luz para Todos que leva energia elétrica a quem sempre viveu no escuro, o Mais Médicos que melhorou incrivelmente o atendimento às pessoas que não tinham acesso a atendimento médico, o Minha Casa, Minha Vida...

Não fico ofendido porque petista não é xingamento. Se fosse, tudo bem.

Muito bem, após alguns dias de reflexão, de investigação íntima de meus pensamentos, de julgamento de minhas tendências políticas, já há o que concluir.

1 – De todos os nomes que foram citados por envolvimento em algum tipo de conduta irregular, talvez só escape Dilma Rousseff. Portanto, quando uma multidão sai à Paulista para exigir o impeachment da presidenta eleita democraticamente, o errado não sou eu. Os errados são os outros. E eles passam a ser qualificados como golpistas.

2 – A condução coercitiva de Lula a depor na Java Jato em que ele respondeu a um interrogatório da Polícia Federal, lido na íntegra por mim, mas ignorado pelos golpistas, respondendo com coerência às acusações de que é proprietário do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia, mesmo não possuindo escritura de nenhum desses imóveis, mostrou que por eu me posicionar pela defesa do ex-presidente, o errado não sou eu, mas sim aqueles que querem que um homem seja preso mesmo sem comprovação de crimes, somente porque não gostam dele.

3 – A revolta dos golpistas por ter Lula aceitado um convite para ser ministro do governo Dilma demonstrou que a mídia manipulou as cabeças das pessoas vendendo-lhes a falsa informação de que, tornando-se ministro, o ex-presidente escapa das investigações e foge da prisão.

Na realidade, como ministro, Lula passa a ter foro privilegiado que não significa de maneira alguma privilégio nenhum, uma vez que não poderá, caso seja condenado, solicitar recurso a nenhuma outra instância. Lula escapou de Sérgio Moro que queria prendê-lo sem provas somente para ter seu troféu de caça e passa a ser investigado pelo Supremo. Aliás, ficou claríssimo no episódio do grampo a gana que Moro tem em prender Lula com ou sem provas. E mais alguns dias ou mesmo horas, Lula estaria preso.

Então, mais uma vez, não considero que o errado seja eu, mas sim as pessoas que querem justiçamento e não Justiça.

4 – O grampo telefônico. O juiz Moro cometeu a suprema ilegalidade de plantar um grampo no telefone da presidenta Dilma, dentro do Palácio do Planalto. Sim, foi no telefone dela uma vez que Lula não usa celular. Trata-se de um crime e quem compactua com crimes é no mínimo cúmplice. Se o fato acontecesse nos Estados Unidos, Obama já teria mandado prender o juiz.a polarização

Então, mais uma vez o errado não sou eu. Se houver provas contra Lula, mas provas mesmo, não pedalinhos ou barquinho de 4 mil reais, serei também pela sua prisão.

A polarização mostrou que agora não há meios termos. De um lado são golpistas, defensores da ditadura, defensores de nazistas como Bolsonaro, defensores do fim dos programas sociais, como ficou claro nos vídeos aloprados das manifestações.

Se nem todo mundo se encaixa exatamente nesse perfil, comungou dos propósitos vis desses lacaios.

De outro lado estão as pessoas que não defendem a corrupção, mas sim a Democracia e a Constituição Federal e se isso significar defender Dilma e Lula, por consequência é o que deve ser feito.

De resto, como já vinha alertando há muito tempo em outros textos, o país caminha para uma convulsão social.

E esse estado de coisas não foi criado pelo governo, Lula ou as pessoas de esquerda que seguram o rojão da defesa da Democracia. Mas sim, justamente por aqueles que deveriam ter a responsabilidade de evitar o incêndio da Nação, a oposição, a mídia e o juiz Moro.








segunda-feira, 14 de março de 2016

A criatura se voltou contra seus criadores

Por Fernando Castilho





Os ovos da serpente já estouraram.

Deles saíram inúmeros filhotes brancos e bem nutridos.



Se nas últimas manifestações as pessoas pediam somente Fora Dilma e a volta da ditadura militar, a novidade agora ficou por conta de seu apartidarismo.

As pessoas que saíram às ruas rechaçaram também a oposição, fato inédito até então.

Aécio Neves e Geraldo Alckmin chegaram triunfantes à Av. Paulista como alguém que se dirige a um palco iluminado com os holofotes sobre si, afinal tudo aquilo serviria a eles como um termômetro a aferir sua popularidade uma vez que até agora buscaram ser os protagonistas do golpe.

Mas foram rechaçados e postos a correr.

A Rede Globo que durante mais de 2 anos após junho de 2013, tão carinhosamente cuidou da ninhada como mãe dedicada, teve que tirar os logotipos de seus microfones e trabalhar incógnita para que seus repórteres não fossem agredidos.

Como em Frankenstein de Mary Shelley, a criatura se volta contra seus criadores.

E essa foi a grande novidade do dia.

Temos então uma massa de classe média e média alta, predominantemente branca, que não respeita partidos políticos nem a liberdade de expressão dos órgãos de imprensa.

São características do fascismo.

Preocupante? Para o PT nem tanto, já que o ódio vem de há muito.

Quem tem que se preocupar e muito daqui para a frente é a oposição que não se legitima para ocupar um possível vácuo deixado por Dilma Rousseff.

Fica agora claro que se o impeachment vingar com a consequente ascensão de Michel Temer à presidência, essa massa não o aceitará.

Caso haja a cassação do mandato de Dilma e Temer pelo TSE, novas eleições seriam convocadas e mais uma vez ficaria muito difícil para Aécio ser aceito.

Um dos erros do PSDB foi ter ido com sede demais ao pote, sabotando o governo durante mais de um ano.

Mas o maior de todos foi a hipocrisia em se apresentar como partido de gente ilibada enquanto várias denúncias contra Aécio e Fernando Henrique vinham à tona.

Os tucanos mostraram que estão na Lava Jato até o pescoço.

A massa pode ser ignara mas não pensem que deixou passar desapercebida a corrupção dos tucanos.

Uma luz amarela, um sinal de alerta acaba de acender.

Se governo e oposição não agradam o leviatã, quem pode controlá-lo?

O juiz Sérgio Moro.

Moro é o único que consegue fazer o monstro dar piruetas, pegar a bolinha e fingir de morto.

O surgimento de um ídolo com o perfil autoritário que agrada as massas é o maior perigo que a Democracia vive hoje.

O monstro deu legitimidade à Moro.

Se a polarização PT - PSDB já não se torna mais a resposta para essa gente, o caminho está aberto para uma terceira via que pode surgir na figura à extrema direita de Bolsonaro, Marina Silva ou até mesmo o próprio Moro. De qualquer forma, ela estará longe da esquerda e pode até mesmo ser inflada pelos tucanos, DEM e pelo PMDB.

Acredito que nesta semana mesmo a oposição deve se reunir e analisar a conjuntura. Foi ela que mais perdeu.

E não vejo saída para ela senão um pacto pela governabilidade já.

Somente esse pacto que demonstre responsabilidade e preocupação com a recuperação da economia pode fazer com que parcela da população recupere um pouco de crença na política e nos políticos.

O mesmo vale para o PMDB que quer apear do governo, mas já deve estar reavaliando sua posição e sentido que entrou numa canoa furada dos tucanos.


É urgente que aos olhos da população a classe política comece a fazer política com P maiúsculo ao invés de o tempo todo tentar puxar o tapete para alcançar o poder.

domingo, 13 de março de 2016

A multidão tem fome

Por Mariana Ianelli


Picasso: Guernica

Ninguém tem culpa na multidão, ninguém tem rosto. É uma ânsia coletiva, num corpo coletivo, com pretexto de justiça contra um só grande culpado, que será malhado, dessangrado, devorado no espetáculo.


Por muito que se empanturre, nunca a multidão se farta.

Seu repasto é variado: apóstata, ladrão, louco, revolucionário, místico, gay, adúltera, bruxa, os traidores da ordem.

A multidão julga, a multidão condena. Depois mata. Vai enchendo as praças, ondeando nas ruas, apertando seu anel em torno do poste, do pretório, do pelourinho, da arena, do cadafalso.

Porém matar não é para já. Antes há as preliminares, o prazer das preliminares, o dedo apontado, as pedras, os chutes, a cusparada, a vala cavada com as unhas, a cruz nos ombros, as chibatadas.

A multidão ferve de raiva, espuma, baba. Tem fome de sangue, mas antes tem fome de espetáculo. Não quer só o porco assado, quer também a maçã na boca do porco, o detalhe cruel, a coroa de espinhos, a estrela amarela, a letra escarlate, o cabelo raspado, a marca no braço, requintes desses que são típicos das festas de humilhação física e moral.

Ninguém tem culpa na multidão, ninguém tem rosto. É uma ânsia coletiva, num corpo coletivo, com pretexto de justiça contra um só grande culpado, que será malhado, dessangrado, devorado no espetáculo.

E melhor o espetáculo quanto mais lento for, os pecados do mundo estufando o corpo do repasto.

A multidão exulta, fotografa para rever, filma, multiplica seus olhos. É um monstro mitológico se regozijando com o que vê, com o único rosto que da multidão se destaca, tão diferente, o dissidente, agora desfigurado.

A festa é pública, mas desaconselhável aos de estômago fraco. Pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Acontece também com data e local marcados.

Basta uma plaquinha, como aquela que uma vez um cartunista pôs numa página de jornal: “BREVE AQUI MASSACRE”.

E o monstro começa a se formar.


Mariana Ianelli é escritora e mestre em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

sábado, 12 de março de 2016

O abismo diário de todos nós

Por Fernando Castilho





Duas lendas circulam por aí.

Uma delas diz respeito a um certo ideograma (kanji) chinês que significa tanto ''crise'' quanto ''oportunidade'', tentando fazer-nos crer que é nos momentos de crise que enxergamos as maiores oportunidades. Não é verdade.

Outra é antiga. Faz alguns minutos que foi criada e passará a circular como verdade daqui pra frente. Ensina-nos que um grupo de peregrinos viajava quando, inadvertidamente, caiu de um precipício. Morreram todos. Porém, os espíritos de alguns despertaram mais cedo e percebendo rapidamente a situação de crise, trataram de aproveitar a oportunidade, chamando o diabo para oferecer-lhe aquelas almas que ainda não haviam sido despertadas em troca de um lugarzinho mais confortável no inferno.

Para onde enviar aqueles que compraram ações da Petrobras em baixa
trabalhando agora ferozmente para que seu governante caia
lucrando assim com os dividendos da euforia?
Dante seria assomado dessa grande dúvida
Entre o oitavo e nono círculo, ele diria.

O mesmo vale para os especuladores que compraram da Chevron, ações.
Apoiam freneticamente a entrega do pré-sal pelo Serra.
Dante avaliaria como antiéticas suas especulações.
Se são traidores da Pátria, devem ir direto para o nono círculo
E não fazer mais parte desta Terra.

Mas antes do fim de seus dias
uma multidão de bajuladores vai prestar homenagens aos expertos.
Que visão! Que raciocínio! Fizeram do limão uma limonada!
Ninguém lhes jogará na cara que o que fizeram não é certo.
E que de caráter eles não tem nada.

Os bajuladores dos corruptos saem às ruas contra a corrupção.
Quedarão refastelados se derrubarem a governante legalmente eleita.
Mas a governante nunca foi corrupta.
E se hoje podem alegremente sair às ruas
isso se deve em grande parte à sua luta.

Querem tirar a voz do velho governante mais querido pelo povo.
Transformá-lo em monstro, bandido, o mal em si.
Não suportam um país mudado, melhorado, evoluído.
É preciso forçar uma volta ao passado já esquecido
e que o país volte a ser uma república das bananas de novo.

Neste mundo de pós-modernidade
que já escapa pelas minhas mãos
pouca coisa ainda me desafia a continuar.
Ao invés do bem, impera a iniquidade
e a luta é agora quase sempre em vão.
Mas se as adversidades me obstam à luta
Novas energias me fluem do não sei de onde
a criar novas forças para a luta
a defender o que acredito

que é a igualdade entre nossos irmãos.

sexta-feira, 11 de março de 2016

O dia em que pedi uma intervenção militar constitucional

Por Fernando Castilho



Ok, amigo leitor, se você chegou até aqui, peço que leia o texto todo antes de me interpretar mal.

Os comandantes militares são especialmente treinados em estratégias de combate, escaramuças e guerra, portanto, têm suficiente sensibilidade de perceber o que realmente está ocorrendo no país quanto ao desrespeito aos poderes da Constituição, objeto de sua defesa e aos riscos de confrontos de grupos. Eles sabem que se Lula for preso sem provas, o país pega fogo.


A situação política no Brasil é de uma gravidade somente comparável aos golpes de 1954 e 1964. É um quebra-cabeças difícil de se montar, mas vamos tentar.


Teoria da Conspiração

Com seu ingresso no Brics, o Brasil passou a ser o mais importante país da América Latina, mas seus maiores interlocutores e parceiros comerciais passaram a ser a partir de então, a China e a Rússia, dois dos maiores e mais poderosos adversários americanos.

Até junho de 2013, Dilma Rousseff navegava em águas tranquilas com um índice de aprovação que lhe garantiria uma vitória tranquila em 2014. Porém, algo inusitado ocorreu.

A partir de um movimento pelo congelamento das passagens de ônibus, vindo da ultra-esquerda, o gigante acordou.

Lembremos que o Arnaldo Jabor uma noite criticou o movimento e já na noite seguinte o apoiava incondicionalmente. Ordens do chefe.

Quem é o chefe? A Globo? Não. Alguém acima dela.

Era fundamental que se impedisse Dilma de ser reeleita.

Era imprescindível que o governo brasileiro voltasse às mãos daqueles mesmos lacaios que privatizaram quase tudo. Já havia a garantia de que o Brasil, caso Aécio Neves vencesse, deixaria o Brics e voltaria aos braços do Tio Sam.

Não há provas, tudo parece ficção, mas é fato que a queda do avião que vitimou Eduardo Campos propiciou o aparecimento de Marina Silva, esta sim opositora ferrenha de Dilma.


E Dilma quase perdeu.

Fim da teoria.


Imagem real n°1.

Durante os 8 anos dos governos Fernando Henrique as Forças Armadas reivindicaram em vão a compra de caças e a construção de submarinos e tanques, uma vez que seus equipamentos se tornaram obsoletos.

FHC não só não se mexeu como também reduziu o orçamento militar causando um sucateamento no setor de defesa.

Os militares não gostaram nada do governo FHC.

Veio Lula.

Este iniciou o processo de compra de caças mas em meio a vários empecilhos criados pelos americanos, perdeu muito tempo e não resolveu o problema.

Mas foi no governo Dilma que enfim 36 caças Grispen foram adquiridos à Suécia.


O fato desagradou demais os americanos uma vez que o contrato com os suecos estabelecia a transferência de tecnologia, coisa que eles se negam a fornecer.

Além disso, Dilma iniciou a construção de 5 submarinos, sendo um deles nuclear.

Este submarino nuclear, em parte construído na França, em parte no Brasil, representará um grande avanço na Marinha brasileira.

E é aí que mora o perigo.

O contrato também prevê transferência de tecnologia.

Toda a tecnologia nuclear está sendo desenvolvida pelo Brasil.

A Odebrecht é uma das construtoras envolvidas no projeto.

Os americanos odiaram a ideia, novamente pela transferência de tecnologia, mas mais do que isso, este submarino é estrategicamente importante na defesa de nossas águas continentais, o que inibiria posições americanas.

Os comandantes militares devem sentir calafrios só de pensar em perder os caças e os submarinos. Devem estar muito preocupados.


Imagem real n° 2.

A corrupção na Petrobras passou a ser utilizada como pretexto para muita gente pedir sua privatização, no que estariam interessados mega investidores como George Soros e os irmãos Koch, patrocinadores do Movimento Brasil Livre do Kim Kataguiri.

A ações da empresa passam a despencar, mas Soros compra muitas ações na baixa.

José Serra apresenta em regime de urgência projeto para transferir 30% das atividades de exploração do pré-sal para companhias estrangeiras, entre elas a Chevron americana.

A tentativa de impeachment de Dilma sofreu revés uma vez que ela não deixa rabo, ou seja, nada pesa de ilícito contra ela. Mesmo assim, o ministro do TRE, Gilmar Mendes reabre processo para verificação de contas de sua campanha que já haviam sido aprovadas. O processo pode dar cassação do mandato.

O alvo passa a ser Lula, afinal uma pesquisa de opinião mostrou que, apesar de ter sua imagem desgastada, ele ainda é o mais forte candidato para 2018.

Pior, também para 2022.

Isso adiaria demais o sonho americano e daria muito tempo para o Brics se tornar um sucesso.

Acharam que dentro da lei iria ser fácil pegá-lo mas Lula também não deixa rabo.

Então, que seja fora da lei.

Um tríplex que não é de Lula surge como tentativa de ocultação de patrimônio.

Antes da Lava Jato se uma pessoa pedisse para que outra provasse ser proprietária de um imóvel, bastaria esta apresentar um documento de escritura.

Mas a mesma pergunta para quem não é proprietário de um imóvel só pode ser respondida com um não, pois não existe um documento de não propriedade. Mas a Lava Jato exige esse documento.


Imagem possivelmente real n° 1.

Lula foi conduzido coercitivamente a depor no aeroporto de Congonhas.

Estacionado na pista havia um jatinho da Polícia Federal, cercado de agente à paisana, prontos a levá-lo preso para Curitiba.

Um coronel da Aeronáutica foi informado do fato e imediatamente ordenou que o jato fosse cercado por seu batalhão.

Não há ainda uma confirmação do episódio, mas parece bastante verossímil uma vez que Moro abortou a ação.

Se o episódio de fato ocorreu, provavelmente o coronel teria entrado em contato com seus superiores, relatado a situação e solicitado instruções. E elas teriam sido dadas.

Ok, encerradas as imagens, vamos aonde quero chegar.

O Poder jurídico do país parece dominado pelas forças que agirão sem pestanejar para prender Lula, derrubar a presidenta e restaurar o poder aos velhos lacaios de sempre.

Feito isso, a Lava Jato deixa de existir, Aécio e outros da oposição, que foram delatados não responderão a nenhuma investigação e talvez até Eduardo Cunha se safe.

Alguém, qualquer um que não seja do PT, assumindo trata de retirar o Brasil dos Brics, de cancelar o contrato dos caças e de sucatear os submarinos. Com as bênçãos americanas.

Não há a quem recorrer, nem ao STF que faz vistas grossas a tudo.

A Constituição Federal, em seu Capítulo II, DAS FORÇAS ARMADAS, Art. 142, diz: As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

Bem, os comandantes militares, embora não sejam políticos, são especialmente treinados em estratégias de combate, escaramuças e guerra, portanto, têm suficiente sensibilidade de perceber o que realmente está ocorrendo no país quanto ao desrespeito aos poderes da Constituição, objeto de sua defesa e aos riscos de confrontos de grupos. Eles sabem que se Lula for preso sem provas, o país pega fogo.

Se ainda não agiram, isso talvez se deva à falta de uma ordem direta da presidenta, que não virá, uma vez que ela é republicana demais para perceber a necessidade de intervir agora.

Porém, a possibilidade de que seja verídica a ação do coronel da Aeronáutica talvez seja a senha.

Nunca imaginei ansiar por uma intervenção militar, mas neste momento, na contra-mão dos motivos da direita reacionária, parece que não haja outra saída.

Cabe aos comandantes militares defenderem neste momento a Constituição e a Democracia.

Se não o fizerem, perderemos todos e estaremos sujeitos a um retrocesso de consequências imprevisíveis.

Sem a intervenção os bandidos de toga não vão parar de desrespeitar o Estado de Direito a duras penas conquistado.

Se a defesa tiver que partir dos militares, que seja.

Fora que seria um tapa de luva de pelicano nos coxinhas que pedem intervenção militar com objetivos sinistros.





quinta-feira, 10 de março de 2016

Como um homem de bem conseguiu sobreviver à era Lula-Dilma

Por Fernando Castilho





Ficou surpreso ao passar a receber nos finais do ano visita de vários parentes que não via há anos, vindos do Nordeste, de avião. Veio até a vovozinha com quase 90 anos. Esse povo tá ficando abusado!


Para que ninguém que eu conheça se sinta atingido pelo nome, o personagem em questão se chamará Jurecélio.

Todo o resto poderá atingir em cheio um monte de candidatos possíveis a Jurecélio.

Ele ingressou cedo no Bradesco.

Inspirado em seu fundador, Juracélio pretendia seguir o exemplo de meritocracia dado por Amador Aguiar que, de simples contínuo, chegou a ser banqueiro.

Jerecélio não sabia, em seus 16 anos de, que Aguiar havia aplicado um desfalque no banco em que trabalhara e, com o dinheiro, fundado seu próprio banco.

Decidi não destruir seus sonhos.

Quando eclodiu em 1985 a maior greve dos bancários, Jerucélio furou todas e se apresentou orgulhoso ao trabalho, certo de que vestindo a camisa, sua almejada promoção seria alcançada.

Não deu.

Jarecélio furou não só essa, mas todas as greves, pois isso era coisa de comunista vagabundo. Vão trabalhar que seu suor será recompensado, bradava.

Mas Jaracélio não recusou os aumentos de salário conquistados pelos grevistas.

Pelo contrário, sua vida com isso melhorou e logo ele pode comprar seu primeiro carrinho.

Veio a campanha de Collor e Juricélio foi um dos primeiros a se definir a favor do moço bonito, caçador de marajás que, claro, era infinitamente superior àquele sapo barbudo de meia furada e analfabeto chamado Lula.

Jucerélio tinha uma graninha depositada na caderneta de poupança do próprio banco. Perdeu. Sua economia fora confiscada por Collor, porém ele nunca admitiu que a diretoria do banco já havia sido avisada antes da medida e sacou tudo que tinha. Ele amava o patrão.

O tempo passou e veio Fernando Henrique.

Jecerélio se sentiu em sua zona de conforto, afinal o ''príncipe'' estava seguindo o conselho do capital e, numa fúria louca, vinha privatizando tudo quanto era estatal.

Os bancos alegaram dificuldade financeira.

Ôpa! Para Jecerílio isso era mortal. Se o patrão estava em dificuldades, teria que ser auxiliado pois disso dependia seu emprego.

Jacecélio respirou aliviado e soltou até fogos para comemorar o socorro que FHC deu aos bancos com recursos do BNDES.

Veio a era Lula, o que Jucecélio mais temia.

O Brasil iria para o fundo do poço guiado por um analfabeto e, como ele, nordestino. Tudo o que conquistara seria perdido. Esse governo não podia dar certo.

E não deu. Pelo menos para ele.

Embora nesse período a vida de Jaricélio melhorasse bastante, afinal ele conseguira comprar sua casinha e o segundo carro financiado, nunca admitiu que seriam as políticas de governo acertadas que lhe propiciaram essas conquistas. Tudo fora fruto unicamente de seu esforço, enfim recompensado.

Dilma foi eleita e Jurecélio enfim foi promovido a gerente de agência.

Ficou surpreso ao passar a receber nos finais do ano visita de vários parentes que não via há anos, vindos do Nordeste, de avião. Veio até a vovozinha com quase 90 anos. Esse povo tá ficando abusado!

Jucerélio se aposentou como gerente.

Não conseguiu, apesar de seu esforço, nada além disso. Não conseguiu ser banqueiro.

Recebeu, à saída, um cartão de agradecimento impresso com assinatura também impressa de um diretor de RH do banco, que nunca vira. Mas tava bom. Fora reconhecido. Bastava.

Sentiu-se realizado.

Com muito esforço, segundo ele, acaba de formar um filho pelo PROUNI e tem a mais velha no Ciências sem Fronteiras. Muito orgulhoso.

Enfim, Jurecélio, agora sem ter muito o que fazer na vida, resolveu fazer política.

Passou a comparecer à todas as manifestações a favor do impeachment de Dilma e da volta da ditadura militar. Ele acha que o melhor período do Brasil foi sob a ditadura, embora ainda fosse uma criança quando se deu o golpe.

E em 13 de março estará na Paulista, vestindo uma camisa da seleção brasileira novinha em folha e exigindo a prisão do odiado sapo barbudo.

Boa sorte, Jurecélio.


sábado, 5 de março de 2016

Prisão de Lula. Será que vão pagar pra ver?

Por Fernando Castilho



Charge: Aroeira


Perdemos um tempo imenso na elaboração de uma boa Constituição a servir de guia para nossos atos, mas agora ela já não serve mais para nada. Não temos mais Constituição. Somos um país sem lei. E com a ética dos bandidos. De toga ou sem.


Amigos, é bastante difícil neste momento usar a razão para escrever este texto. É tanta sordidez, que à todo instante o fígado e o coração insistem em ser protagonistas.

Portanto, a charge que fala por si só, do Renato Aroeira, com um humor extremamente refinado, serve não só para ilustrar o texto, como também como um unguento.

Não é preciso descrever todos os detalhes do que fizeram com Lula. Tudo já foi publicado na grande mídia e nos blogs, ditos sujos.

O quadro é extremamente grave.

A condução coercitiva foi uma provocação do juiz Moro e tenho certeza que a mando da Rede Globo.

A mando mesmo, inclusive com possível ligação de seu presidente Roberto Irineu Marinho, com direito a um ''não perca tempo! Faça já!'' E não foi só porque Moro recebeu prêmio da Rede Globo, mas sim porque ele é lacaio da mídia e da oposição.

Lula mexera com uma abelha ao mencionar o tríplex dos Marinho e esta lhe deu uma ferroada vingativa.

A ferroada atingiu a parte posterior da jararaca mas a boca continua bem ativa. E como.

O ex-presidente é um animal político ferido. Virou fera. E usou seu urro justamente para inflamar a militância e uni-la ao seu lado.

Mas se a abelha não matou Lula, causou-lhe uma inflamação bastante dolorida.

A operação toda foi por demais espalhafatosa e repercutiu na mídia estrangeira onde foi recebida com espanto. Lula não é um ex-presidente mequetrefe, mas sim uma celebridade fora do país, tendo o reconhecimento de grandes chefes de estado.

Aécio Neves, o homem por trás do helicóptero com 450 quilos de pasta de coca, do aeroporto construído em terras do tio-avô e das 3 delações que impunemente já sofreu, apressou-se em afirmar que Lula é um caso de polícia. O chato dá dor de estômago.

Mas o que mais contribui para o surgimento de uma gastrite é ver uma multidão de pessoas que não são ricas, não fazem parte da chamada elite, que tiveram suas vidas melhoradas durante o governo de Lula, xingarem-no e exigirem aos berros sua prisão.

A mídia há muito tempo se tornou niilista. Não tardou para que toda uma turba também niilista fosse formada. Pior, na medida em que renegam a Democracia, tornam-se fascistas. Uma ralé, nas palavras de Hanna Arendt, como a que deu suporte a Hitler.

O STF, que deveria ser o guardião da Constituição, agora volta-lhe as costas e criminosamente a trai.

A alcunha com que a Nação sempre foi conhecida e, que pelo menos nos governos Lula e Dilma foi esquecida, volta agora com força total. Somos mesmo uma República das Bananas.

Perdemos um tempo imenso na elaboração de uma boa Constituição a servir de guia para nossos atos, mas agora ela já não serve mais para nada. Não temos mais Constituição. Somos um país sem lei. E com a ética dos bandidos. De toga ou sem.

Mas é preciso que uma luz comece a iluminar os passos desses moleques que agora se arvoram no direito de governar de fato o país.

Se Dilma fosse presa sem provas, teríamos certamente resistência, mas não tenho certeza de sua real eficácia.

Mas se Lula for preso, sem o devido processo, sem o devido julgamento, sem as necessárias provas, haverá um banho de sangue no país. Não estou exagerando, mas se alguém achar que estou, é bom começar a se alfinetar para verificar se está vivo.

Em 1954 o povo, em grande número de pessoas, saiu às ruas para manifestar sua revolta, mas só depois que Getúlio Vargas se suicidou. O fato estava consumado, nada mais haveria que se fazer.

Mas Lula não se suicidará. E ao contrário daqueles tempos, o Partido dos Trabalhadores, os sindicatos, os movimento sociais, a CUT, a FUP. o MST, todos já estão entrando em prontidão.

Se agora há uma crise econômica no país, que aos poucos vem se arrefecendo, se agora há uma crise política profunda, eleve-se essas crises exponencialmente e não saberemos o que acontecerá à Nação.

Moro, Globo, oposição e fascistas sentirão na pele a inconsequência de seus atos.

Gente com capacidade intelectiva menor poderá confundir com ameaça.

Mas será apenas a consequência natural dos fatos.

Com licença, vou tomar agora um remédio para o estômago.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Adeus, senhora Democracia

Por José Luiz Teixeira




Adeus, senhora Democracia! Nesses 30 e poucos anos em que convivemos juntos, você não foi lá essas coisas, pois a sua mãe, a dona Abertura, sempre foi lenta, gradual e segura. Foi ela que a deixou assim, meio claudicante.


Meu amigo, José Luiz Teixeira, escreveu um texto muito conciso e que considero perfeito para descrever o atual momento em que Lula foi conduzido coercitivamente a depor.


Adeus, senhora Democracia! Nesses 30 e poucos anos em que convivemos juntos, você não foi lá essas coisas, pois a sua mãe, a dona Abertura, sempre foi lenta, gradual e segura. Foi ela que a deixou assim, meio claudicante. 

Mas sempre te vi como uma boa companhia. Por alguns momentos, graças a você, o povo pode falar, votar e escolher gente como a gente. 

Os miseráveis deixaram de sentir fome, a classe média viveu seus dias de princesa e a burguesia emburguesou mais ainda.

Mas a sua presença, cada vez mais constante no dia a dia dos cidadãos da classe econômica, começou a incomodar demais aquela turma da classe executiva, já obrigada a dividir aeroportos e até barrinhas de cereais. 

Sua filha mais velha, a Urna, sempre contrariava a vontade dos que tinham coisas mais importantes para fazer do que ficar estabelecendo cotas, criando bolsas, gerando empregos e oportunidades em plena crise mundial. Em 2014, ela foi caprichosa. 

Debochada. Aqueles 3% de diferença foi demais pra eles! E o Golpe, de tanto ser cutucado pelos inconformados, despertou do seu sono profundo. Dormiu de farda e acordou de toga.

Veio com uma fome que nem me contem. E uma sede de anteontem. Quem é da minha época e o conhece bem, deve pedir aos mais jovens para não ceder aos seus encantos nos momentos iniciais. 

Irá torturá-los lá na frente. Basta lembrar que até hoje só dá erva daninha no chão que ele pisou.