sábado, 1 de junho de 2024

Governo precisa se livrar de um parasita chamado Congresso Nacional

Por Fernando Castilho

Foto: reprodução Internet

No parasitismo, apenas um dos organismos envolvidos é beneficiado e o outro é prejudicado. Sabemos quem está sendo beneficiado e quem, prejudicado.

Lula está fazendo um ótimo governo, pois os índices, todos positivos, falam por si, mas ainda não há uma clara percepção do povo sobre isso. Enquanto não há, a extrema-direita, agora engrossada pela direita que dizem ser civilizada e de diálogo, cresce assustadoramente no Congresso, impondo sua vitória em pautas que prejudicam o país, mas dão aquele gostinho de derrotar Lula. E fazem estardalhaço com isso.

Os fascistas explodem os vídeos nas redes sociais com seus vídeos feitos pra lacrar e faturar muito dinheiro (estima-se que só Nikolas Ferreira lucre mais de 200 mil reais em monetização) e a percepção do povo começa a ser de que o governo é um fracasso.

Há uma divisão de tarefas. Enquanto o Congresso tenta ferrar com o governo Lula, a mídia se encarrega de minar a confiança nele. Além disso, já começa a apresentar uma alternativa a ele, o Tarcísio. Ações combinadas.

Em 2002, a direita, o mercado e a grande mídia deixaram Lula se eleger porque apostaram em seu fracasso, já que o cara era um simples metalúrgico e não teria a capacidade de governar. Apostaram na queda de Lula e, após ser demonstrada a total incapacidade de o PT governar com um projeto de nação com viés socialista, seria, de uma vez por todas, enterrado de vez.

Mas aconteceu o contrário. Criaram a ficção do mensalão em 2005 para tentar derrubar Lula, mas não deu certo. Porém, a investida seguinte logrou êxito ao provocar um golpe em Dilma e afastar definitivamente a esquerda do poder.

Nesse processo, acabaram por criar o monstro Bolsonaro. Exageraram na dose e perceberam, já bem perto das eleições que poderiam terminar sendo comidos pelo monstro fascista que conduziria o Brasil a uma ditadura duradoura. Tentaram, então, uma terceira via, mas esta não vingou. A única saída foi fazer campanha contra a reeleição de Bolsonaro. Vejam que em nenhum momento fizeram campanha para eleger Lula. Este venceu por pouco.

A direita não vai querer correr o risco de ver o PT vencer novamente eleições seguidas. Desta vez, não. Vai tentar destruir Lula antes que ele consiga mais êxitos e consiga mostrar à população que o governo é ótimo.

Não tenho dúvidas de que a guerra contra ele será antecipada e violenta. E já começou. Percebam que toda a ajuda bilionária e inédita ao Rio Grande do Sul ainda não foi reconhecida devido ao trabalho incessante dos fascistas em propagar fake news. Lula, porém, não é neófito e já deve estar se preocupando com isso. O problema é que ele parece estar sozinho. Nenhum de seus ministros consegue acompanhar seu raciocínio e fazer uma análise de conjuntura afiada como ele. Principalmente os de direita que estão no governo, mas também Haddad, que parece preocupado em tentar agradar o mercado, esse mesmo que lhe dá índices pífios de aprovação em pesquisas.

Porém, algo me diz que Lula prepara alguma coisa para reagir. Uma boa ideia, creio que seria, chamar o Zé Dirceu para o governo. Para estar próximo de Lula. Para fazer articulações. Ele é o único que acompanharia o raciocínio de Lula.

Mas, seja isso ou não, é preciso uma reação forte do governo. E tem que ser rápida.



segunda-feira, 27 de maio de 2024

DILMA - A Sangria Estancada

Por Fernando Castilho

Capa: Fernando Castilho


        INTRODUÇÃO DE DILMA – A Sangria Estancada

 

“O Inferno está cheio de boas intenções”

Samuel Johnson

 

“Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar.”

Aloysio Nunes Ferreira

 

“Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.”

Romero Jucá

 

 

Um movimento contrário ao aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus na cidade de São Paulo deu início às chamadas jornadas de junho de 2013.

Começou aos poucos e foi crescendo até se espalhar por todo o Brasil enquanto, qual camaleão, ia assumindo nova identidade e novos propósitos.

Enquanto o Movimento Passe Livre, de origem proletária, reivindicava aquilo que lhe parecia justo na época, meu coração e minha mente naturalmente a ele se juntaram, sabedores das agruras com que as pessoas pobres deste país tão desigual, que necessitam de transporte público para trabalhar ou estudar, enfrentam todos os dias.

Mas, também aos poucos, fui percebendo com estranheza que, no espaço de alguns poucos dias, a grande mídia, grandes jornais e revistas impressos e as redes de televisão e rádio, que no início apressaram-se em criticar e condenar o movimento, através de colunistas e editoriais, começaram a mudar de opinião acrescentando ao caso uma conotação mais política e ampliando o foco que antes era localizado, para todo o país.

Surgiu a figura do gigante adormecido que acordou indignado, ao mesmo tempo simbologia e senha que tomou as redes sociais de maneira avassaladora, como a querer nos mostrar que estávamos errados em conferir aprovação de quase 60% ao governo Dilma Rousseff somente um mês antes, segundo pesquisa Datafolha.

A conclamação a protestar contra o governo era difusa e artificial, pois nos ordenava a, como zumbis, sair às ruas com pautas confusas e genéricas como maior liberdade, fim da corrupção, reforma política etc.

No governo Dilma a liberdade nunca deixou de existir porque é o cerne da democracia. Nenhuma manifestação foi reprimida pela presidente.

É justo exigir o fim da corrupção, mas Dilma nunca foi corrupta, como as intensas investigações, a imprensa e o tempo comprovaram. A Polícia Federal e o Ministério Público sempre tiveram por parte de Dilma a autonomia necessária para investigar quem quer que fosse, inclusive o ex-presidente Lula.

A reforma política estava no Congresso, o responsável por aprovar as leis.

Mas então, o que queriam?

Dilma chegou a se pronunciar em rede nacional de televisão se mostrando favorável às reivindicações e se colocando ao lado dos que protestavam, mas, mesmo assim, as panelas batiam ruidosas em protesto.

Mas quem era essa presidente que de uma hora para outra passou do paraíso para o inferno?

Nossa primeira presidente mulher é uma figura com personalidade complexa. Ainda jovem, insurgiu-se contra a ditadura militar, ingressando na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Passou quase três anos em reclusão, de 1970 a 1972, período em que foi brutalmente torturada.

Graduada em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ingressou no Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Leonel Brizola.

Foi Secretária da Fazenda na Prefeitura de Porto Alegre, em seguida, Secretária de Energia, Minas e Comunicações do governo Alceu Collares, e mais tarde do governo Olívio Dutra, ambos no Rio Grande do Sul.

Durante o governo Lula foi ministra de Minas e Energia.

Como se vê, Dilma Rousseff não era nenhuma neófita quando foi escolhida para ser a sucessora de Lula e isso foi demonstrado em seu primeiro mandato considerado exitoso, de 2010 a 2014, mas isso não impediu que ela fosse chamada a partir de 2015 de ignorante, burra ou anta. Chegaram à grosseria de vaiá-la e xingá-la com palavrões em pleno Itaquerão lotado quando da abertura da Copa do Mundo, viabilizada por ela, contra todos os prognósticos negativos da mídia e dos partidos de oposição que já se articulavam para o golpe de estado que a derrubaria.

Dilma também errou. Dona de uma personalidade de característica mais técnica que política, não ouviu Lula e seus conselheiros mais próximos quando estes a alertaram do risco do golpe que se avizinhava, mantendo-se inflexível em sua postura republicana, acreditando que, por não ter cometido crime algum de responsabilidade e por não ser corrupta, o processo de impeachment que já se tramava não prosperaria na Câmara dos Deputados.

Foi no início de 2014, ano eleitoral em que a presidente e seu projeto de continuidade com os projetos sociais iriam ser postos a prova, que cerca de 380 textos analíticos, dos quais 89 compõem este livro, começaram a ser escritos. Esses textos foram publicados em blog próprio, em outros blogs de esquerda e também nas redes sociais.

Naturalmente, alguns geraram debates intensos e relativa repercussão.

Neles há análises que incluíram previsões que se realizaram e outras que não. A maioria sim. Por exemplo, quando já antes das eleições de 2014, este escriba era voz quase solitária a defender que haveria golpe de estado. Ou quando, muito antes de se aceitar o fato, falava da prisão de Lula num texto contestadíssimo pela esquerda republicana que confiava piamente nas instituições.

Em 2016 já aventava a possibilidade da eleição de Jair Bolsonaro em 2018, embora a descartasse como certa porque seu adversário seria Lula e este, naquele momento era imbatível. O tempo mostrou que com Lula preso e com um atentado a faca ainda nebuloso que provocou comoção nacional, o capitão aproveitou para ser eleito.

Os textos foram aqui reunidos sem artificialismos destinados a corrigir ou atualizar as análises feitas na época, portanto, a não ser por revisões de eventuais erros de português, são originais.

Logicamente, não compareço aqui como visionário, mas tão-somente como uma testemunha ocular de um período de nossa História cujos detalhes temos a tendência de esquecer. Em cada um deles houve empenho na pesquisa, olhar arguto e capacidade de análise.

O livro é quase um diário. Foi escrito quase que diariamente e se colocasse aqui todas as palavras, o número de páginas seria muito grande. Preferi, por isso, publicar apenas os textos mais significativos. Alguns poderão ser acessados através de leitura de QR Code.

Na maioria das análises acrescentei ao final comentários que remetem aos dias atuais a título de comparação, o que permite iniciar reflexões sobre os desdobramentos dos acontecimentos passados e explicitar a evolução surpreendente dos fatos iniciados naquele ano de 2014 que culminaram na eleição de um governo de características fascistas destinado a destruir todos os avanços civilizatórios construídos não sem esforço durante muitos anos, tentar um retrocesso de volta a ditadura e contribuir decisivamente para a morte de mais de 700 mil pessoas pela Covid-19.


Adquira em 

https://clubedeautores.com.br/livro/dilma



quinta-feira, 16 de maio de 2024

A arte de escrever

Por Fernando Castilho


Meus amigos, há mais de 10 anos escrevo para este blog.

No meio dessa caminhada, escrevi 4 livros, além de um, ainda em construção, composto por haikus (poesia japonesa constituída pela métrica de fonemas 5-7-5) escritos em japonês.

Colaboro com sites como Brasil 247, Revista Fórum, Construir Resistência e Piauí Hoje.

Sou colunista semanal do Jornal GGN.

Ao mesmo tempo, exercia a profissão de professor, porém, envolvido com trabalhos free lancer de revisão de textos, decidi me dedicar somente à atividade literária.

A revisão de textos é atraente, desde que o revisor consiga penetrar na mente do escritor e descobrir seu estilo. O desafio é manter esse estilo e não impor o próprio. Penso que isso é tão importante quanto dar ao texto o português correto.

Já havia, em meus 4 livros, feito também a diagramação e, por isso, adquiri também essa experiência.

Um desafio na arte literária a que me proponho é ser ghost writer, aquele escritor que coloca no papel as palavras de alguém que não tem muita familiaridade com textos ou sente dificuldades com a redação. Anseio muito por isso e espero que surja logo essa oportunidade.

Outro desafio é biografar. Acho fascinante escrever sobre a vida de uma pessoa.

Contar a história de uma família também é uma atividade atraente e desafiadora.

Portanto, leitor, se tiver conhecimento de alguém que esteja necessitando de meus préstimos, por favor, me recomende. O trabalho será feito com muita dedicação e correção. Podem me contatar pelo WhatsApp (11) 99717-9838.

Enquanto isso, continuem a acompanhar meus textos neste blog. Em breve darei continuidade.

Obrigado!





terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Bolsonaro Nostradamus

Por Fernando Castilho

Foto: G1, por Daniela Lima, Bruno Tavares e Fábio Santos


Se a Abin, durante o governo anterior se prestava a isso, não se pode admitir de forma alguma que, passado um ano de administração Lula, ela ainda esteja a serviço da família do ex-presidente.


Quarta-feira, 24 de janeiro.

 

Jair Bolsonaro publica uma postagem enigmática no X, no melhor estilo Nostradamus:

- As próximas semanas poderão ser decisivas.

- Vivemos momentos difíceis, de muitas dores e incertezas.

- "Quando um ímpio não quer que você olhe para um lado da estrada, ele bota fogo no outro lado da mesma, pois assim ninguém saberá do mal maior que ele fez do lado que você não olhará."

- Deus, Pátria, Família e Liberdade.

- Jair Messias Bolsonaro

A postagem causou alvoroço nas redes sociais e nos jornalões. Parecia que o ex-presidente previa que num futuro muito próximo algo iria lhe acontecer. Ou a um de seus filhos, talvez.

Domingo, 28 de janeiro.

 

Bolsonaro, junto a seus 3 primeiros filhos (o 04, Jair Renan e a ex-primeira-dama, Michelle, não estavam presentes porque o patriarca somente leva em consideração seu núcleo familiar mais duro), faz uma live para entre outras coisas, desacreditar mais uma vez o sistema eleitoral e sugerir perseguição no caso do escândalo da Abin. O outro assunto foi o lançamento de um curso para conservadores a ser ministrado por Eduardo e Carlos, ora vejam. Se passou pela sua cabeça, leitor, que esse curso que custa 300 reais poderá servir como lavagem de dinheiro, você só está sendo maldoso e imaginando coisas, viu?

Segunda-feira, 29 de janeiro.

 

A Polícia Federal faz busca e apreensão nos endereços de Carlos Bolsonaro, tanto na Cãmara de Vereadores do Rio de Janeiro, como no Condomínio Vivendas da Barra onde reside. Além disso, não escapou à PF bater à porta da mansão de Bolsonaro em Angra dos Reis, onde foi gravada a live.

Os Bolsonaro não estavam em casa. Teriam saído para pescar entre 5 horas da madrugada e 6 e meia, de acordo com várias versões.

A PF, incumbida de apreender os celulares de Carluxo, aguardou pacientemente até o meio-dia quando o vereador voltou à casa. Não se sabe se trazia peixes com ele. O celular foi apreendido.

O que temos, então?

Numa escala de 0 a 10, a suspeita de que a familícia foi avisada por alguém da PF (ou mesmo da Abin) pode estacionar no número 9.

Uma comunicação via WhatsApp de uma assessora de Carluxo foi interceptada pela PF. Na mensagem, a assessora pedia ao delegado Ramagem, então ainda chefe da Abin, informações sobre a família Bolsonaro, demonstrando cabalmente que a agência atuava para sua blindagem, uma nova forma de corrupção e apropriação do Estado para benefício particular do governante.

E se a Abin, durante o governo anterior se prestava a isso, não se pode admitir de forma alguma que, passado um ano de administração Lula, ela ainda esteja a serviço da família do ex-presidente.

Durante o governo de transição, ainda em 2022, Lula já deveria ter dado ordens ao general GDias, escolhido como ministro do GSI, para que mapeasse todos os funcionários da pasta para cortar as cabeças dos bolsonaristas com algum poder de comando, mas não o fez. O resultado todos sabemos, pois ficou explícito no famigerado dia 8 de janeiro de 2023.

O que não sabíamos é que a Abin, um dos órgãos mais sensíveis, pois trabalha essencialmente com informação, um dos bens mais importantes para um governo, manteve durante todo o ano de 2023 bolsonaristas, incluindo aí o nº 2 da pasta!

Isso significa pouco? Não, significa que, tanto Ramagem (que mantinha ainda um computador em casa pertencente a Abin, o que tem que lhe custar uma acusação por crime de peculato) quanto Carlos Bolsonaro e, por consequência, Jair Bolsonaro, recebiam diariamente informações sensíveis sobre o governo, os ministérios e o próprio Lula. Quiçá, também sobre ministros do STF e presidentes da Câmara e do Senado. E se isso pode se caracterizar como sendo de uma gravidade extrema, o mesmo se pode dizer da responsabilidade do governo em manter essa estrutura.

Não se defende aqui, de maneira nenhuma, a extinção da Abin. A agência tem muita importância estratégica para o Estado. Não se pode derrubar a floresta para matar a onça. É preciso que muito rapidamente se faça a tardia limpeza.

Para encerrar, uma pitadinha do que a burrice e incompetência podem causar. Jair Bolsonaro, em entrevista à Jovem Pan, ao ser indagado sobre o fato de a assessora de Carluxo ter consultado Ramagem sobre a família, perguntou: “qual é o problema nisso?” É sério, ele admitiu o crime.

Fábio Wajngarten, o advogado de seu Jair, talvez tenha um dos piores empregos do mundo, pois, a todo momento tem que lidar com a língua destravada de seu cliente que insiste em produzir provas contra si mesmo.