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terça-feira, 9 de junho de 2026

As luzes do Maik

Por Fernando Castilho




 

Ao assistir ao vídeo gravado pelo Maik, levei um susto imediato: tudo parecia indicar que ele mostrava um objeto não identificado cheio de luzes. Desde criança sempre quis acreditar (e por um bom período da minha vida realmente acreditei) que somos visitados por alienígenas. No entanto, o estudo da física sempre soprava no meu ouvido: é falso.

 

Há alguns anos, quando ainda lecionava, para oferecer respostas mais embasadas aos meus alunos de física, fiz o curso EAD Astrofísica para Todos, da UFSC, ministrado pelo professor Alexandre Zabot. Foi nesse curso que compreendi o quanto cientistas dedicados conseguiram responder às grandes indagações humanas. Como sabemos a distância da Terra à Lua sem usar uma trena? Como sabemos a composição de um planeta sem nunca termos escavado seu solo? As respostas estão na física e na matemática. E é impressionante a capacidade e a inventividade humanas de utilizá-las para desvendar o universo.

 

O caso Maik, porém, havia dado um nó na cabeça. Aquele objeto simplesmente não poderia ter vindo de outro planeta, porque as leis da física impedem. Notadamente, a Teoria da Relatividade de Einstein, formulada em 1905, continua sendo um dos principais guias da astrofísica e jamais foi desmentida.

 

Primeiro ponto: a hipótese de o objeto ter vindo de algum planeta do Sistema Solar é descartada, já que nenhum deles abriga vida inteligente. Restaria, então, a possibilidade de um exoplaneta. Mas aí tudo se torna inviável.

 

O exoplaneta mais próximo da Terra é Próxima B, que orbita uma das estrelas do sistema Alfa Centauri, a 4,2 anos-luz de distância. Isso significa que, se apontarmos um feixe de laser para lá, ele levará 4,2 anos para chegar. Uma nave, viajando à velocidade da luz, também levaria esse tempo, e ainda teria que sustentar seus tripulantes durante o percurso.

 

Além disso, pela fórmula E = mc², quanto maior a massa de um objeto, maior a energia necessária para acelerá-lo. Na prática, impulsionar uma nave de apenas 1 kg à velocidade da luz exigiria cerca de 90 quadrilhões de joules — o equivalente a toda a eletricidade consumida pelo Brasil em um ano inteiro! Já uma nave de verdade exigiria energia infinita, o que é uma impossibilidade. Portanto, esqueçamos essa possibilidade: nenhuma nave consegue viajar nem próximo dessa velocidade.

 

Atualmente, a nave mais veloz já construída pelo ser humano é a Parker Solar Probe, que atinge cerca de 700.000 km/h. Considerando que 4,2 anos-luz equivalem a aproximadamente 40 trilhões de km, essa sonda levaria cerca de 17.000 anos para chegar a Próxima B. E esse é o planeta mais próximo da Terra. É como se uma formiga tentasse sair da China e chegar a Portugal caminhando.

Compreendem o desafio?

 

Alguém pode perguntar: “E os tais buracos de minhoca?”

 

Eles são uma formulação teórica: dobrando o espaço-tempo como uma folha de papel, poderíamos sair da Terra e surgir em outro planeta em pouco tempo. Mas para isso seriam necessários níveis de energia tão absurdos que sequer conseguimos imaginar. Outra impossibilidade.

 

Portanto, há barreiras físicas que simplesmente não conseguimos ultrapassar. Nem agora nem no futuro com toda a tecnologia avançada. Muito provavelmente existe uma quantidade gigantesca de espécies inteligentes espalhadas pelo universo, mas tão distantes umas das outras que não conseguem se comunicar. É como uma formiga no Brasil tentando se comunicar com outra na Austrália.

 

Se Maik agiu para ganhar seguidores ou por ingenuidade, deixo a conclusão para vocês. Porém, pelo que se sabe, ele não tem conhecimento de astrofísica.

 

Mas, Fernando, você nunca viu luzes estranhas se movimentando no céu noturno? Sim, acho que como quase todo mundo. Porém, são apenas isso: luzes estranhas. Podemos especular e sonhar. Mas, se investigarmos com seriedade, veremos que há explicações físicas para elas. Sempre há.


Como para as luzes do Maik.

 

quinta-feira, 27 de julho de 2023

Eles estão mesmo entre nós?

Por Fernando Castilho

Foto: reprodução Twitter

Ex-oficial da Força Aérea afirma no Congresso norte-americano que o governo mantém restos mortais não humanos.


Notícia curtinha publicada no Uol dá conta de que o ex-oficial de inteligência da Força Aérea dos Estados Unidos David Grusch, depondo em audiência sobre OVNIs no Congresso norte-americano afirmou que os EUA há décadas trabalham em engenharia reversa em veículos de origem alienígena para entender e replicar a tecnologia utilizada por eles.

Além disso, Grusch disse haver restos mortais não-humanos em poder do governo.

A febre por OVNIs, iniciada na década de 1940 com o caso Roswell, deu um tempo durante os últimos 20 anos e parece retornar com alguma força desde que balões foram abatidos por caças norte-americanos.

O governo dos EUA vem abrindo seus arquivos sobre avistamentos, notadamente os da força aérea, que permaneciam secretos dando gás a inúmeros livros e filmes de ficção científica, especulações e teorias da conspiração.

Este que escreve, por muito tempo também acreditou na possibilidade de estarmos sendo visitados por inteligências extraterrestre, mas, felizmente, a curiosidade sobre o tema obrigou-me a me aprofundar nas pesquisas sobre o tema e a compreender a mecânica do Universo para corroborar ou não das especulações.

Primeiramente é preciso lembrar que nossa civilização somente há apenas cerca de 100 anos vem sendo capaz de perscrutar o Universo através de telescópios, sondas e ondas de rádio e poderá, dependendo de como lidarmos com o planeta, durar mais outros 100 anos ou um pouco mais.

Essa janela de tempo é extremamente curta diante da idade do Universo que é estimada em 13,8 bilhões de anos. O que quero dizer é que teria de haver uma absurda coincidência encontrarmos outra civilização com uma janela um pouco maior, já que imaginamos que ela deva ter uma tecnologia mais avançada que lhe permita vencer enormes distâncias para chegar à Terra. E essa é outra questão.

Estima-se que o Universo tenha alguns sextilhões de planetas e um grande número deles com potencial para abrigar vida inteligente capaz de realizar viagens espaciais. Porém, as distâncias entre esses planetas são incomensuráveis.

Para se ter uma ideia, o planeta mais próximo da Terra, fora do Sistema Solar, é Próxima Centauri que não sabemos nem se é habitável, quanto menos capaz de ter vida inteligente.

Próxima Centauri dista 4 anos-luz da Terra. Isso equivale a dizer que sua distância é de cerca de 40 trilhões de quilômetros. Se a Terra fosse do tamanho de uma bola de futebol, proporcionalmente, sua distância até Próxima Centauri equivaleria a quase a distância são Paulo-Rio de Janeiro. Portanto, não haveria possibilidade técnica de empreender uma viagem como essa com a tecnologia que conhecemos hoje.

A nave mais rápida já construída pela humanidade é a Parker Solar Probe, da NASA. Em seu pico, atinge cerca de 700.000 km/h — um recorde absoluto para um artefato humano.

Se pudesse manter continuamente essa velocidade (o que, na prática, não ocorre), levaria aproximadamente 6.500 anos para alcançar Proxima Centauri. Trata-se de um intervalo comparável ao tempo que separa o Neolítico — quando começaram a surgir as primeiras cidades — da nossa própria era.

Nesse marco inicial, ainda faltariam cerca de dois milênios para que, no Egito, fossem erguidas as grandes pirâmides.

Mas poderia, hipoteticamente, haver uma saída e ela seria pela teoria do buraco de minhoca.

Quando você tem uma enorme distância a percorrer, se conseguir dobrar o espaço-tempo, teoricamente, poderia vencer essa distância.

Porém, como nem tudo são flores, para se construir um buraco de minhoca, seriam necessárias quantidades inimagináveis de energia, possivelmente maiores do que nosso Sol fornece.

Daí entramos na Escala de Kardashev que propõe que possam existir no Universo civilizações de 3 tipos:

Tipo I: Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de um planeta. Obviamente, ainda não chegamos a este estágio.

Tipo II: Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma estrela. Estamos muito longe de aproveitarmos toda a energia do Sol.

Tipo III: Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma galáxia.

Sim, uma civilização capaz de viajar por um buraco de minhoca teria que ser do tipo III.

Então, teoricamente, há realmente a possibilidade, ainda que remota, de sermos visitados por seres alienígenas e isso quem crê na evolução da Ciência, não a pode negar.

Chegando neste ponto, não temos como fugir da pergunta: uma civilização avançada até onde nós não somos capazes de compreender, enviaria balões ou discos voadores à Terra? E para quê?

Além disso, como aceitar que esses dispositivos se deixariam ser abatidos por nossa tecnologia extremamente inferior? Faz sentido? Eles não disporiam de sistemas de segurança, ainda que passivos?

Não seria uma desobediência de protocolo de um povo alienígena permitir que sua nave seja abatida causando a morte de seus tripulantes e a possibilidade de que sua tecnologia seja desvendada pelos terráqueos que certamente a utilizariam para fins não pacíficos? E quais seriam as consequências desse ato? Deixariam por isso mesmo, ou revidariam?

Mas, como às vezes o inesperado faz uma surpresa, como diz a música de Johnny Alf e João Gilberto, se for verdade o relatado por David Grusch, um simples exame de DNA nos restos mortais ditos não-humanos poderá trazer uma verdade à tona e desfazer todas essas reflexões.

A aguardar.