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sábado, 5 de agosto de 2023

Tarcísio manda vigiar professores!

Por Fernando Castilho

Bolsonarismo a todo vapor em São Paulo!
O secretário de educação de São Paulo determinou que os diretores assistam às aulas dos professores duas vezes por semana e elaborem relatórios para as diretorias de ensino. Ou seja, os professores, além de toda a humilhação que já passam no dia a dia, agora serão vigiados!

Para quê insistir na profissão de professor?

O professor da rede estadual do Estado de São Paulo sempre foi tratado pelos governos do PSDB como um semicidadão e agora, talvez nem com semi.

Os baixos salários do professor são um problemão na hora de pagar as contas, mas não são o único, já que ele é desvalorizado e humilhado o tempo todo, não só por alunos que não querem aprender, mas sobretudo pela estrutura imposta pelo governo do estado às escolas.

Se o professor vai aplicar uma prova, que não conte que a escola vá imprimi-la. Ou ele dita as questões para os alunos, o que toma um tempo considerável, ou ele usa sua própria impressora e depois paga a impressão das cópias com seu próprio bolso numa copiadora qualquer.

Se o professor deseja dar uma aula mais atrativa utilizando o aparelho de televisão da sala de aula, que não conte com Internet porque ela dificilmente chega a essa sala. Alguns usam a Internet de seu próprio celular. Outros utilizam seu computador em casa para gravar o conteúdo em pen-drive para depois passá-lo na sala de aula. Trabalhar com simuladores, então nem pensar.

As antigas lousas de giz foram substituídas por lousas brancas em que é preciso se escrever com canetinhas com tinta hidrocor especial que permitem que o conteúdo seja apagado. O estado se orgulha desse “avanço” tecnológico, mas se “esquece” de fornecer as canetinhas e os refiz. Então, se quiser dar aula, o professor precisa comprar as canetinhas ou os refiz. Lembro que em países desenvolvidos, a louça de giz continua a ser utilizada, mas aqui é Brasil.

O professor, quando precisa preparar uma aula, corrigir provas e trabalhos, ou atribuir notas aos alunos, tem que fazê-lo dentro da escola, não sendo permitido que o faça em sua casa. Há casos em que o professor comparece à escola num determinado período só para fazer essas atividades chamadas de APD (atividades pedagógicas diversificadas).

Quando há um feriado numa quinta-feira, a escola emenda, pois os alunos não comparecem na sexta. Daí, a escola obriga o professor a repor as horas num sábado, mesmo que não haja alunos e mesmo que não haja nenhum tipo de atividade.

Esqueça apostilas. O ano letivo começa, mas elas não vêm. Talvez cheguem somente no segundo semestre. Então o professor tem que se virar com apostilas antigas ou seus próprios livros.

Para matérias como Projeto de Vida, por exemplo, nem apostilas há. Cada professor fica “livre” para perder seu tempo precioso para buscar conteúdo na Internet. E como não há uma metodologia pedagógica unificada para isso, vai valer o feeling do professor, que nem sempre é bom.

Os dias de calor são insuportáveis, pois não há aparelhos de ar-condicionado, as salas de aula, apesar de serem varridas, acumulam muita poeira, causando dificuldades respiratórias não só para o professor, mas também para os alunos. As salas dos professores e os banheiros são sofríveis.

Grande parte, talvez a maioria dos professores, leciona em mais de uma escola. Por isso, há uma correria para chegar de uma escola a outra a tempo. Mas, na maioria das escolas, não há tolerância quanto a atrasos. Nem um minuto! Simplesmente não abrem a porta.

Além disso tudo, o professor tem que tomar muitos cuidados em sala de aula. Não pode tocar o aluno. Em caso de briga, deve tentar apartar com palavras para que não seja acusado de ferir o aluno. Tem que medir muito bem suas palavras para não ser mal interpretado. Deve evitar a todo custo falar sobre religião, política ou sexo, pois é possível que o aluno o entregue aos pais.

Numa pendenga com algum aluno, quase sempre quem sai perdendo é o professor, já que os pais via de regra se colocam ao lado de seu filho. E nos tempos de bolsonarismo isso tem sido particularmente comum.

O governador carioca, Tarcísio de Freitas, é contra as câmeras nas fardas dos policiais militares, mas é a favor de que os professores sejam vigiados por câmeras nas salas de aula. O secretário de educação acaba de determinar que os diretores assistam às aulas dos professores duas vezes por semana e elaborem relatórios para as diretorias de ensino. Ou seja, além de tudo, os professores passarão a ser vigiados, o que fere a autonomia e a Constituição! Além disso, todos sabemos o quanto os diretores já são sobrecarregados.

Enfim, a vida do professor da rede estadual de São Paulo é muito diferente da vida de um profissional numa empresa qualquer. Mais um pouco de precarização do trabalho e ele se tornará escravo.

Mas, São Paulo escolheu um governador carioca para mudar tudo isso, não?

O que os professores esperavam de Tarcísio não era que ele fosse diferente de Alckmin, mas ele começa a ser.

Tarcísio escolheu para secretário da educação um paranaense ligado ao ensino privado e a empresas de tecnologia.

Dessa forma, implementando mudanças na estrutura das escolas paulistas, para economizar, os livros didáticos físicos serão abolidos dando lugar aos digitais.

Como relatado acima, obter os livros didáticos já não era tarefa fácil. Agora, sem Internet nas salas de aula, como será possível dar aulas?

A Secretaria de Educação comprou milhares de tablets, mas em número muito insuficiente para suprir todos os alunos da rede pública. Cabe notar que esses tablets são da marca Multilaser, empresa da qual Renato Feder, o secretário de educação, era CEO até o ano passado. Claro que se a licitação não foi direcionada, não haverá nada de errado nisso, porém, é estranho.

A falta do livro didático não afetará somente o professor, mas também o aluno que não mais terá um material físico para suas atividades, lições de casa e estudo. Quem não possui computador em casa, celular e Internet, sai em grande desvantagem para disputar um lugar no mercado de trabalho quando se formar ou terá enormes dificuldades se ousar disputar um vestibular para a faculdade. E talvez seja essa a intenção para privilegiar os estudantes de escolas privadas num primeiro momento e em outro momento, com as escolas já sucateadas, promover a privatização do ensino público.

Assim caminha a educação no estado que mais arrecada no Brasil.

Tarcísio, definitivamente, vem fazendo a diferença em São Paulo. Para pior.


sexta-feira, 4 de agosto de 2023

A barbárie e o medo usados para fins políticos

Por Fernando Castilho

Foto: reprodução José Emídio/Governo do Estado de São Paulo

Tarcísio volta aos tempos em que havia uma guerra de todos contra todos, anterior a criação do Estado.


O tema é recorrente nos filmes de faroeste: o bandido chega a uma cidadezinha, entra no saloon, bebe um pouco e começa a importunar os presentes. À certa altura os ânimos ficam acirrados, o forasteiro saca sua arma, mas o xerife é mais rápido no gatilho e o mata.

A notícia se espalha rapidamente e chega aos ouvidos do bando ao qual o defunto pertencia. É chegada a hora da vingança.

Armados até os dentes os bandidos já chegam na cidadezinha atirando. Seriam 8, 10, 12 OU 16 as pessoas mortas? Ou seriam mais?

A analogia é imperfeita, eu sei. E os sinais entre bandidos e mocinhos estão trocados. Porém, o cenário de velho oeste em que se transformou a cidade de Guarujá é coerente.

Há, contudo, uma diferença gritante: No filme, a vingança foi feita por foras da lei e na vida real, por agentes da lei, profissionais treinados pelo Estado para prender bandidos garantindo a segurança dos cidadãos.

Certamente nossa classe média deve estar exclamando “BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!”

Guarujá e muitas outras cidades Brasil afora vivem hoje uma situação de insegurança, principalmente porque o número de armas nas mãos de bandidos aumentou muito graças as decisões do ex-presidente que liberou geral para os CACs. Armas não procriam como coelhos, mas são colocadas na bandidagem por quem, utilizando-se do privilégio de possui-las legalmente, as repassam por preços módicos. Devido à essa sensação de insegurança, o cidadão médio vibra quando algum suspeito é assassinado sem o devido processo legal e a culpa formada. E se morreu, torna-se desinteressante provar que o cidadão era inocente, pois não volta mais.

Além de tudo isso, é preciso acabar com essa loucura que acomete nossos policiais toda vez que um companheiro é assassinado. Claro, é muito difícil ter sangue de barata, mas treinamento e punição exemplar contra excessos servem para isso mesmo.

Pelos relatos, que podem ser verdadeiros ou falsos e que só podem ser comprovados pelas câmeras nos uniformes dos policiais, houve torturas e execuções, ou seja, nossos agentes da lei descumpriram a lei arvorando-se juízes e algozes.

E não estou falando que os mortos não eram todos bandidos perigosos que não receberam os policiais à bala. Novamente, isso saberemos quando as imagens das câmeras forem liberadas (esperemos que sejam realmente e que não estejam adulteradas).

Por isso, caso os PMs tenham cometido crime, deverão ser punidos na forma da lei.

Porém, aqui entra o fator Tarcísio.

O governador já afirmou à imprensa, sem nenhuma investigação, que os policiais agiram extremamente (sic) dentro da lei, contestando a ouvidoria da própria Polícia Militar.

Tarcísio volta aos tempos em que havia uma guerra de todos contra todos, anterior a criação do Estado. A barbárie imperava e a lei do mais forte prevalecia. Somente com a criação do Estado as pessoas puderam dormir com mais segurança. Por óbvio, desde sempre as leis protegem os que possuem propriedades privadas e, portanto, são poderosos.

Baseado nessa lógica, é preciso acreditar muito em histórias da carochinha para confiar que Tarcísio de Freitas punirá os policiais.

Mas o que pretende Tarcísio? Ele não vinha dando sinais de que estava aos poucos rompendo com o extremismo de Bolsonaro para assumir o vácuo de uma direita mais civilizada que governou São Paulo por tantos anos? Até os bolsonaristas radicais se surpreenderam.

Parece que Tarcísio pretende, com sua atitude, trazer os policiais militares do estado para seu lado, dentro da estratégia de rompimento com o capitão.

Além disso, tenta trazer de volta para seu lado os bolsonaristas que o abandonaram depois que ele se colocou a favor da reforma tributária, como quem diz: "olha, eu faço o que vocês gostam!" "Eu sou igual ao Bolsonaro!"

Hoje, em toda a Baixada Santista, o clima é de medo e insegurança. Notícias dão conta de ameaças de grupos de traficantes em implantar o terror à população, mas, numa filtragem rápida, percebe-se uma estratégia de Tarcísio de assustar as pessoas induzindo-as a incondicionalmente se colocarem do lado da polícia.

É muito triste e nojento usar a barbárie cometida no Guarujá para fins políticos.