Por Fernando Castilho
No
dia seguinte à chegada de Nikolas a Brasília, coincidindo com aquele episódio
do raio que atingiu 89 pessoas, felizmente sem mortes, surgiram, em sites e
perfis da esquerda, comentários apressados de que a caminhada teria “flopado”,
de que Nikolas saíra derrotado e de que Alexandre de Moraes jamais cederia à
pressão, frustrando o objetivo da empreitada.
Essa
leitura, a meu ver, é equivocada.
Nikolas
conseguiu exatamente o que queria. Em nenhum momento seu objetivo real foi
convencer Alexandre de Moraes a soltar Bolsonaro. Pelo contrário: Bolsonaro
preso e inelegível é funcional aos seus planos. Nikolas precisa de um
bolsonarismo sem Bolsonaro. Sobretudo, sem o peso político e simbólico da
família Bolsonaro.
A
caminhada serviu, antes de tudo, como uma grande operação de autopromoção. Ele
precisava desviar o foco das notícias sobre seu nome constar na lista de
endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E
conseguiu.
Precisava
também produzir uma sequência interminável de vídeos, atualizações e registros
da caminhada, alimentando algoritmos, acumulando curtidas impulsionadas pela
Meta e convertendo engajamento em novos seguidores. E conseguiu.
Outro
objetivo central era manter distância calculada dos filhos de Bolsonaro (à
exceção de Carlos, que saiu rapidinho após uma possível reprimenda de Flávio),
de Michelle Bolsonaro e de Silas Malafaia. A ausência dessas figuras não foi um
acaso, mas parte da estratégia: desvincular sua imagem do clã e se apresentar
como algo “novo”, ainda que herdeiro direto do bolsonarismo. E, novamente,
conseguiu.
O
resultado é evidente. Nikolas se consolida como sucessor natural de Jair
Bolsonaro, logo atrás apenas de Flávio “Rachadinha” na linha de herança
política. Mais do que isso: ele já ultrapassou Tarcísio de Freitas, que até
então era visto como o único nome capaz de suceder Bolsonaro sem carregar o sangue
da família.
Hoje,
com 29 anos, Nikolas não pode disputar a Presidência em 2026 nem em 2030. Mas
2034 está logo ali. Se continuar crescendo nesse ritmo e não for politicamente
freado, o cenário é claro: Nikolas Ferreira será presidente do Brasil.
E
quem acha que a caminhada fracassou ainda está discutindo o meio do caminho,
enquanto ele já pensa na linha de chegada.
Cuidado
com o moleque.