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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O próximo slogan de Trump: Faça a America uma autocracia trumpiana

Por Fernando Castilho



Donald Trump encerrou o primeiro ano de seu segundo mandato com um saldo simplesmente tenebroso, para os Estados Unidos e para o resto do mundo.

Impôs tarifas de forma unilateral, ajudando a empurrar a inflação para níveis perigosos; perseguiu trabalhadores estrangeiros, deportando-os ou enviando-os para a prisão de Bukele, em El Salvador, o que resultou em escassez de mão de obra e no fechamento de restaurantes e serviços; sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e agora ameaça tomar a Groenlândia, num roteiro que lembra perigosamente certos delírios expansionistas da Alemanha nazista.

Há muito mais, mas podemos parar por aqui. O excesso já cumpre sua função.

Trump não blefou ao criar o slogan Make America Great Again. Está cumprindo a promessa; Só que à sua maneira. Em nome de um patriotismo ruidoso e performático, trabalha incansavelmente para tornar o próprio país mais frágil, dividido e irreconhecível. A bandeira é exaltada enquanto a ideia de nação é esvaziada.

O descontentamento interno cresce a olhos vistos, impulsionado pela truculência do ICE, a “polícia migratória” que começa a parecer uma releitura moderna da Gestapo. Paralelamente, avança um processo silencioso, porém decisivo, de corrosão institucional: ataques sistemáticos à imprensa, deslegitimação do Judiciário, enfraquecimento dos órgãos de controle e a transformação do Estado em extensão da vontade pessoal do presidente. O mais preocupante é que tudo isso vai sendo naturalizado, tratado como ruído político, como se não estivesse em curso um desmonte deliberado das bases democráticas.

Um agente do ICE matou uma mulher americana somente porque ela ficou assustada e se afastou com seu carro. A versão oficial naturaliza o crime ao afirmar que o agente apenas reagiu à investida do carro da mulher que quase o atropelou. Mas o vídeo é conclusivo e desmente essa versão

No plano externo, a União Europeia finalmente parece despertar, observando com apreensão os desejos nada modestos do presidente norte-americano.

Como se não bastasse, Trump “aceitou” um Prêmio Nobel da Paz das mãos de Maria Corina, como se isso tivesse qualquer validade. E ainda escreveu uma carta ao primeiro-ministro da Noruega reclamando por não ter recebido o prêmio oficial, ignorando o detalhe irrelevante de que o Nobel não é concedido pelo governo norueguês.

Pode parecer somente loucura, mas também é ego em estado inflamado agudo.

Com as eleições de meio de mandato se aproximando, tudo indica que, diante do descontentamento generalizado, inclusive entre republicanos, Trump perderá a maioria no Congresso. Isso deve dificultar sua governabilidade e reacender o fantasma do impeachment.

O problema é que, a julgar por seu comportamento, o mais coerente é que ele não aceite limites institucionais, mas que os ignore. Em outras palavras: que tente se manter no poder à força, como quase fez Jair Bolsonaro.

Se isso ocorrer, o autoritarismo estará oficialmente decretado nos Estados Unidos, dando a Trump carta branca para seus devaneios. Virá repressão, muita repressão. A pergunta já não é mais o que ele é capaz de fazer, mas até onde os outros permitirão que ele vá. A América já viveu uma guerra civil. A história não costuma dar muitos avisos.

sábado, 10 de janeiro de 2026

A roleta russa de Washington: o mundo na era da brutalidade

Por Fernando Castilho



O mundo que conhecíamos, aquele erguido sobre os escombros fumegantes de 1945, cimentado por tratados multilaterais e pela previsibilidade diplomática, foi oficialmente enterrado em 2025. Ao iniciarmos 2026, a “aventura” de Donald Trump na Casa Branca deixou de ser um slogan de campanha e se transformou em um terremoto geopolítico. Não estamos diante de uma simples troca de governo, mas da substituição da ordem jurídica internacional pela “Lei do Mais Forte”, uma doutrina que brinca perigosamente com fósforos em um barril de pólvora global.

Assistimos, assim, ao fim da “Polícia do Mundo” e ao início do “Dono do Bairro”.
Washington não mais se apresenta como xerife, mas como síndico autoritário de um condomínio hemisférico. A captura de Nicolás Maduro no início do ano, somada à disposição de anexar a Groenlândia e invadir o México por terra, desenha um mapa mental digno de um CEO delirante que confunde geopolítica com fusões e aquisições. A nova Estratégia de Segurança Nacional é cristalina: os EUA não vão mais bancar a segurança da Europa ou a estabilidade da Ásia sem receber dividendos imediatos. E não vão tentar enganar mais ninguém com o velho discurso de levar democracia a quem não tem.

Para os aliados da OTAN, o recado foi um banho de água gelada: “Paguem ou protejam-se sozinhos”. Ao esvaziar sua presença militar no Leste Europeu e concentrar forças no Hemisfério Ocidental, Trump abre um vácuo que Putin e Xi Jinping podem interpretar como um convite para redesenhar fronteiras. Nesse cenário, o estopim de uma Terceira Guerra Mundial não viria de uma invasão americana, mas da ausência da dissuasão americana.

E como se fosse um trailer antecipado do caos, em 8–9 de janeiro de 2026, as Forças Armadas russas lançaram um ataque de grande escala contra a Ucrânia, com drones, mísseis convencionais e o hipersônico Oreshnik. Foi apenas a segunda vez que esse míssil foi usado, depois de um teste com ogivas inertes em 2024. A mensagem é clara: Moscou quer encerrar de vez a novela ucraniana e guardar munição para o próximo ato, possivelmente um conflito mundial.

O perigo iminente reside na natureza errática do atual governo americano. A diplomacia foi substituída por grosseria institucionalizada. Quando o presidente usa tarifas de 60% como se fossem cupons de desconto e autoriza operações militares unilaterais contra alvos iranianos ou sul-americanos, ele arranca as válvulas de escape do motor diplomático. Resultado: qualquer faísca, um drone abatido no Estreito de Ormuz, uma disputa sobre semicondutores ou o sequestro de um submarino russo, pode virar incêndio em questão de horas.

Vivemos numa era de “geopolítica do compliance”: países e empresas não seguem a lei, apenas tentam adivinhar quem terá força para ditá-la amanhã. É como jogar xadrez em um tabuleiro onde as peças mudam de regra a cada rodada.

Para o Brasil e o Sul Global, o dilema é pragmatismo ou isolamento. O retorno da Doutrina Monroe transforma Brasília em refém de um jogo duplo: de um lado, a chance de ocupar espaços deixados por uma China acuada; de outro, o risco de sanções caso não se alinhe ao script de Washington em temas como migração e segurança. E, claro, esse risco se estende às eleições de 2026, quando a imprensa hegemônica já afia suas penas para pressionar o governo Lula. Afinal, nada como um empurrãozinho midiático para acelerar o fim de um mandato incômodo.

A aventura trumpista é uma aposta de alto risco: o prêmio seria a hegemonia americana renovada, mas o preço pode ser o caos sistêmico. O risco de uma Terceira Guerra Mundial não é mais uma abstração ideológica; é a consequência lógica de um mundo sem árbitros, onde cada potência joga sua própria roleta russa.

Se 2026 já nos ensinou algo, é que a estabilidade global era um luxo que tratávamos como banal, mas que era necessário. Agora, resta saber se as outras potências terão a sobriedade que falta ao Salão Oval, ou se todos aceitarão o convite para essa roleta russa geopolítica. E não, não é trocadilho: é diagnóstico.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A simbiose do caos: Trump, o Deep State e a nova ordem pós-democrática

Por Fernando Castilho



Há uma leitura persistente, quase folclórica, de que Donald Trump e o Deep State, a burocracia permanente de inteligência e defesa dos EUA, habitam universos paralelos, mas em rota de colisão. No entanto, uma observação mais aguda da realidade geopolítica sugere o contrário: eles não estão em guerra, mas em uma simbiose de conveniência. Trump é o martelo ruidoso; o Deep State é a mão que direciona o golpe. Um casamento improvável, mas funcional, que se aproveita mutuamente para transpor o que ambos consideram um obstáculo obsoleto: a liturgia da democracia liberal.

 

As diatribes de Trump contra as instituições não são apenas retórica eleitoral; são testes de estresse. Por enquanto, ele ainda precisa driblar as engrenagens democráticas que atrasam decisões de força. Mas esse “por enquanto” tem data de validade. O americano médio, fustigado por crises de custo de vida, salários congelados desde 2008 e uma sensação de declínio nacional, começa a ver a democracia não como um direito inalienável, mas como um entrave burocrático que impede a “resolução de problemas”. Afinal, quem precisa de direitos quando se pode ter soluções rápidas, não é mesmo?

Quando o cidadão comum manda a democracia às favas, o líder ganha o salvo-conduto para agir como soberano. É nesse vácuo de controle institucional que o Deep State opera com maior liberdade, utilizando a figura disruptiva de Trump para executar manobras que nenhum político tradicional ousaria, até porque nenhum político tradicional teria coragem de fazer tanto barulho sem se importar com o ridículo.

 

O recente sequestro de Nicolás Maduro e a postura “pela metade” de Washington na Venezuela ilustram perfeitamente esse jogo. Por que não uma invasão total? Por que manter a estrutura do regime sob pressão em vez de derrubá-lo de uma vez? Talvez porque o espetáculo rende mais quando se prolonga.

 

A resposta pode residir no equilíbrio de forças globais. Ao manter um discurso “meio aliche, meio muçarela” na ONU, Trump segura as reações de Pequim e Moscou. Ele oferece um pragmatismo cínico: permite que a China e a Rússia mantenham seus interesses econômicos e minerais (como o acesso a terras raras, ouro e petróleo pesado) em troca de não interferirem na “limpeza” ideológica da região. É o famoso “cada um cuida do seu quintal, mas não reclame da bagunça do vizinho”.

 

O alvo real não é apenas o chavismo, mas seus tentáculos externos. A estratégia pode estar diante de nossos olhos, mas custamos a compreendê-la:

  1. Isolamento de Células Ideológicas: Desmantelar radicalmente a influência de Cuba e do Irã no hemisfério, removendo o suporte logístico e de inteligência que sustenta regimes autocráticos.
  2. Aposta na Implosão: Em vez de gastar bilhões em uma ocupação militar, os EUA fomentam as condições para uma guerra civil. Ao estrangular a economia e remover a cabeça do regime (Maduro), cria-se um vácuo onde as elites militares e as facções internas lutarão entre si. Isso já se tornou visível na noite de 5 de janeiro, quando drones sobrevoaram Caracas e ninguém entendeu absolutamente nada. Estratégia nova? Nem de longe.
  3.  

O objetivo é uma vitória por W.O.: derrubar o sistema venezuelano sem que o governo americano precise dar mais um tiro sequer após as operações iniciais. Se a Venezuela se tornar um campo de batalha interno, o Deep State americano poderá “gerenciar” o resultado através de procuradores, garantindo que o novo governo seja alinhado aos interesses de Washington, mas mantendo as mãos americanas formalmente limpas. Afinal, nada como parecer neutro enquanto se dita as regras do jogo. É por isso que Trump não empossou Maria Corina no governo venezuelano.

 

Estamos diante de uma nova doutrina de poder: menos diplomacia, mais erosão institucional; menos guerra direta, mais caos induzido. Trump e o aparato estatal descobriram que, no século XXI, o controle não vem da ocupação, mas da capacidade de ditar quem sobrevive ao colapso. E, convenhamos, é muito mais barato, e rende manchetes mais emocionantes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

De Varsóvia a Caracas: O retorno da força como linguagem diplomática

Por Fernando Castilho



O mundo assiste, em choque, às imagens do sequestro de Nicolás Maduro e à ocupação de pontos estratégicos na Venezuela pelas forças dos Estados Unidos. Para os historiadores, o eco de setembro de 1939 é ensurdecedor. Embora o século XXI se orgulhasse de suas instituições multilaterais e de uma arquitetura de paz aparentemente sólida, a Operação Determinação Absoluta, deflagrada por Donald Trump, guarda semelhanças perturbadoras com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista. O evento levanta uma questão existencial: o Direito Internacional sobrevive a este novo capítulo ou estamos apenas documentando o seu funeral?

A construção do pretexto para a agressão revela um padrão histórico de manipulação narrativa. Em 1939, Hitler utilizou a Operação Himmler, um ataque de falsa bandeira, para justificar a invasão da Polônia como uma "medida defensiva". Em 2026, a administração americana resgatou uma versão anacrônica e agressiva da Doutrina Monroe, moldada sob o conceito de "Autodefesa Hemisférica". Sob o argumento de que a Venezuela se tornou um "Narcoestado" que ameaça a segurança interna dos EUA via fluxo de fentanil e imigração descontrolada, Washington atropelou a soberania nacional venezuelana. Em ambos os casos, a retórica serviu para mascarar objetivos estratégicos de longo prazo: o Lebensraum (espaço vital) alemão e o controle das maiores reservas de petróleo do mundo pela administração Trump.

A rapidez da queda das defesas venezuelanas em 2026 mimetiza a eficácia assustadora da Blitzkrieg alemã. Enquanto a Polônia foi esmagada pela coordenação inédita de divisões Panzer e o terror vindo dos céus com a Luftwaffe em 28 dias, a Venezuela viu a cabeça de seu comando central ser decapitada em menos de uma semana por uma "guerra relâmpago" tecnológica, embora o restante do corpo esteja mantido. Em 2026, o campo de batalha foi definido por enxames de drones, ataques cibernéticos paralisantes à rede elétrica e ao sistema de defesa antiaérea, culminando no sequestro cirúrgico de Nicolás Maduro por forças especiais.

Essa disparidade militar absoluta não permitiu uma defesa convencional, empurrando o que restou das forças locais para a guerrilha e a resistência civil. O "Estado Secreto Polonês" de outrora encontra seu paralelo moderno nas milícias bolivarianas que agora se escondem no interior venezuelano, com o potencial de transformar o país em um barril de pólvora de insurgência.

A invasão da Polônia foi o "rastilho de pólvora" que ativou alianças e engolfou o globo. Hoje, o risco de uma Terceira Guerra Mundial não reside necessariamente em uma invasão terrestre entre superpotências, mas na ruptura total das cadeias globais e na "Putinização" da política externa americana. A reação do bloco BRICS, liderada por um Brasil que vê sua fronteira amazônica militarizada para evitar o transbordamento do caos, e uma China que observa seus investimentos petrolíferos serem confiscados, coloca o planeta em uma corda bamba. Se em 1939 o gatilho foi o expansionismo territorial europeu, em 2026 o estopim é a voracidade por recursos energéticos e a percepção de que países como Colômbia e México podem ser os próximos alvos de uma política de "limpeza regional" de Washington. E o Brasil, que se cuide.

A gravidade do momento reside no fato de que, diferente da Alemanha de 1939, os EUA implodem o sistema por dentro, ocupando uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Seja qual for o desfecho da ocupação na Venezuela, o paralelo histórico nos ensina que, quando o diálogo é substituído pela força unilateral, a ordem mundial que conhecemos deixa de existir. A invasão da Polônia enterrou a Liga das Nações; a invasão da Venezuela em 2026 pode ter acabado de redigir a certidão de óbito da ONU.

Hoje, o Direito Internacional parece reduzido a uma sugestão acadêmica, enquanto um faroeste geopolítico impera sem que haja xerifes. Resta saber se o mundo precisará passar por um conflito total para reescrever suas regras de convivência ou se a interdependência econômica de 2026 servirá como o último freio que faltou em 1939.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

"O Brasil não aguenta mais quatro anos com Lula!"

Por Fernando Castilho



Foi o que bradou o deputado Gustavo Gayer na tribuna da Câmara, ignorando solenemente todos os índices positivos do governo, inclusive o recorde histórico de 150 mil pontos alcançado ontem na Bolsa de Valores. No momento, confesso, fiquei indignado com o tamanho da mentira do deputado bolsonarista. Depois, respirei fundo e pus-me a pensar: qual é o Brasil de Gayer? O do povo, ou das elites?

Ora, Gayer é um dos lacaios que, ao longo da história, sempre estiveram a serviço das oligarquias e da elite que insiste em mandar no país, e que, claro, não admite perder um centímetro de seus privilégios. Foi essa mesma elite que, de mãos dadas com os militares, deu o golpe de 1964 e instaurou uma ditadura que durou 21 anos. Saudade, né?

A frase do deputado, aliás, me remeteu imediatamente ao código usado pelos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o famoso “apito de cachorro”, ou, para os íntimos, a “festa da Selma”. Explico.

Depois que o governo Lula desarmou, ao menos em parte, a bomba tarifária deixada pelo terrorista oficial de gravata vermelha, Donald Trump, que impunha tarifas de 50% aos produtos brasileiros, e o Congresso sepultou a PEC da Anistia e o PL da Dosimetria, que pretendiam livrar Jair Bolsonaro da cadeia, a extrema direita viu Lula subir mais uma vez nas pesquisas para 2026. E aí bateu o desespero.

Sem projeto, sem pauta, sem rumo, e ainda sendo fustigada por Flávio Dino, que vem apertando o torniquete para punir quem cometeu fraudes com emendas parlamentares, a extrema direita precisava de uma boia de salvação. E ela veio, pasme, na forma de uma chacina comandada pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Contra todas as expectativas do mundo civilizado, sua popularidade aumentou. Sim, matar dá voto. E isso pode garantir a ele uma vaga no Senado.

A direita, ou melhor, o centrão, aquele agrupamento que habita a Câmara apenas para fazer negócios lucrativos, ainda hesita em abandonar o barco bolsonarista e embarcar com Lula. Afinal, quem estiver no palanque ao lado do presidente terá o apoio do povo para se reeleger. Mas se ainda não mudaram totalmente de lado, é porque têm dúvidas quanto à manutenção do recebimento de emendas. Pragmáticos, sempre.

Já a extrema direita decidiu: se Lula não for contido, vence no primeiro turno. E o bolsonarismo sabe disso. A pergunta é: como conter?

As pesquisas indicam que a percepção popular do sucesso do governo está superando as avalanches de fake news que tentam pintar o país como um caos. Enquanto bolsonaristas como Gayer fazem vídeos jurando que o arroz está a mais de R$ 40, a realidade insiste em mostrar que o preço não passa de R$ 18. Se a estratégia continuar sendo apenas espalhar mentiras, Lula vence.

Por isso, é preciso criar factoides. Destruir a reputação de Lula e do governo virou prioridade. Um desses factoides foi justamente a chacina no Rio. A acusação é direta e rasteira: “Lula e a esquerda defendem bandido!”, ou seja, o velho calcanhar de Aquiles: segurança pública.

Mas de pouco adianta o governo estar lutando para aprovar a PEC da Segurança Pública, que ataca os líderes do crime organizado, asfixiando suas finanças e os prendendo, se isso não for amplamente divulgado. Afinal, manchete boa é só a que sangra.

A senha foi dada por Cláudio Castro: “Querem se eleger presidente? Façam como eu, matem.

Não me surpreenderia se Caiado, Zema, Ratinho Jr. e, principalmente, Tarcísio (que já tem uma chacina no currículo) começassem a competir em número de mortos em seus estados. Afinal, a extrema direita não vai assistir passivamente Lula vencer no primeiro turno.

E se não for possível subir nas pesquisas, o plano é simples: derrubar Lula. Ou acabar com ele.

Que Lula esteja com sua segurança bem reforçada.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

No Kings

Por Fernando Castilho



No sábado, 18 de outubro, cerca de sete milhões de pessoas tomaram as ruas dos Estados Unidos em protesto contra o presidente Donald Trump. Sob o slogan “No Kings” (“Sem Reis”), mais de 2.600 atos se espalharam pelos 50 estados, em uma explosão de criatividade: fantasias, bandas marciais e um clima de festa, mas com um recado direto e contundente contra o autoritarismo.
A resposta de Trump veio no mesmo tom que o consagrou: infantil. Um vídeo gerado por inteligência artificial o mostrava fantasiado de rei, pilotando um avião e despejando fezes sobre os manifestantes. A escatologia e o humor de quinta série evocam o bolsonarismo, uma política performática, provocadora e avessa ao debate racional.
Mas enquanto o presidente brinca com IA, o país arde em questões reais.
Inflação em alta, escassez de mão de obra, dependência de produtos importados e, sobretudo, o avanço do autoritarismo têm levado até os mais apáticos às ruas. E não são só os cidadãos que se inquietam: os grandes conglomerados econômicos, que não toleram prejuízos, já demonstram impaciência com Trump. Seus lobbies começam a se mover, discretamente, mas com força.
Quem surfa essa onda é o Partido Democrata, que deve intensificar sua campanha contra o presidente, aproveitando o desgaste. Até mesmo alguns congressistas republicanos já sinalizam desconforto, percebendo o crescimento da oposição.
Por ora, Trump se limita a vídeos gerados por IA. Mas seu histórico é imprevisível. Se decidir dobrar a aposta, o país pode testemunhar repressão violenta, perseguições e prisões. E num país que já enfrentou uma guerra civil, não é impossível imaginar outra. Basta um estopim para o fogo se alastrar.
O fiel da balança pode ser o Congresso, hoje de maioria republicana. A depender da nova composição parlamentar nas eleições de novembro de 2026, um processo de impeachment pode deixar de ser apenas uma hipótese.
O que está em jogo não é apenas um mandato, é o modelo de democracia que os Estados Unidos pretendem sustentar sua significativa influência no mundo ocidental. E, como sempre, o tempo corre contra os que esperam demais.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Centrão: o grande camaleão da politica brasileira

Por Fernando Castilho



Nos últimos tempos, o Centrão, essa entidade política que sempre sabe onde fica a cozinha, esteve confortavelmente abraçado à extrema direita bolsonarista. A parceria, claro, não foi por afinidade ideológica, mas por conveniência. Prova disso foram os mimos trocados, como a PEC da Blindagem, uma tentativa quase poética de escapar das investigações sobre o destino das emendas parlamentares. Afinal, ninguém quer acabar atrás das grades por falta de zelo orçamentário.

Outro ponto de união foi a resistência à taxação dos super-ricos. Nada mais natural: muitos dos parlamentares do Centrão fazem parte desse seleto grupo e, como bons representantes (deles mesmos), defenderam com unhas e dentes seus próprios bolsos.

Mas eis que o roteiro saiu do controle. O povo, elemento imprevisível da democracia, resolveu sair às ruas contra os abusos. A mobilização popular pegou os parlamentares de surpresa. Com as eleições se aproximando, a má fama do Centrão começou a ameaçar a reeleição de seus membros, que até então acreditavam que bastava distribuir emendas e selfies para garantir votos.

A onda de protestos também deu um empurrãozinho nas pesquisas para o presidente. Lula foi beneficiado por episódios dignos de série. Eduardo Bolsonaro, ao agir contra os interesses nacionais, acabou presenteando Lula com o papel de defensor da soberania. É preciso lembrar que, uma vez iniciadas as campanhas eleitorais na TV, os vídeos em que Eduardo pede que os Estados Unidos imponham sanções ao Brasil, joguem uma bomba atômica ou enviem um porta-aviões para cá, serão enormemente explorados. Quem do Centrão, em juízo perfeito, vai querer ter seu nome ligado a alguém tão tóxico ao país?

Além do tiro no pé que Eduardo deu, Donald Trump, num giro inesperado, buscou diálogo com Lula para tentar consertar os estragos do tarifaço. Sim, até Trump percebeu que talvez seja melhor conversar com quem manda de verdade e não com dois patetas.

Outro dado importante é o destino de Jair Bolsonaro. Preso, ele iniciará uma nova trajetória rumo ao... ostracismo. Rei morto, rei posto. Adeus.

Enquanto o cenário se inverte, dois ministros de Lula, mesmo sob ameaças de expulsão partidária, ignoraram os caciques e permaneceram no governo. Um gesto raro de convicção política, ou talvez apenas de cálculo mais refinado.

Diante desse novo cenário, o Centrão, sempre com o dedo no vento, começa a recalibrar sua bússola. Alguns membros já se aproximam do governo, conscientes de que dividir o palanque com Lula, favorito em todos os cenários eleitorais, e não com um possível Tarcísio ou Ratinho Jr., pode render bons frutos. Afinal, quem quer ficar do lado que só oferece desgaste e memes ruins?

A debandada tem uma consequência direta: o isolamento dos bolsonaristas, agora desmascarados por seu apoio explícito aos bilionários, às casas de apostas e aos bancos. Nada como defender esse povo... rico. E há vídeos mais que suficientes de Sóstenes e outros, que serão explorados durante a campanha.

A aproximação do Centrão com Lula pode redesenhar completamente o jogo político. Governadores e prefeitos ligados ao grupo já ensaiam passos rumo ao governo federal, em busca de apoio, recursos e, claro, emendas. A dança das cadeiras começou, e os palanques bolsonaristas em estados-chave correm o risco de ficarem vazios ou, pior, com plateia hostil.

No Nordeste, onde Lula nada de braçada, a migração partidária deve ser ainda mais intensa. Não será surpresa se deputados e senadores trocarem de sigla como quem troca de gravata, buscando abrigo em partidos mais alinhados ao governo, como PSB, MDB ou até o próprio PT. Afinal, a coerência para eles é ditada pelo momento.

Essa disputa por espaço no campo governista pode gerar tensões internas. Partidos que sempre estiveram com Lula vão exigir contrapartidas: mais ministérios, mais apoio, mais tudo. E o bolsonarismo? Deve se restringir aos núcleos ideológicos mais radicais, com menos capilaridade eleitoral e orçamento digno de vaquinha online.

Com o Centrão recalculando sua rota, a dinâmica legislativa também muda. Lula pode conquistar uma base mais ampla e estável, suficiente para aprovar projetos estratégicos, especialmente nas áreas de economia, justiça tributária e reformas sociais e ambientais. O isolamento dos bolsonaristas, por sua vez, tende a reduzir a obstrução nas votações. O plenário, palco de gritaria e memes, pode finalmente virar espaço de debate (ou pelo menos de silêncio constrangedor). A negociação com o Centrão, embora pragmática e baseada em cargos e verbas, pode garantir avanços em pautas populares. Afinal, até o fisiologismo tem seu lado útil.

O Centrão, como sempre, não decepciona. Atento à direção dos ventos, recalculou sua rota com a precisão de um GPS político. A combinação entre pressão popular, desgaste bolsonarista e ascensão de Lula criou um novo campo gravitacional no Congresso. E como bons satélites da sobrevivência eleitoral, os parlamentares estão sendo atraídos para o lado do governo.

Se isso vai redefinir os rumos do país? Provavelmente. Se vai ser por convicção? Pouco provável. Mas no Brasil, até a conveniência pode ser revolucionária, desde que venha com cargo, verba e uma boa foto no palanque.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Lula, o Dom Juan da política brasileira

Por Fernando Castilho



Depois que ouvi Lula falar na então Rádio Bandeirantes, no programa O Trabuco do saudoso Vicente Leporace, acho que ainda nos anos 70, senti uma inquietação: quem era esse líder metalúrgico que ousava desafiar a ditadura em nome dos direitos de sua categoria? A curiosidade me levou à histórica assembleia no Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. E ali, no meio da massa operária, comecei a entender que aquele homem não era só barulho, mas também pura estratégia.

Mais tarde, estive por duas vezes em reuniões na casa emprestada pelo advogado Roberto Teixeira a Lula, no bairro de Ferrazópolis. Ainda estudante, me vi hipnotizado ao ouvi-lo falar sobre economia com uma lógica tão simples e intuitiva que faria muito doutor engasgar com a própria tese.

O tempo passou, e Lula foi colecionando aliados como quem coleciona figurinhas raras. Seu poder de sedução política é digno de estudo, ou de uma tese de doutorado com direito a banca rendida.

Por mais improvável que parecesse, lá estava ele como presidente, trocando confidências com George W. Bush e recebendo elogios rasgados de Barack Obama, que não economizou: “Esse é o cara!” Pois é. O cara.

Com Emmanuel Macron, presidente da França e da ala direita, não foi diferente. Foram filmados de mãos dadas na Floresta Amazônica, em Belém, como dois adolescentes em passeio escolar. Faltou só o piquenique e a trilha sonora.

O senador Ciro Nogueira, bolsonarista de carteirinha, chegou a declarar: “Ele é capaz de me seduzir em 15 minutos. É macio e jeitoso.” Um elogio que até hoje causa urticária na ala mais radical do Congresso.

Em 2022, Lula fez o impossível parecer trivial. Bastaram algumas conversas para transformar Geraldo Alckmin, aquele mesmo, seu adversário em outras épocas, em seu vice. A conciliação, afinal, é uma das marcas registradas do Barba. E ele assina com estilo.

E quem não lembra da prisão em Curitiba? Lula, enclausurado na sede da Polícia Federal, acabou conquistando justamente o carcereiro. Horas e horas de conversa e, no fim, mais um fã. Se tivesse mais tempo, talvez saíssem de lá com um podcast.

A mais recente conquista do Dom Juan da política parece ser ninguém menos que o presidente norte-americano Donald Trump. Em uma conversa telefônica de 30 minutos, Trump saiu encantado: “Gostei da ligação. Nossos países vão se sair muito bem juntos!” Prometeu mais encontros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Se isso não é charme, o que é então?

Nas entrevistas, seja com a imprensa progressista ou com os grandes veículos da mídia corporativa, o resultado é sempre o mesmo: entrevistadores saem satisfeitos, convencidos, quase convertidos. Lembro bem da entrevista com Reinaldo Azevedo durante a campanha de 2022. Justamente o cara que cunhou a expressão “petralha”. Tio Rei saiu de lá praticamente com uma estrela no peito.

Mas afinal, qual é o segredo desse poder de agregar?

Digo que é a verdade. A sinceridade no olhar. E uma biografia marcada pela coerência ou, no mínimo, pela habilidade de parecer coerente em qualquer cenário.

O poder do diálogo com Lula é tão surpreendente que os bolsonaristas evitam qualquer conversa com ele. E fazem bem. Porque se conversarem... é capaz que se apaixonem.

Pode ser até que Trump o traia. Afinal, isso não se descarta em nenhuma relação. Mas, por enquanto, parece que a coisa vai às mil maravilhas.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Teria o Partido Democrata contratado um pistoleiro?

Por Fernando Castilho

Imagem: (REUTERS/Brendan McDermid

Se o plano de assassinar Trump realmente existiu, a pergunta a ser feita a seguir é: afinal, quem teria interesse em afastar o ex-presidente da corrida?


Donald Trump levou mesmo um tiro na orelha, ou foi tudo uma armação para que ele, a exemplo de Jair Bolsonaro, subisse nas pesquisas devido à comoção do povo estadunidense?

Essa foi a pergunta que mita gente fez, inclusive grande parte da esquerda brasileira que vê em Kamala Harris como um contraponto ao crescente fascismo no mundo.

O expert em geopolítica mundial, Pepe Escobar revelou que as investigações estão concluindo (embora isso ainda não seja oficial e nem sabemos se vai ser) que havia mais de um atirador naquele dia, já que balas diferentes teriam sido encontradas no local.

Então, se essa informação for verdadeira (e Pepe costuma ter fontes no mundo inteiro), podemos afastar a possibilidade de simulação do atentado. E isso é muito mais preocupante.

Se o plano de assassinar Trump realmente existiu, a pergunta a ser feita a seguir é: afinal, quem teria interesse em afastar o ex-presidente da corrida?

A resposta mais imediata é: o Partido Democrata. E não vai aqui nenhuma afirmação, mas sim, uma constatação do que parece mais lógico.

Joe Biden estava indo mal nas pesquisas e, além disso, após o debate com Trump em junho, em que demonstrou problemas de cognição, a tendência era perder ainda mais pontos para seu adversário.

Com Trump fora da disputa, os democratas poderiam ter caminho livre para a reeleição de Biden. Mas o atentado falhou. Por pouco.

Após isso, todo mundo sabe, Biden foi afastado da corrida e Kamala assumiu em seu lugar.

Não se sabe se as investigações prosseguirão e se chegarão a uma conclusão, já que, à esta altura, um escândalo com tal envergadura explodiria a campanha de Kamala, esteja ela envolvida ou não.

Se o FBI parar de investigar, podemos ter a impressão de que a administração Biden deu um basta, o que é difícil de acontecer nos EUA porque o órgão é independente.

Restaria aos republicanos realizarem eles próprios uma investigação. Lembremos que Trump tem ainda bastante influencia em setores das instituições americanas.

De qualquer forma, caso haja a assinatura dos democratas nesse possível atentado, mesmo que o caso seja abafado, transparecerá ao mundo todo a decadência moral que o império sofre. E que tende cada vez mais a crescer.

Trump é pior que Kamala, sabemos disso. Porém, vamos deixar de incensá-la como se ela fosse muito melhor que ele. Nenhum dos dois presta.





Para você, sua família é única. Mas ela tem origem! Ela tem uma história de luta pela sobrevivência! E ela venceu!

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Uma bela história merece ser documentada!






quarta-feira, 5 de julho de 2023

Lula afirmou que a democracia é um conceito relativo. E agora?

Por Fernando Castilho

Reuters News Brasil

Afinal, Lula acertou ou errou ao afirmar que a democracia é um conceito relativo?
Seriam os Estados Unidos um país absolutamente democrático?


A pergunta que se faz é: a democracia é relativa ou absoluta?

Lula continua a causar frisson, não só na grande imprensa, mas também em algumas mídias progressistas. A declaração desta vez foi que a democracia é um conceito relativo. Por isso, é oportuno verificar se ele acertou ou falou bobagem como querem certos jornalistas.

Democracia é uma forma de governo criada na Grécia Antiga em que os cidadãos, e somente os cidadãos, podiam se reunir na Ágora, uma espécie de praça pública, para discutir seus problemas e deliberar sobre decisões que impactavam a vida de todos.

Para ser considerado cidadão apto a votar na Ágora, era preciso que a pessoa não fosse escrava (a maioria dos gregos era constituída de escravos), não fosse estrangeira, mulher ou criança. Por isso, somente cerca de 10% da população de Atenas podia votar pelo destino dos demais.

A isso se chamava democracia direta, ou seja, todo e qualquer problema da comunidade era discutido e votado diretamente sem representantes eleitos do povo.

Seria essa uma democracia absoluta ou relativa?

Voltando para nosso tempo, não vou afirmar que a forma de democracia praticada na Venezuela é absoluta porque seria leviano dizer qualquer coisa sobre um país que vem sendo há anos sufocado por um embargo econômico e que obriga seu governante a tomar decisões fortes para manter sua soberania. Prefiro analisar se os Estados Unidos, considerados a maior democracia do mundo, são mesmo um país absolutamente democrático. 

Primeiro, para ser democrático, um país deve atender a alguns requisitos básicos que seriam os princípios básicos da democracia:

1 - Soberania popular: O poder emana do povo, e as decisões políticas são tomadas em seu nome e para o seu benefício.

As eleições norte-americanas, em que a contagem dos votos segue um sistema complexo e de difícil compreensão, podem ser realmente consideradas justas e representativas da vontade popular? Por que alguns estados têm mais peso que outros?

2 - Igualdade: Todos os cidadãos têm direitos e oportunidades iguais para participar e influenciar as decisões políticas.

Os EUA ostentam hoje o título de um dos países mais desiguais do planeta, justamente por seu sistema capitalista. É notório e visível o número de moradores de rua sem direito à saúde, educação, alimentação e habitação.

3 - Liberdade de expressão: As pessoas têm o direito de expressar suas opiniões e ideias livremente, sem medo de retaliação, desde que não desrespeite outras leis.

Há pelo menos dois exemplos gritantes de desrespeito à liberdade de expressão. Um deles é Edward Snowden, acusado de espionagem por vazar informações sigilosas de segurança dos Estados Unidos e revelar em detalhes alguns dos programas de vigilância que o país usa para espionar a população americana. Snowden denunciou um crime do governo contra o próprio povo de seu país. O outro é Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, que ganhou atenção internacional em 2010 quando publicou uma série de documentos sigilosos do governo norte-americano, revelando como eram tramadas as guerras mundo afora.

4 - Estado de Direito: O governo é limitado pelas leis e todos, incluindo os governantes, estão sujeitos às mesmas leis.

Donald Trump, assim como Jair Bolsonaro, desrespeitou uma série de leis, incitou um golpe de estado e continua livre. Além disso, há um grande número de pessoas, com culpa formada ou não, confinadas numa prisão do governo norte-americano em Guantânamo sem direito a advogados, defesa e a um processo legal.

5 - Eleições livres e justas: Os cidadãos têm o direito de escolher seus representantes em eleições regulares, transparentes e sem coerção.

6 - Respeito às minorias: A democracia protege os direitos das minorias e evita que a maioria oprima os grupos das minorias.

Frequentemente surgem notícias de prisões arbitrárias e assassinatos de negros por parte de forças policiais.

Pode ser considerado um país absolutamente democrático aquele que impede que o povo mais pobre tenha acesso à saúde gratuita?

7 - Responsabilidade e prestação de contas: Os governantes são responsáveis ​​perante o povo e devem prestar contas de suas ações.

São notórias as atividades secretas da CIA, da NSA e do FBI sem que nem mesmo o Congresso norte-americano tenha acesso a elas.

Portanto, a democracia dos EUA pode ser considerada absoluta?

A questão de a democracia ser relativa ou absoluta não deveria ser criticada pelos grandes jornais, uma vez que não há consenso, sendo objeto de debate entre teóricos, políticos e filósofos. A resposta não é simples como jornalistas querem fazer crer, pois envolve diferentes perspectivas e abordagens.

Alguns, como Lula, argumentam que a democracia é relativa, ou seja, seu conceito e prática podem variar de acordo com as culturas, tradições e contextos específicos de cada sociedade. O que pode ser considerado democrático em um país pode não ser visto da mesma forma em outro. A China, por exemplo, se considera um país democrático. Além disso, os sistemas democráticos podem evoluir e se adaptar às mudanças sociais e políticas ao longo do tempo.

Por outro lado, há quem defenda que a democracia é absoluta, ou seja, existe uma forma ideal e universal de democracia que deve ser seguida por todas as nações. Nessa visão, os princípios democráticos básicos, como a proteção dos direitos humanos, a participação popular e a governança transparente, são garantidos a todos os lugares, independentemente de suas particularidades culturais. Como vimos, os EUA não se incluem entre os que praticam a democracia absoluta.

É preciso, porém, lembrar que, do ponto de vista filosófico, sociológico e científico, absolutamente nada pode ser considerado absoluto. Tudo é relativo.

Uma abordagem sugere que, embora existam princípios fundamentais que são essenciais para a democracia, como a proteção dos direitos individuais e a soberania popular, a maneira como esses princípios são implementados pode variar de acordo com a cultura e a história de cada país. Isso significa que há uma base de valores e normas que são comuns a todas as democracias, mas a forma concreta de aplicação desses valores pode ser adaptada para atender às necessidades e características específicas de cada sociedade.

Em meio à dificuldade que a grande imprensa tem de pontuar favoravelmente os feitos de um governo que só tem seis meses, como a retomada de importantes programas sociais, a aprovação do arcabouço fiscal, a queda da inflação, a projeção do aumento do PIB, a ascensão da bolsa, a queda do dólar, o aumento da nota do Brasil pela S&P e a recuperação da imagem do país lá fora com a consequente retomada de investimentos externos, jornalistas colocam o tempo todo uma lupa sobre as falas de Lula para tentar detectar uma mínima falha, mesmo que ele esteja fazendo uma afirmação correta.

São míopes, pois enxergam muito bem de perto, mas não conseguem visualizar o horizonte.


E você, leitor, o que acha? Lula acertou ou errou?