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segunda-feira, 9 de março de 2026

Grande mídia e Faria Lima juntas: cabeça de Lula a prêmio

Por Fernando Castilho



Arthur Schopenhauer dizia que a maioria das pessoas prefere se acomodar em dogmas e “verdades” pré-estabelecidas a raciocinar e buscar a verdade dos fatos. É exatamente isso que vemos em manifestações bolsonaristas: quando perguntados sobre o que Flávio fez de bom para o povo, muitos se perdem e respondem apenas com slogans como “Deus, Pátria e Família” ou recorrem a xingamentos, chamando o entrevistador de “comunista”.

A imprensa brasileira compreendeu esse comportamento melhor do que ninguém. Ao estampar nas manchetes que “Lulinha movimentou 16,5 milhões”, entregou uma “verdade” incompleta a quem se contenta apenas com títulos e não se aprofunda no assunto. O que não se explica na manchete é essencial: movimentação significa entradas e saídas; ocorreu ao longo de quatro anos; trata-se de um empresário, não de alguém que vive às custas do governo; e, sobretudo, não há dinheiro do “careca do INSS”. Ainda assim, a imprensa alcançou seu objetivo: milhões de pessoas passaram a repetir que Lula é corrupto.

O propósito é evidente: impedir sua reeleição. Não há como provar, mas é plausível imaginar que emissários de Folha, Estadão e Rede Globo tenham se reunido com Flávio para oferecer apoio maciço à sua campanha contra Lula, em troca de compromissos claros. Entre eles: evitar comportamentos ridículos como os que seu pai protagonizou em público (espalhar farofa pelo chão enquanto come, imitar pessoas se asfixiando...), defender o aumento da jornada de trabalho para 12 horas, privatizar tudo o que for possível, inclusive a Petrobras, promover uma nova reforma da previdência que desvincule aposentadorias e benefícios do salário mínimo, e barrar novos programas sociais. Se possível, extinguir ou reduzir os já existentes. É esse o sonho da Faria Lima.

Hoje, a imprensa depende muito mais de investimentos e aplicações financeiras do que da venda de jornais. Por isso, sua prioridade é influenciar os rumos do país, não informar. Para quem conecta os pontos, fica evidente o apoio já explícito em conluio com a Faria Lima, na tentativa de associar Lula a Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

Nesse esforço, não hesitam em tentar ligar o ministro Alexandre de Moraes a Lula, como se fosse parte do governo ou militante petista. Cada vez que atacam Moraes, reforçam no imaginário popular a ideia de que Lula estaria por trás de conversas não republicanas entre Moraes e Vorcaro e que, por isso, seria o “chefão corrupto”.

Talvez uma contrapartida que Flávio tenha exigido para participar desse consórcio seja um antigo sonho: enfraquecer o Supremo Tribunal Federal até que seja possível anistiar o pai, permitindo que ele se torne ministro e governe (ou desgoverne) de fato. Daí a bateria de ataques contra Moraes.

Para esse enfraquecimento, a Globo já recrutou seu soldado obediente: o jornalista Fernando Gabeira, ex-opositor da ditadura, afirmou no GloboNews que é preciso fechar o STF. Alguém deveria fazer uma representação contra ele por estar pregando, diante de milhões de brasileiros, um dos instrumentos clássicos de golpe.

Sempre fui um defensor das pesquisas eleitorais sérias, mesmo quando mostravam meu candidato em desvantagem. Mas, desta vez, algo parece realmente fora de lugar. Como pode um candidato que passou quatro anos no Senado apresentando apenas um projeto, o de privatizar as praias, e nenhum que beneficiasse o povo, estar empatado com Lula, que tantas entregas já fez em três anos de mandato?

Até uma semana atrás, parecia que a única responsável era a comunicação deficiente. Ela é, mas não está sozinha. A força da mídia está falseando as pesquisas, fazendo com que Flávio apareça artificialmente empatado com Lula no segundo turno. Ele não está. E, próximo ao final da campanha, veremos uma acomodação dos números, com Lula subindo cada vez mais e seu oponente caindo.

A menos que criem algum factoide capaz de desmontar Lula.

E aqui entra um ponto crucial: as redes sociais e os grupos de mensagens funcionam como multiplicadores dessa desinformação. Uma manchete distorcida ou uma pesquisa manipulada ganha proporções gigantescas quando replicada por milhares de perfis, muitas vezes automatizados, que espalham fake news em escala industrial. O que antes era apenas uma narrativa da imprensa, hoje se transforma em verdade “viral” para milhões de pessoas que não questionam, apenas compartilham. Esse ecossistema de desinformação é o que sustenta a ilusão de que Flávio está em pé de igualdade com Lula.

O Brasil já viveu momentos em que factóides, manchetes enviesadas e campanhas de desinformação moldaram o destino político da nação. Hoje, vemos a repetição desse roteiro, agora potencializado pelas redes sociais e pela força dos conglomerados financeiros que controlam a mídia. Mas há uma diferença crucial: o povo brasileiro já provou, em diversas ocasiões, que sabe distinguir entre propaganda e realidade quando chega a hora decisiva.

É por isso que, apesar da avalanche de ataques, manipulações e pesquisas artificiais, a verdade tende a prevalecer. A história mostra que nenhum factoide resiste ao confronto com a vida concreta das pessoas, com as políticas que melhoram o dia a dia e com a memória coletiva de quem já experimentou avanços sociais.

No fim, o que está em jogo não é apenas uma eleição, mas a capacidade de o Brasil escolher entre a manipulação e a razão, entre o retrocesso e a continuidade de conquistas e entre a democracia e a ditadura. A imprensa pode tentar fabricar narrativas, mas não pode apagar a realidade. E é essa realidade que, cedo ou tarde, se impõe.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Golpista tentando golpe em golpista

Por Fernando Castilho



Flávio Rachadinha até que tentou.
O plano era simples, quase ingênuo: empurrar Nikolas Ferreira para uma candidatura ao governo de Minas Gerais. De quebra, todos já sabiam que ele não daria conta do recado, o que enterraria qualquer pretensão presidencial em 2030, abrindo espaço para alguém do clã. Provavelmente o próprio autor da ideia.

Nikolas, porém, não caiu no golpe. Não por sagacidade política ou visão estratégica. Declarou-se apenas “ainda inexperiente” para um cargo dessa envergadura. Prudente, sem dúvida. Afinal, assumir um estado falido, atolado em dívidas deixadas por Romeu Zema, um gestor tão brilhante que não conseguiria administrar nem um galinheiro, não é tarefa para principiantes. Minas tem obras paradas à espera de recursos, hospitais e escolas em crise, serviços públicos em frangalhos. Literalmente, os buracos são fundos. E, desta vez, não é metáfora.

Nada disso, claro, impede Nikolas de repetir, com convicção quase religiosa, que o governo Zema é um “modelo para o Brasil”. A mentira é grande, mas o espírito é esse mesmo.

Quando Lula assumiu a Presidência, encontrou um país igualmente devastado. Ministérios haviam sido entregues por Bolsonaro a figuras escolhidas não para governar, mas para sabotar. Educação, Saúde, Economia, Direitos Humanos, Meio Ambiente: nada escapou. A Cultura, então, foi tratada como inimiga de Estado.

Ainda assim, Lula encarou o desafio. Em pouco mais de três anos, o país é outro: inflação sob controle, desemprego no menor patamar da história, programas sociais retomados e funcionando e promessa de campanha cumprida: isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. Coisas chatas, técnicas, que exigem trabalho. Muito trabalho, sobretudo quando se tem uma oposição desse nível.

Nikolas, por sua vez, nunca trabalhou nem administrou absolutamente nada. Ele sabe que não tem condições de enfrentar um desafio real. Sua atuação na Câmara resume-se a não trabalhar, não votar nada que beneficie o povo brasileiro e gravar vídeos aos montes para seus milhões de seguidores, atividade, diga-se, muito mais lucrativa do que governar.

É bem mais confortável permanecer onde está: espalhando fake news diariamente e monetizando a indignação alheia. Dá menos dor de cabeça e rende mais no fim do mês.

O plano, ao que tudo indica, é outro. Esperar completar 35 anos, idade mínima para disputar a Presidência, torcer para que um eventual segundo mandato de Lula eleve o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento econômico e bem-estar social e, então, aparecer para “colher os frutos”.

Porque governar um país destruído exige trabalho.
Já governar um país arrumado permite outra coisa: aproveitar as oportunidades.
Especialmente quando se tem os amigos certos, os discursos certos
e um apetite já bem conhecido por transformar política em negócio.

Se é que me entendem.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Cuidado com esse moleque

Por Fernando Castilho



No dia seguinte à chegada de Nikolas a Brasília, coincidindo com aquele episódio do raio que atingiu 89 pessoas, felizmente sem mortes, surgiram, em sites e perfis da esquerda, comentários apressados de que a caminhada teria “flopado”, de que Nikolas saíra derrotado e de que Alexandre de Moraes jamais cederia à pressão, frustrando o objetivo da empreitada.

Essa leitura, a meu ver, é equivocada.

Nikolas conseguiu exatamente o que queria. Em nenhum momento seu objetivo real foi convencer Alexandre de Moraes a soltar Bolsonaro. Pelo contrário: Bolsonaro preso e inelegível é funcional aos seus planos. Nikolas precisa de um bolsonarismo sem Bolsonaro. Sobretudo, sem o peso político e simbólico da família Bolsonaro.

A caminhada serviu, antes de tudo, como uma grande operação de autopromoção. Ele precisava desviar o foco das notícias sobre seu nome constar na lista de endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. E conseguiu.

Precisava também produzir uma sequência interminável de vídeos, atualizações e registros da caminhada, alimentando algoritmos, acumulando curtidas impulsionadas pela Meta e convertendo engajamento em novos seguidores. E conseguiu.

Outro objetivo central era manter distância calculada dos filhos de Bolsonaro (à exceção de Carlos, que saiu rapidinho após uma possível reprimenda de Flávio), de Michelle Bolsonaro e de Silas Malafaia. A ausência dessas figuras não foi um acaso, mas parte da estratégia: desvincular sua imagem do clã e se apresentar como algo “novo”, ainda que herdeiro direto do bolsonarismo. E, novamente, conseguiu.

O resultado é evidente. Nikolas se consolida como sucessor natural de Jair Bolsonaro, logo atrás apenas de Flávio “Rachadinha” na linha de herança política. Mais do que isso: ele já ultrapassou Tarcísio de Freitas, que até então era visto como o único nome capaz de suceder Bolsonaro sem carregar o sangue da família.

Hoje, com 29 anos, Nikolas não pode disputar a Presidência em 2026 nem em 2030. Mas 2034 está logo ali. Se continuar crescendo nesse ritmo e não for politicamente freado, o cenário é claro: Nikolas Ferreira será presidente do Brasil.

E quem acha que a caminhada fracassou ainda está discutindo o meio do caminho, enquanto ele já pensa na linha de chegada.

Cuidado com o moleque.

terça-feira, 16 de julho de 2024

A peça de teatro montada por Bolsonaro e Ramagem

Por Fernando Castilho

Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil | Evaristo Sa / AFP


Mas, na verdade, parece que foi montada uma peça de teatro que só faltou ser gravada em vídeo.

A divulgação da existência de uma gravação em áudio de uma conversa entre Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e o ex-presidente Jair Bolsonaro suscitam preocupações sérias sobre a integridade das instituições democráticas no Brasil. Analisar se esse evento constitui um fator de risco à democracia requer examinar vários aspectos relacionados ao conteúdo do áudio, ao contexto político, e às consequências do vazamento.

O conteúdo do áudio trata de analisar estratégias para livrar o filho de Bolsonaro, o senador Flávio, das acusações de rachadinha (prática corrupta que fere a ética e a legalidade no serviço público, configurando-se em crimes como peculato, concussão e corrupção passiva, além de envolver associação criminosa) em seu gabinete.

A gravação, sabe-se, tem a duração de uma hora e oito minutos, portanto é longa e contém grande número de detalhes reveladores do modus operandi da quadrilha que se instalou no Planalto.

Mas, na verdade, parece que foi montada uma peça de teatro que só faltou ser gravada em vídeo.

Vejam os personagens principais:

1 – Alexandre Ramagem, chefe da Abin. Seu papel principal é o de gravar a peça. Porém, em todos os momentos o ator representa o agente republicano que procura rechaçar propostas para a salvação do Flávio que ele considera ilegais.

2 – Advogadas Luciana e Juliana. Seus papéis são o de defensoras da legalidade. Elencam possíveis atos ilegais cometidos por auditores fiscais para justificar que ações devam ser empreendidas pela Abin e pelo GSI contra eles para defender Flávio. São elas as protagonistas.

3 – Augusto Heleno, então ministro chefe do GSI. Seu papel é o de coadjuvante. Porém, ele devia estar um tanto longe do microfone, sendo difícil ouvi-lo e entender o que ele fala. Mau ator.

4 – Jair Bolsonaro, então presidente. A personalidade do capitão impõe a ele que seja o comandante de toda e qualquer reunião, como vimos em duas reuniões ministeriais em que bradava a todo momento amedrontando os demais. Porém, desta vez ele não foi o protagonista e, por isso, se superou como ator. Foi capaz de controlar seus impulsos representando um personagem que mais ouve do que fala. Papel muito difícil para ele. Sua fala mais importante e reveladora foi: “Tá certo. E deixar bem claro, a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa. Que não estamos procurando favorecimento de ninguém.”

Nessa frase o capitão entrega o jogo. A reunião parece ter sido uma armação para tentar emplacar a tese, caso o caso chegasse a PF para uma possível investigação, de que nunca houve intenção alguma de defender seu filho das acusações de peculato. Algo que revela a primariedade de seu raciocínio, pois a reunião em si foi ilegal. Usar a máquina pública para vantagens pessoais é crime.

A ideia parece ser a de tentar se vacinar contra possíveis acusações no futuro. Fica patente, ao deixarem as duas advogadas livres para falarem durante quase toda a reunião, que, se houve alguma coisa ilegal, a culpa foi delas que propuseram soluções criativas (falsamente rechaçadas em sua maioria por Ramagem) para salvar Flávio Bolsonaro.

Portanto, Jair, Ramagem e Heleno procuraram sair blindados da reunião.

Assim como no caso das joias roubadas, em que desconhecemos com que frequência esse crime vinha sendo cometido, já que houve 150 viagens à Arábia Saudita (o que pode implicar em inúmeros outros presentes que conseguiram entrar ilegalmente no país), também não sabemos por quantas vezes conversas entre Ramagem e Bolsonaro foram gravadas e de quais crimes elas trataram.

Que as investigações da PF não parem por aí.





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