sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

E então é Natal...

Por Fernando Castilho





Três filósofos definiram o que é amor.
A melhor definição foi Jesus quem nos ofereceu.
Mas será que essa definição é a que praticamos em nosso dia a dia?



O filósofo grego, Platão, definiu o amor como desejo. Se você deseja muito alguém, mas ainda não é correspondido, então você está amando. Daí a expressão ''amor platônico'', um amor à distância.

Porém, uma vez que esse amor passa a ser correspondido, para Platão, ele acaba.

Outro filósofo grego, Aristóteles se contrapõe a Platão insistindo que amor é alegria.

Quando você é correspondido pela pessoa amada, você fica feliz e isso lhe traz alegria. Ou seja, você tem que estar junto a quem ama para sentir alegria.

Um terceiro filósofo chamado Jesus de Nazaré, mais tarde chamado de o Cristo, mostrou ao mundo a melhor definição de amor. O amor, para Jesus, é universal. Deve-se amar aos outros como a si mesmo. Amar família, amigos, animais de estimação, sua banda favorita, sem esperar nada em troca. Por amor, ao receber um tapa, deve-se oferecer a outra face. Por amor você deve ajudar os que mais necessitam.

Hoje em dia a isso se chama amor pela humanidade.

Essa mensagem se espalhou durante dois mil anos e ainda se espalhará por outros milênios.

Jesus foi crucificado justamente por pregar essa mensagem que contém implicitamente outra de muito maior alcance e quase sempre escondida pelos agentes da fé: a de que todos os homens são iguais...

Jesus, um homem que teve história se tornou para a Igreja somente o filho de Deus.

Esperem. Antes de se revoltarem e pararem de ler o texto, explico.

Durante dois milênios os homens preferiram somente alardear ao mundo a divindade do homem de Nazaré. Jesus foi aquele filho de Deus que veio ao mundo para morrer na cruz, redimindo os pecados e salvando assim a humanidade.

Embora grandiosa, é praticamente só essa mensagem que à igreja, seja ela católica e mais tarde protestante, interessa passar aos homens. Jesus é certamente muito mais que isso.

Naqueles tempos, Jesus era um homem descontente com as injustiças e a iniquidade praticadas pela elite governamental local, o Sinédrio.

A Judeia era um estado teocrático dominado pelo Império Romano que tolerava a religião local.

Em verdade vos digo que os sacerdotes do Sinédrio eram homens abastados e poderosos que a cada dia mais enriqueciam às custas de um empobrecimento geral da população.

Jesus, ao pregar a igualdade entre os homens, ao curar leprosos, ao salvar prostitutas do apedrejamento, ao expulsar os vendilhões do templo que majoravam os preços dos cabritos obrigatoriamente consumidos durante a Páscoa e ao viver da caridade, causou alvoroço entre seus próximos que passaram a ter uma esperança de melhora de vida.

A elite local ficou assustada e viu naquele homem um revolucionário perigosíssimo que poderia levar as massas a ameaçar seu poderio.

Capturá-lo e entregá-lo ao governador romano Pôncio Pilatos foi fácil após a traição de Judas por 30 dinheiros.

O populacho, que ainda não havia sido influenciado por Jesus, preferiu apoiar os poderosos, exigindo a crucificação do homem de Nazaré ao mesmo tempo que pedia a libertação do bandido Barrabás, que hoje se supõe um zelota, uma espécie de ''terrorista'' entre os muitos que praticavam necessária resistência contra o Império.

Durante dois milênios a História assistiu a repetição desses acontecimentos em graus variados de semelhança, porém sempre mantendo a mesma essência: uma pessoa ou um grupo de pessoas sendo massacrado por uma elite dominante, somente por reivindicar maior justiça social.

E então é Natal, como canta Simone.

A data, inicialmente comemorativa do deus Sol, ou o Solstício de inverno foi adotada pelos romanos porque aqueles que levaram o cristianismo à Roma, imaginaram que assim a filosofia seria melhor aceita.

Em uma espécie de delírio ou desatino coletivo saímos a comprar, comprar e comprar.
Dizem que é isso que aquece a economia e gera empregos.

Mas é exatamente isso que alimenta a elite. A mesma que vê com desdém e até mesmo ódio políticas públicas de erradicação da miséria. Aquela mesma elite daqueles tempos.

O Natal é cultuado pelo capital, os atuais vendilhões do templo.

Abraçamo-nos uns aos outros, enviamos mensagens de carinho, somos até sinceros e verdadeiros nessas horas, mas não temos maiores compromissos com as pessoas. Formalidades apenas.

Festejamos, nos empanturramos com a comida e a bebida, nos abraçamos e nos beijamos, tudo em família. Mas nos esquecemos completamente do aniversariante e daqueles que não têm o que comer. Não somos fraternos nem iguais.

Exatamente na contra-mão dos ensinamentos de Jesus.

É aí que percebemos que Aristóteles afinal, é quem tinha razão.

O objetivo do amor é nos tornar alegres.

E somos, por algumas horas.


Feliz Natal!

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