sábado, 15 de abril de 2017

Do risco de sermos injustos

Por Fernando Castilho



Neste momento, mais que julgar sem ter atribuição para isso e o devido conhecimento acerca do que está sendo divulgado, devemos ter equilíbrio, sensatez e paciência sob pena de cometermos injustiças e assassinatos de reputações.

Sobre o tsunami que devastou a classe política esta semana.

1 – A lista de Fachin, oriunda de delações de executivos da Odebrecht em que cita um grande número de políticos, pode estar misturando os culpados de sempre com gente que até outro dia possuía uma biografia sem reparos. Temos que ter cuidado para não destruirmos reputações injustamente.

2 – As delações precisam ser provadas para que possam se constituir em elementos hábeis a condenar. Portanto, até que se prove o contrário, todos, de direita e de esquerda.

3 – Marcelo Odebrecht, um homem milionário, habituado a viver como um príncipe, está preso preventivamente há 2 anos em uma cela com privada turca e banho frio. Normalmente, um homem desses, cuja ética não é um de seus maiores valores, submetido a uma provação dessas, não hesitaria em delatar qualquer um para livrar seu pescoço. Portanto, cuidado para não pré julgar.

4 – Todas essas delações que tomaram vários dias de Jornal Nacional, foram vazadas em pleno arrepio da lei, o que normalmente as tornariam ilegais. Ainda por cima, uma delação foi vazada em tempo real para o site Antagonista, sob olhares do juiz Moro que não fez caso da denúncia.

5 – Emílio Odebrecht denunciou a hipocrisia da imprensa que há 30 anos pelo menos, como todos nós, aliás, sabe que caixa 2 para candidaturas existe. A Rede Globo tenta parecer antisséptica no meio de uma sujeira da qual ela própria participa desde que conseguiu seu enorme upgrade ao apoiar a ditadura. Além disso, deve uma fortuna à Receita Federal.

6 – Fica fácil à primeira vista responsabilizar o candidato pelo caixa 2. Porém, quem já acompanhou campanhas eleitorais sabe que a captação de recursos, sejam eles caixa 1 ou 2, cabe aos tesoureiros dos partidos que viabilizam essas campanhas. Portanto, devagar com o andor ao culpar os políticos.
É preciso que se investigue a participação direta deles.

7 – O Jornal Nacional, principal órgão de imprensa que se apropria de corações e mentes de todas as classes sociais, ocupa mais da metade de seu tempo tentando incriminar Lula, omitindo que Marcelo Odebrecht afirmou que o ex-presidente nunca lhe pediu dinheiro. Sobre Dilma, o JN afirma que ela foi citada mas esconde que Marcelo disse que a empresa tinha enorme dificuldade em se aproximar dela. Portanto, não há nada contra Dilma.

8 – Enquanto o JN incrimina Lula sem provas, Temer, Aécio e Serra que já têm inúmeras provas contra eles, continuam sendo poupados pelos jornais.

9 – Percebe-se que o ataque a Lula vem muito mais da imprensa que, sem cessar, rumina trechos editados, do que das delações.

10 – A intenção desse enorme teatro montado é dar fundamento a Moro para que este mande prender Lula preventivamente antes de seu depoimento em 3 de maio, esfriando assim a caravana que a esquerda prepara para esse dia.

Portanto, caso isso aconteça, estejamos preparados.

Um comentário:

  1. Muito bom. Me pergunto como confiar num delator, já que cresci sendo informada que "delatar é um ato vil". Como confiar então nas delações?!
    adeliasylvia@gmail,com

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