Por Fernando Castilho
Nikolas, porém, não caiu no golpe. Não por sagacidade
política ou visão estratégica. Declarou-se apenas “ainda inexperiente” para um
cargo dessa envergadura. Prudente, sem dúvida. Afinal, assumir um estado
falido, atolado em dívidas deixadas por Romeu Zema, um gestor tão brilhante que
não conseguiria administrar nem um galinheiro, não é tarefa para principiantes.
Minas tem obras paradas à espera de recursos, hospitais e escolas em crise,
serviços públicos em frangalhos. Literalmente, os buracos são fundos. E, desta
vez, não é metáfora.
Nada disso, claro, impede Nikolas de repetir, com convicção
quase religiosa, que o governo Zema é um “modelo para o Brasil”. A mentira é
grande, mas o espírito é esse mesmo.
Quando Lula assumiu a Presidência, encontrou um país
igualmente devastado. Ministérios haviam sido entregues por Bolsonaro a figuras
escolhidas não para governar, mas para sabotar. Educação, Saúde, Economia,
Direitos Humanos, Meio Ambiente: nada escapou. A Cultura, então, foi tratada
como inimiga de Estado.
Ainda assim, Lula encarou o desafio. Em pouco mais de três
anos, o país é outro: inflação sob controle, desemprego no menor patamar da
história, programas sociais retomados e funcionando e promessa de campanha
cumprida: isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais.
Coisas chatas, técnicas, que exigem trabalho. Muito trabalho, sobretudo quando
se tem uma oposição desse nível.
Nikolas, por sua vez, nunca trabalhou nem administrou
absolutamente nada. Ele sabe que não tem condições de enfrentar um desafio
real. Sua atuação na Câmara resume-se a não trabalhar, não votar nada que
beneficie o povo brasileiro e gravar vídeos aos montes para seus milhões de
seguidores, atividade, diga-se, muito mais lucrativa do que governar.
É bem mais confortável permanecer onde está: espalhando fake
news diariamente e monetizando a indignação alheia. Dá menos dor de cabeça e
rende mais no fim do mês.
O plano, ao que tudo indica, é outro. Esperar completar 35
anos, idade mínima para disputar a Presidência, torcer para que um eventual
segundo mandato de Lula eleve o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento
econômico e bem-estar social e, então, aparecer para “colher os frutos”.
Se é que me entendem.