domingo, 8 de fevereiro de 2026

Golpista tentando golpe em golpista

Por Fernando Castilho



Flávio Rachadinha até que tentou.
O plano era simples, quase ingênuo: empurrar Nikolas Ferreira para uma candidatura ao governo de Minas Gerais. De quebra, todos já sabiam que ele não daria conta do recado, o que enterraria qualquer pretensão presidencial em 2030, abrindo espaço para alguém do clã. Provavelmente o próprio autor da ideia.

Nikolas, porém, não caiu no golpe. Não por sagacidade política ou visão estratégica. Declarou-se apenas “ainda inexperiente” para um cargo dessa envergadura. Prudente, sem dúvida. Afinal, assumir um estado falido, atolado em dívidas deixadas por Romeu Zema, um gestor tão brilhante que não conseguiria administrar nem um galinheiro, não é tarefa para principiantes. Minas tem obras paradas à espera de recursos, hospitais e escolas em crise, serviços públicos em frangalhos. Literalmente, os buracos são fundos. E, desta vez, não é metáfora.

Nada disso, claro, impede Nikolas de repetir, com convicção quase religiosa, que o governo Zema é um “modelo para o Brasil”. A mentira é grande, mas o espírito é esse mesmo.

Quando Lula assumiu a Presidência, encontrou um país igualmente devastado. Ministérios haviam sido entregues por Bolsonaro a figuras escolhidas não para governar, mas para sabotar. Educação, Saúde, Economia, Direitos Humanos, Meio Ambiente: nada escapou. A Cultura, então, foi tratada como inimiga de Estado.

Ainda assim, Lula encarou o desafio. Em pouco mais de três anos, o país é outro: inflação sob controle, desemprego no menor patamar da história, programas sociais retomados e funcionando e promessa de campanha cumprida: isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. Coisas chatas, técnicas, que exigem trabalho. Muito trabalho, sobretudo quando se tem uma oposição desse nível.

Nikolas, por sua vez, nunca trabalhou nem administrou absolutamente nada. Ele sabe que não tem condições de enfrentar um desafio real. Sua atuação na Câmara resume-se a não trabalhar, não votar nada que beneficie o povo brasileiro e gravar vídeos aos montes para seus milhões de seguidores, atividade, diga-se, muito mais lucrativa do que governar.

É bem mais confortável permanecer onde está: espalhando fake news diariamente e monetizando a indignação alheia. Dá menos dor de cabeça e rende mais no fim do mês.

O plano, ao que tudo indica, é outro. Esperar completar 35 anos, idade mínima para disputar a Presidência, torcer para que um eventual segundo mandato de Lula eleve o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento econômico e bem-estar social e, então, aparecer para “colher os frutos”.

Porque governar um país destruído exige trabalho.
Já governar um país arrumado permite outra coisa: aproveitar as oportunidades.
Especialmente quando se tem os amigos certos, os discursos certos
e um apetite já bem conhecido por transformar política em negócio.

Se é que me entendem.

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