quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Cristãos se convertendo ao judaísmo?

Por Fernando Castilho

Charge: Pataxó charges e caricaturas - pataxocartoons.blogspot.jp


Assunto espinhoso de se tratar, afinal segundo dizem, política, futebol e religião não se discutem. Se discutem sim, mas não é exatamente a religião que o blogueiro se dispõe a discutir, mas sim alguns relacionamentos dela com a política.

Enquanto escrevo este texto, não tenho o número exato de palestinos mortos pelos ataques do exército israelense à faixa de Gaza. Ninguém tem. Estima-se, porém, que já chegue a cerca de 2000 pessoas, das quais 400 crianças...


E muita gente tem opinião formada sobre o assunto, tendo como fonte exclusiva a grande mídia, inteiramente do lado de Israel.

Uol
Em que pese reconhecer a existência do Hamas, grupo palestino que usa de violência para lutar pela libertação de seu povo, é certo que o poderoso exército de Israel, e seu eficiente escritório de inteligência, o Mossad, do mesmo modo que a CIA americana, tem condição e poder para localizar e destruir seu inimigo assim que o queira. Não quer.

Assim como a manutenção da saúde perfeita de Osama Bin Laden durante anos serviu aos propósitos de Washington para continuar a escalada no combate ao terror, a existência do Hamas é útil a seu Primeiro Ministro, Benjamin Netanyahu pois lhe dá o pretexto perfeito para continuar a executar os ataques. Eliminado o Hamas, não há como justificar a matança perante o mundo.

O que Israel pretende com seus ataques periódicos é cada vez mais avançar sobre o território palestino, expulsando de lá seus moradores e colonizando a área com ''judeus''. As aspas tem razão de existir como se verá logo mais. Um dia pretende-se que não haja mais nenhum palestino sobre aquela área.

Embora haja quem negue, a situação é de genocídio mesmo. E o motivo não é religioso.

Pois bem, a grande mídia, seja estrangeira, seja tupiniquim, está toda do lado de Israel. Basta ler os jornais.
E entende-se isto, uma vez que os Estados Unidos são aliados históricos daquele país, a poderosa indústria do entretenimento está quase toda nas mãos de judeus, etc. e tal.

O que quase não é possível compreender, pelo menos para este que escreve, é a posição de apoio da maior parte das denominações evangélicas.

Para afirmar que esse apoio é uma contradição, temos que regredir a um tempo retratado na Bíblia, quando Javé afirmou que o povo judeu era o seu escolhido, portanto, que se respeite a vontade do Senhor.

Mas será que isso procede? Vejamos.
Jesus chamava Deus de Pai, aliás, mais que isso, Abba, que em aramaico significa ''paizinho'' ou ''papai''. A prosseguir com o significado dessa palavra tão carinhosa, ao menos para nós, fica claro que aos olhos dos papais humanos, os filhos, mesmo apresentando diferenças entre si, são todos iguais, não havendo o predileto. Se houver o filho predileto, algo está errado com a família.

Aos olhos de Deus que seria o ser perfeito, o papai perfeito, todos nós, humanos, judeus, não judeus, brancos, negros, asiáticos, homossexuais, etc., criados por Ele, teríamos que ser iguais, não se admitindo que os judeus fossem o povo escolhido.

Mesmo que se admitisse isso, segundo explicou o historiador israelita, Shlomo Sand,
professor de História da Europa na Universidade de Tel Aviv, que acaba de publicar "Quando e como se inventou o povo judeu", os atuais judeus provêm de povos pagãos que se converteram ao judaísmo longe da Palestina, e portanto não vêm dos antigos judeus, e que os palestinos árabes são os únicos descendentes dos antigos judeus.

Se Sand estiver certo, e tudo indica que sim, o povo que se diz israelense não é o povo escolhido por Deus, e sim o palestino!.

Shlomo Sand

Mas, além disso, o que move os cristãos para a tomada de posição em favor dos israelenses?

Não é justamente o povo judeu que nega a Jesus Cristo, como sendo o filho de Deus?

O que o Messias, esperado pelos judeus deveria atingir? A Torá diz que ele:
a - Construirá o terceiro Templo Sagrado (Yechezkel 37:26-28)
b - Levará todos os judeus de volta à Terra de Israel (Yeshayáhu 43:5-6).
c - Introduzirá uma era de paz mundial, e terminará com o ódio, opressão, sofrimento e doenças. Como está escrito: "Nação não erguerá a espada contra nação, nem o homem aprenderá a guerra." (Yeshayáhu 2:4).
d - Divulgará o conhecimento universal sobre o Deus de Israel - unificando toda a raça humana como uma só. Como está escrito: "Deus reinará sobre todo o mundo - naquele dia, Deus será Um e seu nome será Um" (Zecharyá 14:9).

O fato histórico é que Jesus, para os judeus, não preencheu nenhuma destas profecias messiânicas.

Além disso, a idéia cristã da trindade quebra Deus em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (mateus 28:19), o que contraria a ideia de Deus único, além da característica de idolatria, abominada pelos judeus.

Não é o povo que entregou Jesus a Pôncio Pilatos para ser crucificado, somente por ter cometido o crime de desafiar o Sinédrio, o estado religioso?

Já os palestinos, a maioria deles muçulmana, crê em Jesus como um poderoso profeta, não o filho de Deus, mas aquele veio ao mundo trazer as boas novas do reino do Céu, assim como Maomé, mais recentemente. Sua opção por seguir Maomé se dá somente pelo fato deste ser o último, o mais recente a trazer as boas novas.

Vejam que nesse aspecto, os árabes são mais ''próximos'' de Jesus que os judeus., porém ambos negam que o fundador do cristianismo tenha morrido na cruz, e mais, que tenha ressuscitado.

Mas as contradições não param por aí.
Ao definir sua posição a favor de Israel, essas denominações não cumprem o mais sagrado dos ensinamentos de Jesus que é o de que devemos amar nossos irmãos como a nós mesmos e como a Deus.

E a cena que vimos recentemente quando da inauguração do Templo de Salomão, da Igreja Universal? Os próceres da igreja, inclusive seu fundador, Edir Macedo, paramentados com a indumentária dos sacerdotes judeus, o ketonet e o kipá, em evidente proximidade com estes.

Edir Macedo

São 2000 pessoas mortas, dentre estas, 400 crianças... Isso certamente não é um valor cristão.

Pataxó


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