Por Fernando Castilho
O que ocorreu na quinta-feira, 26, na CPMI do INSS na Câmara
dos Deputados foi, sem rodeios, um crime.
Primeiro, vamos esclarecer: Lulinha já havia quebrado seus
sigilos por conta própria. E a Polícia Federal já tem os resultados. Portanto,
votar a quebra de sigilo só tem dois objetivos: lacrar nas redes sociais e
tentar atingir Lula em uma campanha que nem começou. É puro espetáculo de gente
desonesta.
Mas sigamos. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana,
bolsonarista raiz, decidiu colocar em votação o requerimento da quebra de
sigilo. Cumprindo o regimento, fez a clássica votação simbólica: quem fosse a
favor permanecia sentado, quem fosse contra se levantava. Até aí, tudo certo.
Também acertou ao afirmar que suplentes não poderiam votar.
O problema veio na contagem. Havia 14 parlamentares em pé. Viana,
num passe de mágica, contou apenas 7. Golpe explícito. Naturalmente, os
governistas se insurgiram, gerando tumulto. Não vou aqui medir quem foi mais
agressivo, mas a cena foi digna de circo.
Depois, os governistas apresentaram fotos comprovando que
havia mesmo 14 votos contrários, não 7. Levaram o caso a Davi Alcolumbre,
presidente do Congresso, para que ele atuasse como um “VAR” e anulasse a
votação. Mas, como é comum nas instituições da República, decisões não são
tomadas de bate-pronto. Pode ser que Alcolumbre determine uma investigação para
um fato que, convenhamos, é simples e autoexplicativo. É pegar a foto e
decidir.
Viana, tentando colar a vidraça quebrada com fita crepe, deu
entrevistas afirmando que seriam necessários 16 votos. Uma pegadinha: esses 16
votos seriam para anular a votação fraudulenta anterior. Desonesto e criminoso.
O que vale são os 14 votos na hora da votação. Ponto.
E o crime não parou aí. O mesmo Viana que foi zeloso em
proibir votos de suplentes, permitiu que eles votassem a favor do requerimento.
Resultado: havia apenas 7 parlamentares da oposição sentados e 3 suplentes. Ele
somou 10 votos a favor, contra 7 contrários. Pronto, fabricou a “maioria”.
Se Alcolumbre não decidir a favor dos governistas, a questão
será judicializada. A depender de onde cair, plenário ou turmas, o resultado
muda. Se cair na Segunda Turma, pode ser que a fraude se oficialize.
Mas, independentemente da decisão, fica a pergunta: como
fica a situação de Carlos Viana? Ele poderá continuar à frente da CPMI? E o
relator, outro bolsonarista raiz, que comemorou o resultado fraudulento? Os
nomes dos dois constam no documento escrito à mão por Flávio Bolsonaro,
divulgado pela Folha. Ambos pleiteiam posições dentro do PL para se juntar à
campanha de Flávio. Não deveriam ser declarados suspeitos ou impedidos? E, se
isso acontecer, será que, no afã de agradar o mito, deram um tiro no pé?
De qualquer forma, o que vimos foi uma máscara cair. Por
trás da imagem de impolutos deputados e senadores da oposição empenhados em
descobrir quem foram os responsáveis pela fraude no INSS, há, pura e
simplesmente, uma turba de gente buscando desesperadamente alguma forma de
atingir Lula para que ele não vença as eleições. Vale, para isso, ressuscitar a
velha Geni, o Lulinha que já foi acusado de ser dono da Friboi e de possui
propriedades incompatíveis com seus rendimentos. Enquanto isso, a imprensa se
cala diante do fato de Flávio Bolsonaro ser dono de uma mansão em Brasília que
vale seguramente mais de 15 milhões de reais, valor totalmente incompatível com
seu salário de senador.