Mostrando postagens com marcador Ronaldo Caiado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ronaldo Caiado. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Caiado, a carta na manga de Kassab

Por Fernando Castilho



Quando Kassab anunciou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência pelo PSD, a reação foi quase unânime: gargalhadas. Afinal, Caiado mal aparece nas pesquisas, e eu mesmo entrei na onda da chacota. Mas, pensando melhor, talvez não seja só isso. Talvez seja muito mais.

 Antes de tudo, convém lembrar quem é Kassab. O dono do PSD, maestro do centrão, conseguiu nas últimas eleições eleger o maior número de prefeitos do país. Não é pouca coisa. Isso significa que, mesmo sem ser candidato, estará presente em palanques Brasil afora, muitos deles ao lado de Lula. Kassab não dá ponto sem nó. Nunca deu.

 O plano original, claro, não era Caiado. O sonho era Tarcísio de Freitas, o privatista de estimação, a quem, durante três anos, serviu como secretário em seu governo. Mas Tarcísio pulou fora, e Kassab ficou com três opções: Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Ratinho desistiu, Leite não tinha musculatura eleitoral, e sobrou Caiado, o extremista de direita mais longevo em atividade.

 Enquanto isso, o centrão, maior força do Congresso, não se engaja na candidatura do Rachadinha. Motivos não faltam: seu eventual governo é visto como um risco real para a economia e para a estabilidade institucional. Lula, com toda a sua previsibilidade, dá ao empresariado e ao centrão o que eles mais querem: tranquilidade para continuar enchendo os bolsos. Já o Rachadinha, com seus discursos inflamados, provoca calafrios, com ameaças de golpe que podem fazer o país regredir décadas.

 Aliás, depois de sua performance na convenção conservadora nos Estados Unidos, o agronegócio deve ter ficado em estado de choque. Ouvir que ele pretende dificultar relações com a China, principal compradora da nossa soja, apenas para agradar Donald Trump foi demais. O agro pode até não gostar de Lula, apesar do volume de dinheiro público que ele despeja no setor, mas dificilmente embarcará na aventura do Rachadinha. Caiado, por outro lado, soa bem mais palatável. Além disso, sai do governo de Goiás com invejável aprovação, enquanto a única produção do 01 em seu mandato como senador foi o criminoso projeto de privatização das praias.

 A jogada de Kassab, portanto, é simples: usar o capital político dos prefeitos do PSD para testar até onde o 01 consegue ir, minando sua candidatura enquanto fortalece Caiado. A campanha de verdade começa em abril, e o telhado de vidro do Rachadinha vai brilhar como nunca. Ele mesmo parece empenhado em acelerar o processo, tornando-o ainda mais frágil. Depois do discurso nos EUA, mais pedras já estão prontas para serem lançadas. Quando começar a rachar, Caiado pode subir nas pesquisas. E, dependendo do rumo da campanha, o Rachadinha pode até desistir, afinal, ficar quatro anos sem cargo público (ganhar dinheiro sem trabalhar) seria um pesadelo. Melhor continuar como senador.