Por Fernando Castilho
Ao assistir ao vídeo gravado pelo Maik, levei um susto imediato: tudo parecia indicar que ele mostrava um objeto não identificado cheio de luzes. Desde criança sempre quis acreditar (e por um bom período da minha vida realmente acreditei) que somos visitados por alienígenas. No entanto, o estudo da física sempre soprava no meu ouvido: é falso.
Há
alguns anos, quando ainda lecionava, para oferecer respostas mais embasadas aos
meus alunos de física, fiz o curso EAD Astrofísica para Todos, da UFSC,
ministrado pelo professor Alexandre Zabot. Foi nesse curso que compreendi o
quanto cientistas dedicados conseguiram responder às grandes indagações
humanas. Como sabemos a distância da Terra à Lua sem usar uma trena? Como
sabemos a composição de um planeta sem nunca termos escavado seu solo? As
respostas estão na física e na matemática. E é impressionante a capacidade e a
inventividade humanas de utilizá-las para desvendar o universo.
O
caso Maik, porém, havia dado um nó na cabeça. Aquele objeto simplesmente não
poderia ter vindo de outro planeta, porque as leis da física impedem.
Notadamente, a Teoria da Relatividade de Einstein, formulada em 1905, continua
sendo um dos principais guias da astrofísica e jamais foi desmentida.
Primeiro
ponto: a hipótese de o objeto ter vindo de algum planeta do Sistema Solar é
descartada, já que nenhum deles abriga vida inteligente. Restaria, então, a
possibilidade de um exoplaneta. Mas aí tudo se torna inviável.
O
exoplaneta mais próximo da Terra é Próxima B, que orbita uma das
estrelas do sistema Alfa Centauri, a 4,2 anos-luz de distância. Isso significa
que, se apontarmos um feixe de laser para lá, ele levará 4,2 anos para chegar.
Uma nave, viajando à velocidade da luz, também levaria esse tempo, e ainda teria
que sustentar seus tripulantes durante o percurso.
Além
disso, pela fórmula E = mc², quanto maior a massa de um objeto, maior a
energia necessária para acelerá-lo. Na prática, impulsionar uma nave de apenas 1
kg à velocidade da luz exigiria cerca de 90 quadrilhões de joules —
o equivalente a toda a eletricidade consumida pelo Brasil em um ano inteiro!
Já uma nave de verdade exigiria energia infinita, o que é uma impossibilidade.
Portanto, esqueçamos essa possibilidade: nenhuma nave consegue viajar nem
próximo dessa velocidade.
Atualmente,
a nave mais veloz já construída pelo ser humano é a Parker Solar Probe,
que atinge cerca de 700.000 km/h. Considerando que 4,2 anos-luz
equivalem a aproximadamente 40 trilhões de km, essa sonda levaria cerca
de 17.000 anos para chegar a Próxima B. E esse é o planeta mais próximo da
Terra. É como se uma formiga tentasse sair da China e chegar a Portugal
caminhando.
Compreendem
o desafio?
Alguém
pode perguntar: “E os tais buracos de minhoca?”
Eles
são uma formulação teórica: dobrando o espaço-tempo como uma folha de papel,
poderíamos sair da Terra e surgir em outro planeta em pouco tempo. Mas para
isso seriam necessários níveis de energia tão absurdos que sequer conseguimos
imaginar. Outra impossibilidade.
Portanto,
há barreiras físicas que simplesmente não conseguimos ultrapassar. Nem agora
nem no futuro com toda a tecnologia avançada. Muito provavelmente existe uma
quantidade gigantesca de espécies inteligentes espalhadas pelo universo, mas
tão distantes umas das outras que não conseguem se comunicar. É como uma
formiga no Brasil tentando se comunicar com outra na Austrália.
Se
Maik agiu para ganhar seguidores ou por ingenuidade, deixo a conclusão para
vocês. Porém, pelo que se sabe, ele não tem conhecimento de astrofísica.
Mas,
Fernando, você nunca viu luzes estranhas se movimentando no céu noturno? Sim,
acho que como quase todo mundo. Porém, são apenas isso: luzes estranhas.
Podemos especular e sonhar. Mas, se investigarmos com seriedade, veremos que há
explicações físicas para elas. Sempre há.
Como para as luzes do Maik.