Por Fernando Castilho
Quando
surgiram os indícios da ligação de Dias Toffoli com o Banco Master, escrevi: “a
única saída é a renúncia”. Mas, claro, muitos correram para defendê-lo, como se
fosse um santo injustiçado. O problema é que Toffoli não é santo, é
reincidente. Ao não largar a relatoria logo no início, deixou o STF tão
vulnerável que virou praticamente um paciente imunossuprimido, pronto para ser
atacado por qualquer “doença oportunista” que queira controlá-lo.
Enquanto
isso, Flávio Bolsonaro, ainda sem a faixa de candidato oficial, já dava spoiler
do roteiro: quem concorrer terá que prometer anistiar o pai. E se o Supremo
ousar dizer que não pode? Ora, simples: chama-se o Exército. Democracia, para
eles, é como guarda-chuva: só serve quando não atrapalha.
A
imprensa, por sua vez, tentou vender Tarcísio de Freitas como “bolsonarista
moderado” — uma espécie de Bolsonaro que não faz sujeira quando come. Mas
Tarcísio preferiu o conforto do governo estadual. Resultado: sobrou Flávio, o
herdeiro das rachadinhas, das condecorações a milicianos e da genial ideia de
privatizar praias, que o deixaria ainda mais rico do que já é.
Agora,
como candidato, Flávio promete continuar o governo do pai e desmontar programas
sociais. Se vier outra pandemia, já sabemos: cloroquina, rezas e “cada um por
si”. Afinal, ele também não é coveiro. E se eleito, vai usar a força para tirar
Jair da cadeia e colocá-lo como chefe de gabinete. Traduzindo: teremos Jair
governando de novo, só que com ainda mais rancor acumulado.
O
risco para a imprensa é gigantesco. Mas por que correr esse risco? Talvez
porque o celular de Daniel Vorcaro esconda segredos que atingem caciques da
mídia e políticos do centrão à extrema-direita. Um strike no STF poderia evitar
que tudo isso viesse à tona. E flertar com Flávio, neste momento, faz parte do
combo.
Importante
destacar também como Alexandre de Moraes, antes celebrado como defensor da
democracia, virou vilão corrupto da pior espécie. Tudo porque sua esposa teria
fechado um contrato milionário com o Banco Master — ainda sem provas. E mesmo
se provado, não havia escândalo: Moraes não tinha conflito de interesses com
Vorcaro. Mas se conseguirem o impeachment, o caminho para a volta de Jair
Bolsonaro estará escancarado.
O
combo inclui ainda a cruzada da imprensa contra Lula. As armadilhas já
começaram: na Índia, tentaram fazê-lo escorregar em perguntas sobre carnaval e
sobre supostos acordos com Trump. Lula, irritado, respondeu com firmeza,
mostrando que as cascas de banana precisam ser mais bem elaboradas. O jogo é
claro: atacar Lula e atacar o STF, em duas frentes simultâneas.
E
não pense que só a mídia hegemônica joga esse jogo. Parte da imprensa de
esquerda também se presta ao papel de desestabilizar o Supremo, seja por
vaidade, seja por conveniência. Como juristas renomados não embarcam na
narrativa de “crime eleitoral” de Lula, recorrem a advogados de ocasião, ávidos
por aparecer na tela.
Até
outubro, a guerra será brutal. O que está em jogo é simples: ou a continuidade
dos avanços sociais e da recuperação econômica, ou um golpe travestido de
eleição. A grande arma de Lula é a comunicação — que ainda não achou o tom
certo. Se conseguir, poderá expor a ausência de projetos do adversário, cujo
telhado de vidro é tão fino que talvez nem aguente até o fim da campanha.
E
aí, o consórcio grande imprensa–extrema-direita–Faria Lima–crime organizado poderá
sofrer um revés que não estava nos planos.
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