Já
ouví e lí de tudo um pouco sobre o massacre dos cartunistas do Charlie
Hebdo.
Muitos compararam o jornal com o antigo O Pasquim.
Algumas semelhanças, tantas diferenças...
O
O Pasquim, como o Charlie, era um jornalzinho (sem desmerecimento)
satírico, com muitas charges, de esquerda e que ousava muito.
As
semelhanças param por aí.
Ao
contrário do Charlie, o O Pasquim era uma resistência à ditadura.
Criado pelo cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e
Sérgio Cabral, mais tarde teve a participação de nomes como
Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius e Fortuna. Colaboradores não
lhe faltavam, como Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Leonam,
Sérgio Augusto, Ruy Castro, Fausto Wolff, Chico Buarque, Antônio
Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Gláuber Rocha e diversos outros
intelectuais cariocas. Deu pra sacar a qualidade?
O
Brasil vivia o regime militar, e em novembro de 1970 a redação
inteira do O Pasquim foi presa depois que o jornal publicou uma
sátira do célebre quadro de Dom Pedro às margens do Ipiranga, (de
autoria de Pedro Américo).









