Por Fernando Castilho
Muita
gente da esquerda parece ter esquecido que Alexandre de Moraes segurou com mão
firme as rédeas da democracia nos seus momentos mais turbulentos. Agora, alguns
o acusam de leniência, ou até de medo, por permitir que o líder da organização
criminosa familiar trocasse a cela pela prisão domiciliar.
Em
artigo anterior já havia apontado que Moraes, conhecido por sua inflexibilidade
diante de bandidos, foi obrigado a ceder às pressões dos filhos mamateiros do
Estado, da grande mídia e até de colegas da corte. O argumento era quase
irrefutável: o capitão morte poderia morrer na Papudinha e, caso isso
acontecesse, todos diriam em coro: “Eu avisei!”. Quem mais lucraria com isso? O
filho 01, já em campanha presidencial, que reeditaria o episódio da facada
embalado por comoção nacional. O resto da história já podemos prever.
Mas
o capitão não chegou em sua mansão saltitando de felicidade. Foi para a
domiciliar com várias cautelas: tornozeleira eletrônica, vigilância policial 24
horas, proibição de celulares e visitas restritas à família e advogados apenas
dois dias por semana. Tudo muito bonito no papel. Até que um drone intrometido
revelou o óbvio: o capitão descumpriu as regras, recebendo visitas e exibindo
uma saúde de ferro para quem, dias antes, saíra de uma UTI.
A
ironia é que o bozo, formado no Exército, parece ter aprendido apenas a arte de
desobedecer ordens. Sempre que há uma determinação superior, ele arrisca e
desafia. Em passado recente, tentou até romper a tornozeleira, como quem brinca
de “pega-pega” com a Justiça.
Ele
e os filhos, porém, dominam uma tática militar: a dos avanços graduais e
sucessivos. Primeiro, reclamaram do barulho do ar-condicionado e das
instalações “precárias” da cela. Moraes cedeu e o mandou para a Papudinha, uma
casa de 65 m² mais confortável que a moradia da maioria dos brasileiros, com
assistência médica 24 horas. Não bastou. Todos os dias exigiam prisão
domiciliar. O capitão foi parar na UTI de um hospital de luxo, com pneumonia
conveniente. Isso acendeu o alerta em Moraes, que novamente cedeu: mansão paga
pelo PL, com dinheiro do contribuinte, piscina e churrasqueira incluídas.
Agora,
como bons estrategistas do “quanto mais, melhor”, exigem que o 00 receba
visitas a qualquer hora, como se não estivesse cumprindo pena. Reclamam,
também, que a domiciliar só vale por 90 dias. Querem definitiva. Se Moraes
ceder, o próximo passo será pedir autorização para reuniões políticas,
churrascadas e lives. E não se pode descartar que isso já esteja acontecendo,
já que, por ordem do ministro, não haverá mais drones reveladores.
Mas
o ministro, diante do flagrante descumprimento da cautelar documentado pelo
drone, está de olho. E pode (e deve) mandar o capitão de volta para a
Papudinha. Afinal, serpentes costumam morder os descalços, mas também podem dar
o bote em quem insiste em brincar com a Justiça.
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