segunda-feira, 30 de março de 2026

O que o filho 03 pretendeu ao exibir o celular no congresso supremacista?

Por Fernando Castilho



Há coisas que, à primeira vista, parecem bizarras. Mas basta esfregar os olhos e olhar de novo para perceber que de “estranhas” não têm nada, só exigem que a gente suspenda a boa-fé nas pessoas por alguns minutos.

O leitor perceberá durante a leitura que não há citação dos nomes do clã que pretendeu dar um golpe de estado no país.

Os filhos 01 e 03 foram discursar num congresso “conservador” nos Estados Unidos, eufemismo elegante para “supremacista branco”. No palco, o 01, candidato à presidência, ofereceu nossas terras raras e, de quebra, pediu a Donald Trump uma ajudinha nas eleições brasileiras. Já o 03, com o celular grudado na mão, anunciou que mostraria o vídeo ao pai, aquele mesmo que a Justiça proibiu de usar celular. Um detalhe que chamou a atenção de alguém que está vigilante.

Alexandre de Moraes, com a paciência de quem já cansou de ver esse filme, deu 24 horas para a defesa explicar a gracinha, sob pena de mandar o prisioneiro de volta à Papudinha. Se isso acontecer, será a segunda vez que o 03 abre a porta da cela para o próprio pai. Coincidência? Ingenuidade? Ou um filho que sabe muito bem o que está fazendo? Afinal, o ex-deputado autoexilado pode não ser um gênio, mas também não é tão tapado a ponto de colocar o pai em fria por acidente.

Voltemos ao filho 01. Enquanto o pai ainda estava na UTI, ele protagonizou dancinhas em eventos do PL. Estranho? Talvez. Mas, neste ponto, a estranheza já pode dar lugar à desconfiança. Quem conecta os pontos percebe que o teatro tem roteiro.

Se o ex-presidente estava realmente debilitado na Papudinha, a ponto de médicos pedirem transferência, se retornar à prisão, pode muito bem voltar a ficar doente. Embora drones tenham mostrado imagens dele com saúde aparentemente firme, nada impede que a narrativa da fragilidade seja ressuscitada. E essa fragilidade pode ser verdadeira, não sabemos. E, convenhamos, para um candidato que aparece empatado ou ligeiramente atrás de Lula nas pesquisas, um empurrãozinho dramático seria providencial. Só que, com o pai confortável em prisão domiciliar, esse empurrão não vem. É preciso criar o cenário. Um cenário de comoção nacional, como o que já vimos no passado e que propiciou a eleição de um candidato que passou três décadas na Câmara dos Deputados sem aprovar nenhum projeto.

Quais são as marcas registradas dessa dinâmica familiar? O uso compulsivo da mentira, a ausência de limites para atingir objetivos e uma carência de empatia. Assim como o patriarca, os filhos utilizam quem lhes serve, mas não hesitam em descartar aliados que perderam a utilidade.

O Capitão ainda tem serventia, e será manobrado conforme o interesse dos herdeiros. Se o sucesso do projeto exigir um sacrifício ou um novo "fato heroico", ele poderá ser novamente exposto. Não é um teatro improvisado; é uma peça ensaiada. E nós, a plateia, assistimos ao roteiro se desenrolar.

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