Por Fernando Castilho
Há
coisas que, à primeira vista, parecem bizarras. Mas basta esfregar os olhos e
olhar de novo para perceber que de “estranhas” não têm nada, só exigem que a
gente suspenda a boa-fé nas pessoas por alguns minutos.
O
leitor perceberá durante a leitura que não há citação dos nomes do clã que
pretendeu dar um golpe de estado no país.
Os
filhos 01 e 03 foram discursar num congresso “conservador” nos Estados Unidos, eufemismo
elegante para “supremacista branco”. No palco, o 01, candidato à presidência,
ofereceu nossas terras raras e, de quebra, pediu a Donald Trump uma ajudinha
nas eleições brasileiras. Já o 03, com o celular grudado na mão, anunciou que
mostraria o vídeo ao pai, aquele mesmo que a Justiça proibiu de usar celular.
Um detalhe que chamou a atenção de alguém que está vigilante.
Alexandre
de Moraes, com a paciência de quem já cansou de ver esse filme, deu 24 horas
para a defesa explicar a gracinha, sob pena de mandar o prisioneiro de volta à
Papudinha. Se isso acontecer, será a segunda vez que o 03 abre a porta da cela
para o próprio pai. Coincidência? Ingenuidade? Ou um filho que sabe muito bem o
que está fazendo? Afinal, o ex-deputado autoexilado pode não ser um gênio, mas
também não é tão tapado a ponto de colocar o pai em fria por acidente.
Voltemos
ao filho 01. Enquanto o pai ainda estava na UTI, ele protagonizou dancinhas em
eventos do PL. Estranho? Talvez. Mas, neste ponto, a estranheza já pode dar
lugar à desconfiança. Quem conecta os pontos percebe que o teatro tem roteiro.
Se o
ex-presidente estava realmente debilitado na Papudinha, a ponto de médicos
pedirem transferência, se retornar à prisão, pode muito bem voltar a ficar
doente. Embora drones tenham mostrado imagens dele com saúde aparentemente
firme, nada impede que a narrativa da fragilidade seja ressuscitada. E essa
fragilidade pode ser verdadeira, não sabemos. E, convenhamos, para um candidato
que aparece empatado ou ligeiramente atrás de Lula nas pesquisas, um
empurrãozinho dramático seria providencial. Só que, com o pai confortável em
prisão domiciliar, esse empurrão não vem. É preciso criar o cenário. Um cenário
de comoção nacional, como o que já vimos no passado e que propiciou a eleição
de um candidato que passou três décadas na Câmara dos Deputados sem aprovar
nenhum projeto.
Quais
são as marcas registradas dessa dinâmica familiar? O uso compulsivo da mentira,
a ausência de limites para atingir objetivos e uma carência de empatia. Assim
como o patriarca, os filhos utilizam quem lhes serve, mas não hesitam em
descartar aliados que perderam a utilidade.
O
Capitão ainda tem serventia, e será manobrado conforme o interesse dos
herdeiros. Se o sucesso do projeto exigir um sacrifício ou um novo "fato
heroico", ele poderá ser novamente exposto. Não é um teatro improvisado; é
uma peça ensaiada. E nós, a plateia, assistimos ao roteiro se desenrolar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário