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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

As doenças oportunistas que atacam um STF debilitado

Por Fernando Castilho



Quando surgiram os indícios da ligação de Dias Toffoli com o Banco Master, escrevi: “a única saída é a renúncia”. Mas, claro, muitos correram para defendê-lo, como se fosse um santo injustiçado. O problema é que Toffoli não é santo, é reincidente. Ao não largar a relatoria logo no início, deixou o STF tão vulnerável que virou praticamente um paciente imunossuprimido, pronto para ser atacado por qualquer “doença oportunista” que queira controlá-lo.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, ainda sem a faixa de candidato oficial, já dava spoiler do roteiro: quem concorrer terá que prometer anistiar o pai. E se o Supremo ousar dizer que não pode? Ora, simples: chama-se o Exército. Democracia, para eles, é como guarda-chuva: só serve quando não atrapalha.

A imprensa, por sua vez, tentou vender Tarcísio de Freitas como “bolsonarista moderado” — uma espécie de Bolsonaro que não faz sujeira quando come. Mas Tarcísio preferiu o conforto do governo estadual. Resultado: sobrou Flávio, o herdeiro das rachadinhas, das condecorações a milicianos e da genial ideia de privatizar praias, que o deixaria ainda mais rico do que já é.

Agora, como candidato, Flávio promete continuar o governo do pai e desmontar programas sociais. Se vier outra pandemia, já sabemos: cloroquina, rezas e “cada um por si”. Afinal, ele também não é coveiro. E se eleito, vai usar a força para tirar Jair da cadeia e colocá-lo como chefe de gabinete. Traduzindo: teremos Jair governando de novo, só que com ainda mais rancor acumulado.

O risco para a imprensa é gigantesco. Mas por que correr esse risco? Talvez porque o celular de Daniel Vorcaro esconda segredos que atingem caciques da mídia e políticos do centrão à extrema-direita. Um strike no STF poderia evitar que tudo isso viesse à tona. E flertar com Flávio, neste momento, faz parte do combo.

Importante destacar também como Alexandre de Moraes, antes celebrado como defensor da democracia, virou vilão corrupto da pior espécie. Tudo porque sua esposa teria fechado um contrato milionário com o Banco Master — ainda sem provas. E mesmo se provado, não havia escândalo: Moraes não tinha conflito de interesses com Vorcaro. Mas se conseguirem o impeachment, o caminho para a volta de Jair Bolsonaro estará escancarado.

O combo inclui ainda a cruzada da imprensa contra Lula. As armadilhas já começaram: na Índia, tentaram fazê-lo escorregar em perguntas sobre carnaval e sobre supostos acordos com Trump. Lula, irritado, respondeu com firmeza, mostrando que as cascas de banana precisam ser mais bem elaboradas. O jogo é claro: atacar Lula e atacar o STF, em duas frentes simultâneas.

E não pense que só a mídia hegemônica joga esse jogo. Parte da imprensa de esquerda também se presta ao papel de desestabilizar o Supremo, seja por vaidade, seja por conveniência. Como juristas renomados não embarcam na narrativa de “crime eleitoral” de Lula, recorrem a advogados de ocasião, ávidos por aparecer na tela.

Até outubro, a guerra será brutal. O que está em jogo é simples: ou a continuidade dos avanços sociais e da recuperação econômica, ou um golpe travestido de eleição. A grande arma de Lula é a comunicação — que ainda não achou o tom certo. Se conseguir, poderá expor a ausência de projetos do adversário, cujo telhado de vidro é tão fino que talvez nem aguente até o fim da campanha.

E aí, o consórcio grande imprensa–extrema-direita–Faria Lima–crime organizado poderá sofrer um revés que não estava nos planos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Dias Toffoli - A dura rotina de um ministro do STF

Por Fernando Castilho



O ministro Dias Toffoli, esse incansável servidor da pátria, há muito tempo ostenta o título nada invejável de ministro mais entediado da Suprema Corte. Justiça? Apenas um detalhe burocrático. Em julgamento sobre questões ambientais, ainda no primeiro semestre, revelou sua verdadeira vocação: o tédio em estado puro. Para espanto dos colegas, confessou que preferia resolver o caso com cara ou coroa porque não via relevância no caso. Afinal, quem precisa de Constituição quando se tem uma moeda no bolso?

Mas não sejamos injustos: há algo que realmente o arranca da monotonia institucional. O futebol, claro. O Palmeiras, seu grande amor, é o único capaz de fazê-lo vibrar. Tanto que viajou até Lima para assistir à final da Libertadores. Só que, curiosamente, o que pareceu excitá-lo ainda mais foi a companhia do advogado que, por coincidência, representa Luiz Antonio Bull, investigado em negócios nada triviais entre o Banco Master de Daniel Vorcaro e o BRB. Quatro dias depois, com o Palmeiras derrotado, Toffoli decidiu que o caso merecia um “sigilo sigilíssimo”. Coincidência, claro.

E assim o ministro segue sua via-crúcis na Corte: sessões sonolentas, votos redigidos por assessores e decisões que condenam aposentados a sobreviver com um salário mínimo. Talvez, se no caso da Revisão da Vida Toda tivesse recorrido ao seu método infalível da moeda, os segurados do INSS hoje estariam em situação mais digna. Um verdadeiro mártir da burocracia.

Em 2024, fiel ao seu costume de encontrar válvulas de escape para sua rotina de sacrifícios, faltou a uma sessão para assistir à final da Champions League em Londres, no camarote de um empresário com negócios relatados por ele próprio na Corte. Porque, convenhamos, quem resiste a um bom jogo e a uma taça de champanhe? Aliás, seria digno de estudo o fato de ministros do Supremo serem tão fanáticos por futebol.

No fim das contas, já sabemos: justiça pode esperar. O que realmente desperta Toffoli são duas paixões inabaláveis: o futebol e a boa companhia de empresários investigados. Afinal, cada um encontra sua motivação onde pode.

sábado, 25 de outubro de 2025

O futuro do STF

Por Fernando Castilho



Dizem que Lula embarcou para o Oriente sem decidir se Jorge Messias será o novo iluminado do STF. Dizem também que o impasse tem nome e sobrenome: Davi Alcolumbre, o presidente do Congresso que, aparentemente, sonha acordado com Rodrigo Pacheco de toga. Será verdade? Vai saber. Brasília é o único lugar onde boatos têm mais credibilidade que comunicados oficiais.

Jorge Messias, é aquele tipo raro: técnico, discreto, sem ambições políticas. Um espécime em extinção. Já Pacheco... ah, Pacheco é político até o último fio de cabelo. E como todo político que se preze, sonha com voos altos. O governo de Minas Gerais, atualmente um cenário pós-apocalíptico graças à gestão Zema, seria o trampolim ideal para Pacheco se lançar à presidência em 2030. Se conseguir consertar o caos mineiro, claro. Mas virar ministro do STF? Isso seria como trancar um pássaro político numa gaiola dourada até os 75 anos. Um pesadelo para quem vive de articulação e holofote. Por isso, talvez Alcolumbre deseje Pacheco no STF mais do que o próprio Pacheco. Vai entender.

Enquanto isso, Luís Fux, lavajatista raiz, migrou para a segunda turma do tribunal. Lá, vai se juntar a Nunes Marques e André Mendonça, formando o que alguns chamariam de “clube do bolsonarismo gourmet”. Mas nem tudo são flores: Fux terá que dividir o cafezinho com Gilmar Mendes, seu desafeto de longa data. E como bônus, ainda tem Dias Toffoli, o ministro que parece sempre estar procurando a saída de emergência da Corte.

Toffoli, no entanto, tem se reinventado como o “consertador de estragos da Lava Jato”, uma espécie de zelador jurídico. E pode acabar levando Sérgio Moro ao tribunal para responder por crimes que, segundo dizem, começaram antes mesmo da operação. Ironia das ironias: o herói da Lava Jato sendo julgado. E não é certo que Nunes Marques e Mendonça vão sair em defesa de Moro. Afinal, o bolsonarismo o trata com o mesmo carinho que se dá a um ex-amigo que virou delator. E ainda tem o detalhe de que Moro saiu do governo acusando Bolsonaro de manipular a Polícia Federal para blindar os filhos. Um gesto que os filhos do capitão e gente como Malafaia não perdoam.

Fux, por sua vez, talvez não consiga nem defender Bolsonaro. A maioria dos processos do capitão está na primeira turma, sob a batuta de Alexandre de Moraes, que, digamos, não é exatamente fã do ex-presidente. Há quem diga que a segunda turma pode reverter a inelegibilidade de Bolsonaro. Eu, sinceramente, não apostaria nem um centavo. O capitão foi condenado e pode acabar atrás das grades ainda este ano. Depois disso, entra na Lei da Ficha Limpa e só volta a sonhar com eleições após cumprir seus 27 anos e 3 meses de pena. Com bom comportamento, pode até ir para o semiaberto em quatro anos e meio. Mas, mesmo assim, inelegível. A menos que mudem a Lei da Ficha Limpa para beneficiá-lo.

Fux não escapará dos encontros com seus desafetos da primeira turma. O plenário será seu purgatório. Lá, será lembrado, com toda pompa e circunstância, de como jogou sua carreira no lixo após seu voto talhado para defender Bolsonaro. Aos 71 anos, talvez decida mandar tudo às favas e se aposentar antes dos 75. Com muita grana no bolso, quem não faria isso?

A ver. Ou melhor: a assistir, porque esse roteiro está digno de série.