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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A fibra de Gláuber e a frouxidão da extrema direita

Por Fernando Castilho



Acompanhei todo o processo de cassação de Gláuber Braga na Câmara dos Deputados e, convenhamos, o deputado do Psol do Rio de Janeiro não arredou um centímetro de suas convicções. Se tivesse feito o teatrinho básico, pedido desculpas, retirado o que disse a Arthur Lira sobre o escândalo das emendas, teria escapado bem antes da via crucis que lhe armaram. Mas não: preferiu sair de cabeça erguida, vitorioso e honrado.

E aí me vieram algumas comparações inevitáveis.
Dilma Rousseff, diante do seu terror pessoal, o torturador Brilhante Ustra, não entregou um único nome. E olha que as torturas eram coisa de manual de barbárie de Átila, o rei dos Hunos.

Do outro lado, Jair Bolsonaro, quando encarou Alexandre de Moraes em seu julgamento, fez o que sabe de melhor: pediu desculpas, jurou que nunca viu os milhões que tinha afirmado que Moraes recebera e, para coroar, ainda convidou o ministro para integrar seu futuro governo. Brio? Fibra? Nada disso. Saiu com aquela cara de bobo típica dos covardes que se humilham para salvar a própria pele.

Agora, o mesmo Bolsonaro repousa em uma sala especial (não cela, veja bem) na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Doze metros quadrados com ar-condicionado (que já reclamou porque faz barulho), frigobar, cama com colchão, banheiro privativo e chuveiro quente. Um verdadeiro spa carcerário. Ah, e duas horas de banho de sol por dia, podendo circular tranquilamente como se fosse hóspede de resort.

Mesmo assim, o deputado Paulo Bilynskyj, em vistoria, teve a coragem de dizer que seu Jair estava sendo submetido a “verdadeira tortura”. Tortura, aliás, que ele defende para os outros sem pestanejar. Enquanto isso, Lula, também idoso, enfrentou 580 dias de prisão preventiva numa sala da PF de Curitiba sem reclamar, sem pedir anistia, e isso já depois de ter enfrentado um câncer.

Seu Jair, o homem com “histórico de atleta” que classificou a Covid-19 como “gripezinha” e chamou todos os brasileiros que se resguardavam dela de “maricas”, o homem que até ontem exibia vigor ao passear de jet-ski e participar de motociatas, de repente virou um paciente terminal, quase à beira da morte. Por isso, precisa de prisão domiciliar, de preferência com piscina, sauna e quem sabe até uma jacuzzi.

Curiosamente, também, o general Heleno, homem de perfil notoriamente autoritário, agora alega Alzheimer. Alexandre Ramagem, para não cumprir pena, simplesmente fugiu para os Estados Unidos, assim como Carla Zambelli para a Itália. E o que falar de Eduardo Bolsonaro? Além de covardes, são fujões.

E o ex-ajudante de ordens, Mauro Cid? Ao ouvir os conselhos dos advogados, não pensou duas vezes: entregou todos os golpistas para salvar a própria pele.

É isso: não têm fibra. Não aguentam uma hora de interrogatório mais duro. Bastaria a menção de uma “pau-de-arara” para que borrassem as calças e entregassem até o cachorro da vizinha.

A extrema direita é frouxa. São guerreiros de frigobar, mártires de ar-condicionado barulhento e heróis de motociata.

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Execução dos médicos foi guerra de facções? Quem acredita nisso?

Por Fernando Castilho

Foto: reprodução de self dos médicos

A deputada federal Sâmia Bomfim, vinha denunciando que, devido à sua atuação, vinha sendo ameaçada de morte. Ameaças extensivas a seus familiares, diga-se de passagem.

Três médicos paulistas foram executados em um quiosque no Rio de Janeiro. Um deles, irmão da deputada federal Sâmia Bomfim e cunhado do também deputado Gláuber Braga, ambos do Psol, partido de esquerda e base de sustentação do governo Lula.

Até aí todo mundo sabe.

Sâmia foi uma das deputadas mais combativas na CPI do MST. Por vezes teve seu microfone cortado durante suas falas, o que fere o regimento da Câmara dos Deputados. Os embates foram contundentes com o presidente da comissão, deputado coronel Zucco e com o relator, Ricardo Salles.

A parlamentar denunciou que, devido à sua atuação, vinha sendo ameaçada de morte. Ameaças extensivas a seus familiares, diga-se de passagem.

Normalmente as pessoas, ao lerem denúncias como essa, não exercem a empatia e costumam relegá-las ao esquecimento.

Eram quatro médicos que foram ao Rio para participar de um congresso de ortopedistas. Após um dia ouvindo vários ensinamentos, decidiram confraternizar tomando algumas cervejas num quiosque.

A polícia do Rio, instituição altamente confiável pelo seu histórico de resolução rápida de crimes como a execução da vereadora Marielle Franco, de maneira expressa, neste mesmo dia 5 de outubro, cravou que vinha monitorando há tempos os assassinos e que, por isso, implantou um grampo. No áudio, praticamente inaudível, há apenas duas palavras inteligíveis: “posto 8”.

Pronto! Foi o bastante para desvendar a motivação dos crimes! Um dos médicos fora confundido com um miliciano rival e, por isso, executado. Parabéns à polícia do Rio de Janeiro pela rapidez e pela facilidade em desvendar crimes. Fazem inveja à Scotland Yard e ao FBI.

Não está este articulista a afirmar que essa não é a verdade dos fatos, mas a realidade costuma ser mais complexa do que isso.

A própria matemática com seus cálculos probabilísticos já a desmente. A menos que uma conjunção de fatores (e aí não cito o destino) colocou o médico que veio de São Paulo, irmão de Sâmia Bomfim, deputada ameaçada de morte, no alvo de milicianos, o que possui uma probabilidade extremamente pequena e impossível de se calcular, a execução se deu por motivação política mesmo.

Ouso escrever isso.

A execução de um familiar de uma deputada da esquerda se presta, não somente a tentar calá-la, mas também calar a outros que têm falado grosso contra fascistas.

Lembro a CPMI dos atos golpistas quando parlamentares da base governista têm incomodado muito os deputados e senadores fascistas. Além disso, qual depoente saiu satisfeito depois que foi massacrado em uma oitiva?

Não, gente amiga, o golpe ainda não acabou. Essa extrema-direita está tentando se reorganizar, seja desmontando o STF, seja boicotando o governo Lula, seja, propagando mentiras absurdas, seja matando e ameaçando matar.

Por que o tenente-coronel Mauro Cid demorou tanto a fazer uma delação premiada? Teria ele segurança absoluta de que sua família não pagaria pela sua delação?

Gente, não estamos lidando com gente civilizada. Estamos lidando com milicianos!

Essa turba já esqueceu seu mito. Agora tenta se reerguer sem ele.

Espero que a Polícia Federal entre na jogada e esclareça que a execução dos médicos não se trata de guerra entre facções, mas sim, de crime político.


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